Fórmula 1: Porque ganha tanto a Red Bull Racing?

Por a 2 Outubro 2023 19:02

Há muito que a Red Bull conquistou o ‘direito’ de estar entre as melhores equipas de F1, uma posição que alcançou com uma velocidade incrível. 18 anos depois de se ter estabelecido como equipa de fábrica, hoje em dia suplanta gigantes do mundo automóvel como a Ferrari e a Mercedes, Alpine (Renault) ou mesmo equipas históricas como a McLaren ou a Williams.

Começou como patrocinadora, mas depressa a escala do seu sucesso se tornou absolutamente impressionante.

Tudo começou em 2005, em 2006 chegou logo ao seu primeiro pódio, foi crescendo, e em 2009, obteve seis vitórias e o segundo lugar na classificação dos construtores num ano atípico dominado pela Brawn GP.

Era o primeiro sinal do que estava para vir, conquistando depois títulos consecutivos, de pilotos e Construtores entre 2010 e 2013, com Sebastian Vettel a emergir como o mais jovem tetracampeão do desporto.

Depois veio a era híbrida e a Mercedes acertou na ‘mouche’ com a motorização e dominou vários anos, sendo quase sempre a Red Bull a sua principal adversária, especialmente depois do ‘nascimento’ do que provavelmente se vai tornar no melhor ou num dos melhores pilotos de sempre da história da F1: Max Verstappen…

Mas como chegou a Red Bull onde está?

Num trabalho levado a cabo pelo F1.com, antigos pilotos da equipa explicaram como foram construídos os alicerces do que é agora a Red Bull e a forma como domina a F1.

Sem dúvida que o sucesso da Red Bull na Fórmula 1 se deve a uma combinação de fatores, incluindo uma liderança estável, excelência técnica e pilotos muitas vezes excepcionais.

Christian Horner, que tem sido o chefe de equipa da Red Bull desde a sua estreia em 2005, é um dos principais responsáveis pelo sucesso e é mesmo descrito pelos seus pares, como um líder determinado e muito apaixonado.

Outro fator de extrema importância para o sucesso da Red Bull, provavelmente até acima de Christian Horner, é a excelência técnica da equipa liderada por Adrian Newey, que se juntou à Red Bull em 2006.

Newey é um dos designers de monolugares de Fórmula 1 mais respeitados da história da disciplina, e sendo verdade que nem todos os monolugares que projetou vingaram, a maior parte, sim, e Newey já projetou vários carros campeões para a Red Bull, incluindo o RB18 e o RB19, que dominaram totalmente as temporadas de 2022 e 2023.

Isto para não falar dos que no passado deram títulos consecutivos à equipa…

Por fim, a Red Bull também tem contado com pilotos excepcionais ao longo dos anos, destacando-se claramente de todos os outros, Sebastian Vettel e Max Verstappen. Vettel conquistou quatro títulos consecutivos de pilotos para a Red Bull, de 2010 a 2013, e Max Verstappen está a caminho de conquistar seu terceiro título consecutivo em 2023.

A aventura da Red Bull na F1 começou no inverno de 2004, quando a empresa comprou a equipa Jaguar, sediada em Milton Keynes, e Christian Horner, depois de fazer maravilhas com a Arden Motorsport, repararam nele e Dietrich Mateschitz lançou -o para a ribalta como o mais jovem chefe de equipa de F1, com apenas 31 anos.

O primeiro pódio da Red Bull veio com David Coulthard no Mónaco em 2006, e muito se seguiu a esse dia.

Robert Doornbos revela que a veia metódica de Christian Horner se fez notar muito cedo, e isso atraiu Helmut Marko, que convenceu Mateschitz a arriscar. “Ele tinha algo de especial como líder”, diz Doornbos.

Vitantonio Liuzzi, piloto de testes e de corridas da Red Bull em 2005: “O Christian mostrou desde o início que tinha a atitude certa, a mentalidade certa para dirigir uma equipa e para criar a estrutura certa.”

Mark Webber, piloto da Red Bull, 2007 a 2013: “Foi um grande papel para o Christian assumir cedo e ele cresceu muito com a experiência, lidando com o facto de estar no meio do pelotão e depois com pilotos da mesma equipa a lutar por campeonatos, o que aconteceu comigo e com o Sebastian. A equipa tem sido muito estável e essa é uma boa receita para o sucesso.”

Já David Coulthard, piloto da Red Bull, 2005 a 2008: “Designers, engenheiros, mecânicos e pilotos vêm e vão, mas a única constante tem sido o Christian. A parte de leão do crédito deve ir para o Christian”.

Christian Klien, piloto de testes e efetivo da Red Bull, 2005-2006: “É o chefe de equipa que está há mais tempo no cargo e o trabalho que fez ao longo dos anos foi fantástico. A Red Bull não teve apenas dias bons, mas também alguns anos difíceis, e lutar e estar sempre presente é um grande feito.”

Depois, a parte técnica.

Uma das primeiras contratações da Red Bull foi o guru do design da F1, Adrian Newey, que tinha concebido uma série de carros vencedores de corridas e títulos com a Williams e McLaren durante a década de 90. Newey assumiu o cargo de Diretor Técnico em 2006, e foi subindo na hierarquia nos anos seguintes.

A Red Bull conseguiu a sua primeira vitória e o primeiro triunfo na China em 2009 com Vettel e Webber, antes de embarcar numa sensacional série de quatro duplos títulos consecutivos de pilotos e construtores de 2010 a 2013. Newey permaneceu ao leme técnico durante várias outras alterações regulamentares, produzindo um carro vencedor de corridas em todos os anos seguintes, até 2015, quando a Red Bull lutou contra um défice de potência do motor.

Com a mudança de era para carros com efeito de solo, o RB18 e o RB19 arrasaram a concorrência nestes últimos dois anos.

Segundo David Coulthard: “O Christian tinha a visão de: ‘É aqui que estamos agora, mas como é que eu posso reunir o melhor exército para travar as batalhas dos próximos anos? Falámos com ele, foi a primeira vez que o Adrian e o Christian se juntaram e iniciaram um processo que o levou a encontrar-se com o Sr. Mateschitz na Áustria e a chegar a um acordo para se juntar à equipa.

Para Robert Doornbos: “O Adrian é como o Einstein da F1. Percebi realmente o seu cérebro durante um dia de testes quando estávamos a tentar algo novo no carro. A certa altura, perguntou-me se eu achava que seria possível conduzir um carro de F1 com os dois pés em cima um do outro, com o travão em baixo e o acelerador em cima do travão, para que o carro pudesse ser mais elegante e mais liso na parte da frente.

“Eu disse-lhe: ‘Fisicamente, isso não é possível’. Ele olhou para mim e disse: “Quero mudar uma coisa”. Eu perguntei: “O quê?” Ele disse: “É entre o volante e o motor”. Eu disse: “Sou eu! Basicamente, se lhe dermos liberdade, ele quer ter um robot dentro do carro ou algo do género, por isso o equilíbrio entre o fator humano e o facto de ele pensar apenas em números e dados é extraordinário. Ele ultrapassa os limites”.

Mark Webber: “Ele é extremamente aberto e honesto com os problemas e enfrenta-os de frente. Para ele, ontem nunca é suficiente, e é isso que eu adoro nele. Foi ótimo tê-lo como a espinha dorsal técnica de todo o departamento. Claro que ele tem outras pessoas à sua volta e é um ótimo ouvinte – não se tem a carreira que o Adrian teve se uma pessoa como ele não ouvir. Adoro o quão discreto ele é, adoro a sua imensa humildade.”.

Com o Red Bull Junior Team a Red Bull tem continuado a explorar e a apoiar os pilotos ao longo dos anos, dando-lhes a oportunidade de provarem o seu valor, e embora alguns pilotos tenham caído no esquecimento, ou quase, as histórias de sucesso incluem Vettel, vencedor de quatro títulos mundiais com a Red Bull, Daniel Ricciardo, vencedor de Grandes Prémios e, agora Max Verstappen, campeão mundial em 2021, 2022 e prestes a ser coroado novamente em 2023.

Para Christian Klien: “Obviamente que para mim a Junior Team foi muito importante, mas diria que é mais difícil do que outros programas, provavelmente, pelo estilo do Helmut, ele é um tipo duro. O Helmut está sempre a procurar aquele piloto especial como o Sebastian ou o Max. Temos de dizer que funcionou para a Red Bull, a forma como o fazem. Ou se gosta ou não se gosta.

Já David Coulthard percebe o ‘modus operandi’: “sei que o programa tem sido alvo de críticas. As pessoas dizem ‘eles só cortam pilotos’ mas as oportunidades surgem, mas digam lá qual foi o piloto que saiu do sistema da Red Bull e depois subiu ao mais alto nível na Ferrari, Mercedes ou quem quer que seja. O Carlos Sainz optou por seguir em frente e isso funcionou muito bem para ele, mas os outros, que foram dispensados, ninguém os foi buscar”.

No fim, tudo se resume à cultura vencedora. Vitantonio Liuzzi diz que “tudo o que está envolvido na história da Red Bull começa com a mentalidade vencedora do Sr. Mateschitz. Tudo o que eles fazem, fazem-no para serem o número um.

Penso que as pessoas na Red Bull se sentem bem por fazerem parte de um ambiente em que todos querem ganhar. Também são bem tratados em termos familiares e económicos. Mesmo quando se vai à fábrica da Red Bull em Fuschl, onde se situa a empresa de bebidas, o ambiente é o mesmo – é um grupo de pessoas fantástico. Penso que se extrai 110% de cada um dos empregados.”

Para David Coulthard: “Há definitivamente uma cultura Red Bull e um estilo Red Bull, mas penso que o ambiente encorajou as pessoas a quererem fazer parte dele e tem havido oportunidades de crescimento lá dentro”

Já Christian Klien destaca a: “estabilidade que tiveram ao longo dos anos, com as mesmas pessoas, ou a mesma liderança, provou que estavam no caminho certo, que eram mais ou menos competitivos todos os anos. Por vezes não foram competitivos porque provavelmente o motor não estava à altura, mas do ponto de vista do carro, do ponto de vista do piloto, são uma equipa de topo há muito tempo.”

Se olharmos por exemplo para o ‘corropio’ de pessoas na Ferrari face à Red Bull, percebe-se um pouco que ali há uma filosofia que mais cedo ou mais tarde dá frutos e não se muda tudo quando se perde.

É óbvio que as outras equipas não andam a dormir, um dia a Red Bull vai voltar a perder, mas com o contexto atual e com Max Verstappen no leme, tão cedo, isso não volta a acontecer…

1 comentários

  1. Leandro Marques

    2 Outubro, 2023 at 19:16

    So um pequeno aparte a esta notícia que já tinha lido na App da f1, a Red Bull nao dominou totalmente a época passada. Durante muito tempo a Ferrari tinha o melhor carro. A meio da época quando surgiu a diretiva técnica é que o fosso se acentuou para o lado da equipa austríaca.

Deixe aqui o seu comentário

últimas Autosport Exclusivo
últimas Autosport
autosport-exclusivo
últimas Automais
autosport-exclusivo
Ativar notificações? Sim Não, obrigado