Fórmula 1: Pilotos e FIA trocam acusações

Por a 16 Setembro 2020 11:30

Continuam os ecos do sucedido aquando da segunda partida do GP da Toscânia Ferrari 1000 que se realizou em Mugello no passado domingo. Tudo se deu quando Valtteri Bottas, que rodava na frente, estendeu ao máximo o reinício de corrida (podia fazê-lo até à linha de meta), enquanto atrás de si, existiu uma espécie de efeito harmónio em que os pilotos que seguiam para lá do terceiro lugar, (1º Bottas, 2º Hamilton, 3º Leclerc), aceleravam precocemente (tendo depois de travar) na tentativa de ganhar vantagem, se ‘acertassem’ com o momento em que aceleravam.
Isto criou, como já referimos um efeito harmónio e quem vinha mais atrás, pensando em determinada altura que a corrida já tinha recomeçado acelerou a fundo para depois perceber que havia gente a rodar ainda lento. O que se seguiu foi uma carambola monumental, em que felizmente ninguém se aleijou.

O diretor da corrida de F1, Michael Masi, rejeitou as alegações de que a FIA é responsável pelo grande acidente de reinício em Mugello. Romain Grosjean diz que foi o “maior susto da minha carreira” (Em Spa 2012 ele deve ter infligido o maior susto da carreira a vários outros pilotos).
Carlos Sainz disse que não desejava a ninguém a sensação de “se deparar com carros lentos a 290 km/h”.

Há quem culpe Valtteri Bottas, por exemplo Vettel: “Absolutamente desnecessário”, disse Sebastian Vettel, da Ferrari. “Graças a Deus que ninguém se magoou”. Esteban Ocon (Renault), acrescentou: “Não sei se o que o Bottas fez foi muito correto, mas teremos do discutir no briefing da próxima corrida”. Bottas ripostou, dizendo que quem o culpa devia “olhar para o espelho”.

Na verdade, os Comissários Desportivos atribuíram culpas a 12 pilotos: Kevin Magnussen, Daniil Kvyat, Nicholas Latifi, Alex Albon, Lance Stroll, Daniel Ricciardo, Sergio Perez, Lando Norris, Esteban Ocon, George Russell, Antonio Giovinazzi e Carlos Sainz. Todos eles receberam repreensões.
Mas se o caso fosse analisado em detalhe, percebia-se que há vários graus de culpa.

Já Valtteri Bottas apontou o dedo à Fórmula 1: “A diferença este ano tem sido o Safety Car, pois estão a apagar as luzes bastante tarde, por isso só se pode construir uma margem também bastante tarde. Não sei quem está a decidir isso, mas estão a tentar melhorar o espetáculo apagando as luzes mais tarde”. Hamilton concorda: “São os decisores, mas não sei quem. Eles estão obviamente a tentar tornar os arranques pós Safety-Car mais interessantes, mas desta vez houve pessoas em risco”.

Michael Masi, Diretor de Corrida da F1, rejeitou a acusação: “Eles podem criticar o quanto quiserem. Temos 20 dos melhores pilotos do mundo, mas na corrida de Fórmula 3 houve uma situação muito semelhante, mas os jovens ultrapassaram-na muito bem, sem incidentes”, disse Masi que não pretende rever procedimentos: “Não há necessidade. Um dos fatores foi a longa reta, mas a corrida só recomeça após a linha de meta e todos os pilotos sabem isso muito bem”, negando também que a FIA esteja a destacar o espetáculo ao invés da segurança: “Absolutamente não. Do ponto de vista da FIA, a segurança vem em primeiro lugar. Na verdade, é um insulto que alguém sugira o contrário”.

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RogerM
RogerM
6 dias atrás

Recomeço da corrida de forma lançada com velocidade constante, ao estilo Indy é a resposta.

2fast4u
2fast4u
6 dias atrás

Numa pista com uma reta deste tamanho a linha de relançamento da corrida tem de ser no início da mesma. Assim toda a gente seria obrigada a ir a fundo mais cedo.
Para isto, o SC tem de dar espaço suficiente ao líder para poder lançar a corrida ao seu sabor, e é neste ponto que os pilotos têm toda a razão!

Last edited 6 dias atrás by Jabba
Pity
Pity
6 dias atrás

Para mim, o problema é o momento em que o safety car apaga as luzes. Já em Monza, tinha reparado que as luzes eram apagadas já depois de aparecer na imagem “safety car ending”, o que não aconteceu em anos anteriores. Há quantos anos existe safety car na F1? Quantas vezes se reiniciaram corridas após saída do SC? Quantos acidentes aconteceram? É isto que tem de ser analisado, para que não se repita. Tirando o acidente de domingo passado, apenas me lembro do desaguisado em Baku, entre Vettel e Hamilton. Há também a considerar as especificidades desta pista. Será que… Ler mais »

futre
futre
6 dias atrás
Reply to  Pity

em mugello a linha do SC está a seguir à linha da meta.

Pity
Pity
6 dias atrás
Reply to  Futre

Pois… costuma estar antes, penso.

MurrayWalker
MurrayWalker
6 dias atrás
Reply to  Pity

E a meu ver foi isso que motivou este grande incidente.

Todos os pilotos estão habituados que a linha do SC esteja no inicio da reta ou até antes. Nunca tinha visto a linha do SC coincidir com a linha de meta.

Isto é basicamente o mesmo que numa partida normal, o último semáforo levar 10 segundos a apagar-se. Irá forçosamente provocar falsas partidas.

Foi o que aconteceu aqui.

Patucho10
Patucho10
6 dias atrás
Reply to  Murray Walker

A linha devia estar ao inicio da reta da meta, é ridículo esta decisão da FIA !

Scuderia Fast Turtle
Scuderia Fast Turtle
6 dias atrás

Quem vai atrás é que tem culpa.

Aqui defendo a FIA.

Mas o sainz já ia a 290kmh porque?

mpedro
mpedro
6 dias atrás
Reply to  Fast Turtle

Porque a perspectiva do piloto vê 2 ou 3 carros à frente, não vê o bottas, então se ninguém quer ficar para trás no arranque tem de reagir em frações de segundo, se o da frente anda ligeiramente mais rápido ele tem de acelerar também, se pensarmos nesta reação 10 pilotos depois é 10 vezes maior e acontece o tal efeito armonico.
É por isso que o raspanete aos pilotos é ridiculo, eles foram reagindo em cadeia, o facto de serem tantos devia levar a FIA a perceber que não podem estar todos errados…

howell
howell
5 dias atrás

Num contexto muito diferente foi algo de semelhante que nos fez perder o Peterson. Segurança quanto evoluiste….

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