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Fórmula 1: Retirada ‘política’ da Mercedes, Grupo dos 6 insiste…

José Luis Abreu by José Luis Abreu
19 Março, 2020
in Autosport Exclusivo, Destaque Homepage, F1, FÓRMULA 1
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GP da China de Fórmula 1: Será desta, Ferrari?

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Na sequência da polémica resultante do acordo entre a FIA e a Ferrari, e da consequente reação das sete equipas sem motor Ferrari, a Mercedes, equipa que liderou o processo da reação ao sucedido, ‘saltou fora’, deixando seis equipas entregues a si próprias. A razão é política e tem a ver com uma parceria estratégia entre a Daimler, BMW e Fiat no desenvolvimento de tecnologias de condução autónoma.

O jogo político é fundamental em quase todas as áreas da vida e o desporto automóvel não é exceção. Nos últimos tempos tem havido grande polémica face ao acordo que a FIA revelou ter feito com a Ferrari, facto que criou uma enorme tempestade que ainda não passou.

A Mercedes foi a primeira a ‘atirar-se’ à Ferrari e à FIA face ao acordo a que estas chegaram, juntou mais seis equipas para pressionar a FIA e a Ferrari e de repente, saltou fora. Gato escondido com o rabo de fora?

Como se sabe, as dúvidas sobre a legalidade das unidades motrizes da Ferrari já existem desde o início de 2018, quando a Mercedes alegou que os italianos usavam uma dupla bateria para suplantar o limite regulamentar de potência oferecido pelo sistema híbrido.

A FIA interveio, e depois de várias corridas a monitorizar os V6 turbohíbridos de Maranello, garantiu que tudo estava dentro da legalidade.
Contudo, as dúvidas nunca se dissiparam e ainda no ano passado Mercedes e Red Bull avançaram com a possibilidade da Ferrari manipular os sensores de fluxo de combustível para ultrapassar o limite regulamentar de 100kg/h.
A FIA, ao longo dos últimos meses, continuou a analisar a unidade de potência da Ferrari até que, no último dia dos testes de Barcelona revelou através de comunicado que tinha alcançado um acordo que manter-se-ia sigiloso com a Scuderia sobre a unidade potência desta e que, dessa forma, concluía o processo.
Só que esse acordo tirou muitas das dúvidas que pudessem existir já que para haver acordo, houve um entendimento face a uma coisa que devia ser simples: Ou é ilegal, ou não é.
Uma das possibilidades para que a FIA tenha escolhido alcançar um acordo com a Ferrari poderá ter sido não ter conseguido provar que a equipa estava a realizar algo de ilegal, muito embora tivesse suspeitas, tendo a formação de Maranello apresentado o que de ilegal estava a fazer. Neste cenário, existe no documento de regras judiciais e disciplinares a figura de um acordo sigiloso entre duas partes, podendo a entidade federativa conceder imunidade em questão, se a outra parte tiver agido em boa fé.
Outra possibilidade, passava por a FIA ter suspeitas quanto à legalidade do funcionamento da unidade de potência da Ferrari, mas sem conseguir prová-lo, não teve outra opção senão aceitar um acordo face à ameaça de a Scuderia recorrer aos tribunais civis.

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Neste contexto, sete equipas, todas menos a Ferrari e as que recebem motores da Scuderia elaboraram um comunicado conjunto calmo, mas firme, apontando a possibilidade de recorrerem aos tribunais civis. Uma ameaça forte, evidenciando que AlphaTauri, McLaren, Mercedes, Racing Point, Renault e Williams estão determinadas. O “acordo sigiloso” deixou um clima de suspeita, criando nas equipas a ideia de que o assunto não tinha chegado a uma conclusão.

E como reagiu a FIA? Elaborou um documento admitindo que as investigações levantaram questões quanto à legalidade dos procedimentos efetuados pela Scuderia na sua unidade de potência, deixando a ideia que não tinha meios para afiançar a legalidade dos monolugares presentes na competição.

Para além disso, a FIA deixa escapar que o acordo alcançado obriga a Ferrari a deixar de poder recorrer aos procedimentos em questão, o que nos permite concluir que a equipa italiana não foi capaz, ou não quis, provar a legalidade dos seus procedimentos, cedendo, o que é normal quando assina um acordo, para colocar um ponto final na situação.

O Grupo das 7 voltou à carga, não se mostrando nada contente com o desfecho, até que a Mercedes saltou fora do barco.
Uma situação estranha e inesperada que deixou o Grupo das 7… com seis equipas.
As equipas que contestaram inicialmente a decisão entre a FIA e a Ferrari foram a Mercedes, Red Bull, AlphaTauri, McLaren, Renault, Williams e Racing Point, mas a Mercedes recuou e a explicação é simples… e política.

Embora as restantes equipas pretendam ainda clarificar a questão junto da FIA, face à possibilidade da Ferrari ter infringido os regulamentos no ano passado, a saída da Mercedes, equipa que esteve na base da primeira resposta concertada das sete equipas foi muito estranha e tudo se deve a uma conversa entre o chairman da Daimler, Ola Kallenius, que falou com o seu congénere da Fiat Chrysler e Ferrari, John Elkann.

Kallenius pediu, depois a Toto Wolff, líder da Mercedes F1, para sair da ação coletiva e a razão tem a ver com uma cooperação entre a Daimler, BMW e Fiat no desenvolvimento de tecnologias de condução autónoma. Neste contexto, o extremar de posições entre a Ferrari e a Mercedes na Fórmula 1 iria certamente colocar pressão nessa parceria, para além de muito má para a imagem da Fórmula 1.

Agora, as seis equipas estão a avaliar os seus próximos passos, mas a desconfiança face à FIA cresceu significativamente, isto quando vai entrar em vigor no próximo ano o novo teto orçamental. Esperam-se cenas dos próximos capítulos, pois o assunto, não ‘morreu’…

José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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