Fórmula 1, Shakedown de Barcelona: o número de voltas e a quilometragem das equipas

Por a 31 Janeiro 2026 10:32

Os cinco dias de shakedown em Barcelona revelaram grandes disparidades na quilometragem acumulada pelas equipas, com a Mercedes e a Ferrari no topo com 502 e 435 voltas, respetivamente, enquanto a Aston Martin ficou (naturalmente) na cauda. A Williams, como se sabe, não marcou presença.

Entre as equipas com elevado número de voltas e quilometragem estão a Mercedes com 502 voltas, 2.337 Km e a Ferrari, 435 voltas, 2.025 Km. Há algumas pequenas discrepâncias entre as diversas fontes – a F1 não forneceu dados oficiais – mas as variações são mínimas e portanto, não muito relevantes para a análise.

Mercedes (502 voltas; 2.337 Km):

A Mercedes completou os seus três dias de rodagem permitidos (segunda, quarta e quinta-feira) com um programa extremamente consistente e sem quaisquer problemas técnicos graves. A equipa focou-se deliberadamente em acumular voltas para afinar a unidade de potência e o comportamento do monolugar, numa abordagem que funcionou bem. George Russell sublinhou o “enorme número de voltas” realizado com temperaturas de pista extremamente baixas (2 graus Celsius), com “tudo a correr muito bem” e sem porpoising—um problema comum noutros projetos de 2026. Kimi Antonelli descreveu o programa como “uma aprendizagem massiva”, reforçando que “quanto mais voltas, melhor” para afinar os sistemas. ​Não foram reportados problemas técnicos significativos, apenas ajustes menores de setup e calibração de motor.

Ferrari (435 voltas; 2.025 km):

A Ferrari iniciou o seu shakedown apenas no segundo dia (terça-feira), devido a uma estratégia deliberada de preparação antes de chegar ao circuito, o que justifica parcialmente o menor número de voltas face à Mercedes.

No entanto, a equipa manteve uma taxa de quilometragem muito sólida nos dias em que rodou.

​Charles Leclerc completou “extenso número de voltas” na manhã de terça-feira em condições molhadas, com cerca de 120 voltas reportadas apenas por Lewis Hamilton à tarde desse dia. ​A equipa vivenciou uma chuva significativa no dia 2, o que Leclerc descreveu como “não foram as melhores condições para rodar”, mas a equipa continuou o seu programa, porque “não está focada em performance, mas sim em validar sistemas”. ​Não foram reportados problemas críticos, permitindo uma progressão estável em pista até ao fim da semana.

Equipas com quilometragem moderada: Haas, Alpine, Racing Bulls

Haas (387 voltas; 1.802 km):

A Haas foi a última equipa a ir para a pista no dia 1, mas rapidamente compensou esse atraso com um programa muito densamente preenchido. Apesar de terem tido um problema técnico menor na manhã de quarta-feira, o turno final de Ollie Bearman foi notável. Esteban Ocon elogiou o “esforço inacreditável” da equipa para ter o carro pronto às 9h20, descrevendo um “programa muito preenchido”.

​Bearman teve um contratempo na quarta-feira (problemas com o motor/sistemas que tomaram muito tempo a resolver devido à complexidade dos novos regulamentos), mas regressou no quinto dia para “duplicar a quilometragem em metade do tempo”, com mais de 140 voltas num turno limpo.

Alpine (345 voltas; 1.606 km):

A Alpine manteve um programa robusto com Franco Colapinto no dia 1 e Pierre Gasly nos dias subsequentes. O facto de ser a primeira época com motores Mercedes pode ter criado alguns desafios, mas a equipa rodou de forma estável. Gasly referiu que o novo motor Mercedes era “muito diferente de tudo” que conheceu na carreira, exigindo tempo para adaptação, mas a equipa conseguiu rodar consistentemente sem falhas críticas.

Não foram reportados problemas técnicos graves que limitassem a quilometragem, apenas o normal processo de aprendizagem e ajuste a uma nova unidade de potência.

Racing Bulls (319 voltas; 1.485 km):

A Racing Bulls completou apenas os seus três dias permitidos (segunda, quarta e quinta-feira) com Liam Lawson e Arvid Lindblad. Lawson manteve uma presença consistente em pista, rodando o dia inteiro de segunda-feira com “a maior parte de problemas menores esperados”.

​Lindblad teve um atraso na terça-feira devido à chuva que foi prevista, estreando-se apenas na quarta-feira com uma “primeira jornada muito positiva e sem problemas sérios”. O programa foi, no geral, limpo e focado, permitindo acumular dados consistentes.

Equipas com quilometragem significativamente mais baixa: Red Bull, McLaren, Audi

Red Bull (297 voltas; 1.383 km):

A Red Bull rodou nos dois primeiros dias, tudo corria bem até ao forte acidente de Isack Hadjar, cujos danos levaram a que a Red Bull só conseguisse voltar à pista no último dia de shakedown, na sexta-feira, porque foi necessário receber imensas peças sobressalentes de Milton Keynes. E isso demorou algum tempo, porque os danos foram extenso, e num carro completamente novo…

Seja como for, Max Verstappen teve um bom dia na sexta-feira, completando 118 voltas. Logicamente, a Red Bull atrasou-se um pouco, mas tudo isto faz parte do ‘jogo’: não consegui fazer muitas voltas por causa do tempo basicamente”, disse Verstappen. O novo motor funcionou bem (“a trabalhar em progresso”).

McLaren (287 voltas; 1.336 km):

A McLaren foi deliberadamente estratégica: não rodou nos dias 1-2, passando esse tempo a completar a montagem final do MCL40. Isto custou-lhe significativamente em termos de voltas globais, mas foi uma decisão calculada para garantir o máximo de eficiência. Como só podiam rodar três dias, a equipa preferiu preparar-se melhor. 

Lando Norris descreveu o dia 3 (quarta-feira) como “a primeira vez que toda a gente viu o carro numa só peça, pois ainda não estava construído até esta manhã”.

​Quando chegou a sua vez, Oscar Piastri foi penalizado por um “problema no sistema de combustível” no dia 4 que “cortou o nosso dia”, reduzindo significativamente a quilometragem desse turno.

Apesar disto, a equipa conseguiu fazer “muitas voltas” nos dias finais, com Piastri a fazer “um turno muito bem-sucedido” na sexta-feira com “muito melhor” que os dois dias anteriores.

Audi (240 voltas; 1.117 km):

A Audi teve um programa encurtado logo no dia 1 devido a problemas técnicos. Gabriel Bortoleto descreveu-o como “um dia um pouco curto” porque a equipa “encontrou um par de problemas que nos colocaram fora do dia pela manhã”. dia curto e um par de problemas foi o piloto brasileiro a ser simpático. 

O regresso foi lento, mas melhorou. ​Bortoleto voltou apenas na sexta-feira para mais 50 voltas, admitindo que “não foi tanto quanto gostaria”.

​Nico Hulkenberg teve um “arranque lento” no dia 3, mas depois “agarrou tudo e teve uma tarde muito produtiva”. Hulkenberg descreveu o dia 5 como “certamente um dos nossos melhores dias” – mais de 140 voltas – o que sugere que a equipa conseguiu resolver os problemas iniciais.

Equipas com quilometragem muito reduzida: Cadillac (164 voltas) e Aston Martin (65 voltas)

Cadillac (164 voltas; 763 km):

A Cadillac foi severamente afetada pelo facto de estar a rodar o seu monolugar pela primeira vez de forma plena, com uma longa série de problemas técnicos a serem identificados e resolvidos em tempo real durante o shakedown.

Valtteri Bottas descreveu o teste como “a fase de resolução de problemas” onde a equipa norte-americana “ainda tem muitos problemas para resolver e uma montanha para escalar”.

​Sergio Pérez referiu “ainda encontramos alguns problemas” e afirmou estar “a melhorar em cada volta”, sugerindo um programa de ‘debugging’ contínuo.

​Bottas admitiu na sexta-feira: “Ainda temos um longo caminho a percorrer. Temos muitos problemas a resolver, mas estamos a chegar passo a passo. Em cada volta estamos melhores.”

​O número reduzido de voltas (apenas 164) reflete o facto de Cadillac ser uma estrutura completamente nova, com sistemas ainda não totalmente validados e uma curva de aprendizagem ainda muito ativa. Talvez se esperassem um pouco menos de problemas, mas é com grande naturalidade que algo deste tipo sucede com uma equipa totalmente nova. 

Aston Martin (65 voltas; 302 km):

A Aston Martin foi a derradeira equipa a ir para a pista, estreando apenas na tarde de quinta-feira (dia 4), quando muitas outras equipas já tinham completado ou quase completado os seus programas de três dias.

O carro é muito diferente dos restantes, tem um arquitetura bem distinta dos ‘restantes’, e uma aerodinâmica também diversa – by Adrian Newey – e se estamos agora a lamentar o atraso, corremos o risco de ter que “engolir em seco” mais tarde, mas isso é algo que fica por ver.

É lógico que o carro não rodou o suficiente, muito menos se viu rapidez, pouco ou nada se sabe do que vale o novo motor Honda, mas fica claramente a ideia que a ‘ordem’ em que este monolugar está neste momento, pode ser muito diferente do que vamos ver durante o ano, porque se o que está a faltar é ‘desbloquear’ o potencial, o melhor mesmo é esperar para ver, sem, claro, ponderar que as coisas possam não correr bem para os lados de Silverstone. 

Lance Stroll admitiu que foi “um dia longo para todos os mecânicos e para toda a equipa”, com “muita pressão para ter o carro pronto”, e conseguiram “algumas voltas ao final do dia”.

​Fernando Alonso, estreando-se no dia 5 (sexta-feira), completou “mais de 60 voltas”, descrevendo a jornada como “um começo positivo” e elogiando o “esforço fenomenal” nas últimos 48 horas para ter o AMR26 operacional.

​O número tão reduzido de voltas (apenas 65 para todo o programa) deveu-se exclusivamente ao timing tardio de disponibilidade do monolugar e ao facto de a equipa ter optado por rodagem limitada apenas nos últimos dois dias da semana.

Williams (0 voltas; 0 km)

Williams foi a única equipa a não participar no Shakedown de Barcelona. O diretor técnico James Vowles confirmou que o monolugar passou todos os ‘crash-tests’ obrigatórios e estará pronto para os testes oficiais de pré-temporada no Bahrein a partir de 11 de fevereiro. Esta ausência reflete uma decisão estratégica deliberada da equipa, não uma falta de preparação.

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