Fórmula 1, Shakedown de Barcelona: o número de voltas e a quilometragem das equipas
Os cinco dias de shakedown em Barcelona revelaram grandes disparidades na quilometragem acumulada pelas equipas, com a Mercedes e a Ferrari no topo com 502 e 435 voltas, respetivamente, enquanto a Aston Martin ficou (naturalmente) na cauda. A Williams, como se sabe, não marcou presença.
Entre as equipas com elevado número de voltas e quilometragem estão a Mercedes com 502 voltas, 2.337 Km e a Ferrari, 435 voltas, 2.025 Km. Há algumas pequenas discrepâncias entre as diversas fontes – a F1 não forneceu dados oficiais – mas as variações são mínimas e portanto, não muito relevantes para a análise.

Mercedes (502 voltas; 2.337 Km):
A Mercedes completou os seus três dias de rodagem permitidos (segunda, quarta e quinta-feira) com um programa extremamente consistente e sem quaisquer problemas técnicos graves. A equipa focou-se deliberadamente em acumular voltas para afinar a unidade de potência e o comportamento do monolugar, numa abordagem que funcionou bem. George Russell sublinhou o “enorme número de voltas” realizado com temperaturas de pista extremamente baixas (2 graus Celsius), com “tudo a correr muito bem” e sem porpoising—um problema comum noutros projetos de 2026. Kimi Antonelli descreveu o programa como “uma aprendizagem massiva”, reforçando que “quanto mais voltas, melhor” para afinar os sistemas. Não foram reportados problemas técnicos significativos, apenas ajustes menores de setup e calibração de motor.
Ferrari (435 voltas; 2.025 km):
A Ferrari iniciou o seu shakedown apenas no segundo dia (terça-feira), devido a uma estratégia deliberada de preparação antes de chegar ao circuito, o que justifica parcialmente o menor número de voltas face à Mercedes.
No entanto, a equipa manteve uma taxa de quilometragem muito sólida nos dias em que rodou.
Charles Leclerc completou “extenso número de voltas” na manhã de terça-feira em condições molhadas, com cerca de 120 voltas reportadas apenas por Lewis Hamilton à tarde desse dia. A equipa vivenciou uma chuva significativa no dia 2, o que Leclerc descreveu como “não foram as melhores condições para rodar”, mas a equipa continuou o seu programa, porque “não está focada em performance, mas sim em validar sistemas”. Não foram reportados problemas críticos, permitindo uma progressão estável em pista até ao fim da semana.
Equipas com quilometragem moderada: Haas, Alpine, Racing Bulls
Haas (387 voltas; 1.802 km):
A Haas foi a última equipa a ir para a pista no dia 1, mas rapidamente compensou esse atraso com um programa muito densamente preenchido. Apesar de terem tido um problema técnico menor na manhã de quarta-feira, o turno final de Ollie Bearman foi notável. Esteban Ocon elogiou o “esforço inacreditável” da equipa para ter o carro pronto às 9h20, descrevendo um “programa muito preenchido”.
Bearman teve um contratempo na quarta-feira (problemas com o motor/sistemas que tomaram muito tempo a resolver devido à complexidade dos novos regulamentos), mas regressou no quinto dia para “duplicar a quilometragem em metade do tempo”, com mais de 140 voltas num turno limpo.
Alpine (345 voltas; 1.606 km):
A Alpine manteve um programa robusto com Franco Colapinto no dia 1 e Pierre Gasly nos dias subsequentes. O facto de ser a primeira época com motores Mercedes pode ter criado alguns desafios, mas a equipa rodou de forma estável. Gasly referiu que o novo motor Mercedes era “muito diferente de tudo” que conheceu na carreira, exigindo tempo para adaptação, mas a equipa conseguiu rodar consistentemente sem falhas críticas.
Não foram reportados problemas técnicos graves que limitassem a quilometragem, apenas o normal processo de aprendizagem e ajuste a uma nova unidade de potência.
Racing Bulls (319 voltas; 1.485 km):
A Racing Bulls completou apenas os seus três dias permitidos (segunda, quarta e quinta-feira) com Liam Lawson e Arvid Lindblad. Lawson manteve uma presença consistente em pista, rodando o dia inteiro de segunda-feira com “a maior parte de problemas menores esperados”.
Lindblad teve um atraso na terça-feira devido à chuva que foi prevista, estreando-se apenas na quarta-feira com uma “primeira jornada muito positiva e sem problemas sérios”. O programa foi, no geral, limpo e focado, permitindo acumular dados consistentes.
Equipas com quilometragem significativamente mais baixa: Red Bull, McLaren, Audi
Red Bull (297 voltas; 1.383 km):
A Red Bull rodou nos dois primeiros dias, tudo corria bem até ao forte acidente de Isack Hadjar, cujos danos levaram a que a Red Bull só conseguisse voltar à pista no último dia de shakedown, na sexta-feira, porque foi necessário receber imensas peças sobressalentes de Milton Keynes. E isso demorou algum tempo, porque os danos foram extenso, e num carro completamente novo…
Seja como for, Max Verstappen teve um bom dia na sexta-feira, completando 118 voltas. Logicamente, a Red Bull atrasou-se um pouco, mas tudo isto faz parte do ‘jogo’: não consegui fazer muitas voltas por causa do tempo basicamente”, disse Verstappen. O novo motor funcionou bem (“a trabalhar em progresso”).
McLaren (287 voltas; 1.336 km):
A McLaren foi deliberadamente estratégica: não rodou nos dias 1-2, passando esse tempo a completar a montagem final do MCL40. Isto custou-lhe significativamente em termos de voltas globais, mas foi uma decisão calculada para garantir o máximo de eficiência. Como só podiam rodar três dias, a equipa preferiu preparar-se melhor.
Lando Norris descreveu o dia 3 (quarta-feira) como “a primeira vez que toda a gente viu o carro numa só peça, pois ainda não estava construído até esta manhã”.
Quando chegou a sua vez, Oscar Piastri foi penalizado por um “problema no sistema de combustível” no dia 4 que “cortou o nosso dia”, reduzindo significativamente a quilometragem desse turno.
Apesar disto, a equipa conseguiu fazer “muitas voltas” nos dias finais, com Piastri a fazer “um turno muito bem-sucedido” na sexta-feira com “muito melhor” que os dois dias anteriores.
Audi (240 voltas; 1.117 km):
A Audi teve um programa encurtado logo no dia 1 devido a problemas técnicos. Gabriel Bortoleto descreveu-o como “um dia um pouco curto” porque a equipa “encontrou um par de problemas que nos colocaram fora do dia pela manhã”. dia curto e um par de problemas foi o piloto brasileiro a ser simpático.
O regresso foi lento, mas melhorou. Bortoleto voltou apenas na sexta-feira para mais 50 voltas, admitindo que “não foi tanto quanto gostaria”.
Nico Hulkenberg teve um “arranque lento” no dia 3, mas depois “agarrou tudo e teve uma tarde muito produtiva”. Hulkenberg descreveu o dia 5 como “certamente um dos nossos melhores dias” – mais de 140 voltas – o que sugere que a equipa conseguiu resolver os problemas iniciais.
Equipas com quilometragem muito reduzida: Cadillac (164 voltas) e Aston Martin (65 voltas)
Cadillac (164 voltas; 763 km):
A Cadillac foi severamente afetada pelo facto de estar a rodar o seu monolugar pela primeira vez de forma plena, com uma longa série de problemas técnicos a serem identificados e resolvidos em tempo real durante o shakedown.
Valtteri Bottas descreveu o teste como “a fase de resolução de problemas” onde a equipa norte-americana “ainda tem muitos problemas para resolver e uma montanha para escalar”.
Sergio Pérez referiu “ainda encontramos alguns problemas” e afirmou estar “a melhorar em cada volta”, sugerindo um programa de ‘debugging’ contínuo.
Bottas admitiu na sexta-feira: “Ainda temos um longo caminho a percorrer. Temos muitos problemas a resolver, mas estamos a chegar passo a passo. Em cada volta estamos melhores.”
O número reduzido de voltas (apenas 164) reflete o facto de Cadillac ser uma estrutura completamente nova, com sistemas ainda não totalmente validados e uma curva de aprendizagem ainda muito ativa. Talvez se esperassem um pouco menos de problemas, mas é com grande naturalidade que algo deste tipo sucede com uma equipa totalmente nova.
Aston Martin (65 voltas; 302 km):
A Aston Martin foi a derradeira equipa a ir para a pista, estreando apenas na tarde de quinta-feira (dia 4), quando muitas outras equipas já tinham completado ou quase completado os seus programas de três dias.
O carro é muito diferente dos restantes, tem um arquitetura bem distinta dos ‘restantes’, e uma aerodinâmica também diversa – by Adrian Newey – e se estamos agora a lamentar o atraso, corremos o risco de ter que “engolir em seco” mais tarde, mas isso é algo que fica por ver.
É lógico que o carro não rodou o suficiente, muito menos se viu rapidez, pouco ou nada se sabe do que vale o novo motor Honda, mas fica claramente a ideia que a ‘ordem’ em que este monolugar está neste momento, pode ser muito diferente do que vamos ver durante o ano, porque se o que está a faltar é ‘desbloquear’ o potencial, o melhor mesmo é esperar para ver, sem, claro, ponderar que as coisas possam não correr bem para os lados de Silverstone.
Lance Stroll admitiu que foi “um dia longo para todos os mecânicos e para toda a equipa”, com “muita pressão para ter o carro pronto”, e conseguiram “algumas voltas ao final do dia”.
Fernando Alonso, estreando-se no dia 5 (sexta-feira), completou “mais de 60 voltas”, descrevendo a jornada como “um começo positivo” e elogiando o “esforço fenomenal” nas últimos 48 horas para ter o AMR26 operacional.
O número tão reduzido de voltas (apenas 65 para todo o programa) deveu-se exclusivamente ao timing tardio de disponibilidade do monolugar e ao facto de a equipa ter optado por rodagem limitada apenas nos últimos dois dias da semana.
Williams (0 voltas; 0 km)
Williams foi a única equipa a não participar no Shakedown de Barcelona. O diretor técnico James Vowles confirmou que o monolugar passou todos os ‘crash-tests’ obrigatórios e estará pronto para os testes oficiais de pré-temporada no Bahrein a partir de 11 de fevereiro. Esta ausência reflete uma decisão estratégica deliberada da equipa, não uma falta de preparação.
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