Como sempre, as equipas de Fórmula 1 “passam a vida” a tentar contornar os regulamentos, ‘esticando’ até ao máximo as regras. Sendo verdade que a Fórmula 1 é o pináculo do desporto motorizado, em que tudo é levado ao limite, para obter mais desempenho, as regras não são exceção e a FIA está permanentemente a ser desafiada pelas equipas, como se conclui agora. A federação pretendia impor já para a corrida de Spa-Francorchamps a entrada em vigor do “modo único” de motor durante todo o fim de semana de Grande Prémio.
Pretendia, porque… já não deve acontecer no Grande Prémio da Bélgica, numa questão que agora, pensa-se, vai ser adiada para o Grande Prémio de Itália da Fórmula 1.
Tudo porque, em primeiro lugar, as equipas – os fornecedores de motores, bem entendido – precisam de tempo para fazer testes no dinamómetro, como preparação para a mudança.
Mas a ‘pressa’ da FIA quanto a este fim dos ‘party mode’ tem outro intuito. É que a federação desconfia que os fornecedores de motores, Mercedes, Ferrari, Honda e Renault, juntamente com as respetivas equipas, claro, estão a trocar fiabilidade pelo desempenho.
Como se sabe, segundo as regras de F1, as melhorias de desempenho nos motores são proibidas, mas as regras permitem aos fabricantes solicitar à FIA alterações nos seus motores para “efeitos de fiabilidade”. E é aqui que a porca torce o rabo, pois a FIA suspeita que que algumas dessas alterações surgiram para fazer funcionar os motores para além dos seus parâmetros normais. Conclusão: Os pedidos de alteração de fiabilidade podem ter sido feitos para desbloquear desempenho. E a FIA quer travar isto.
Parte do problema aqui é que a complexidade dos motores gera uma imensidade de dados, que têm de ser escrutinadas e a FIA tem muitas dificuldades a este nível. Só quando se debruça pormenorizadamente sobre o problema, chega ao fundo das questões – veja-se o caso da Ferrari o ano passado – e por isso pode haver outros exemplos que estejam a passar ao lado das regras.
Por fim, há outro detalhe. As constantes mensagens via rádio dos engenheiros para os pilotos reconfigurarem o motor, podem entrar no âmbito das “ajudas aos pilotos”, o que é proibido pelo regulamento. Portanto, este adiamento faz sentido, já que são tantos os detalhes que têm de ser alinhavados entre a FIA e as equipas, que é preciso mais tempo para se fazerem.










