Fernando Alonso: queda, renascimento e reinvenção…

Por a 2 Outubro 2025 06:59

Fernando Alonso, bicampeão mundial de Fórmula 1, é um dos nomes mais marcantes da história recente do automobilismo. A sua carreira foi feita de altos e baixos, de escolhas certas e erradas, de épocas geniais e de períodos de frustração. Quando muitos julgavam que a sua carreira na Fórmula 1 tinha terminado em queda livre após os anos sombrios na McLaren, o espanhol surpreendeu ao regressar em 2021 e prolongar a sua estadia na disciplina até…. veremos. Agora, aos 44 anos, o piloto de Oviedo prepara a despedida e olha para novos horizontes, com o Rali Dakar em 2027 no seu radar.

O último ato: despedida da Fórmula 1 em 2026?

Em declarações feitas antes do Grande Prémio do Azerbaijão, Alonso admitiu pela primeira vez que o final da sua carreira na Fórmula 1 pode estar próximo: “Se a Aston Martin em 2026 funcionar bem, há uma grande probabilidade de ser o meu último ano”. Não pretende reformar-se discretamente. O espanhol, que nunca aceitou a ideia de ficar para “épocas a mais”, quer sair por cima, mantendo intacta a imagem de lutador que sempre o acompanhou.

A próxima etapa já está a ser congeminada: o possível regresso ao Rali Dakar, em janeiro de 2027. Alonso já tinha experimentado a dureza do deserto em 2020, ao volante de um Toyota Hilux, e prepara-se agora para regressar a essa exigente competição, símbolo de resistência física e mental.

O início: talento precoce e afirmação na Renault

Nascido em 1981, em Oviedo, Alonso começou a guiar karts aos quatro anos e cedo se destacou nas competições regionais e nacionais. Em 1999 conquistou o Open Nissan e abriu a porta para o automobilismo internacional.

Depois de uma temporada de estreia na Fórmula 1 com a Minardi em 2001, Fernando Alonso despertou atenções com performances excecionais num carro modesto. Flavio Briatore levou-o para a Renault, onde em 2003 conquistou a sua primeira vitória, na Hungria, passando a figurar entre os talentos mais promissores da modalidade.

Daí ao título mundial foi um passo: em 2005, com apenas 24 anos, sagrou-se campeão, o mais jovem até então. Repetiu o feito no ano seguinte, derrotando Michael Schumacher e tornando-se um dos grandes nomes da era moderna da Fórmula 1.

As escolhas erradas e o peso da política

Se dentro de pista Alonso mostrou sempre talento, fora dela as suas opções nem sempre foram felizes. A passagem pela McLaren em 2007 resultou num duelo interno feroz com o estreante Lewis Hamilton, marcado por polémicas e pelo escândalo de espionagem que envolveu a equipa. O espanhol saiu fragilizado e regressou à Renault, onde conseguiu vitórias isoladas sem voltar a lutar diretamente pelo título.

Em 2010 chegou à Ferrari, numa aposta que parecia o caminho natural para um terceiro título mundial. Contudo, esbarrou numa equipa com falhas estratégicas crónicas e numa Red Bull em ascensão com Sebastian Vettel. Em 2010 e 2012 esteve perto da glória, perdendo campeonatos por margens mínimas, mas acabou por deixar Maranello com apenas estatuto de eterno “vice”.

O ponto mais baixo: o adeus pela porta pequena

De volta à McLaren em 2015, já com motores Honda, Alonso encontrou o ponto mais baixo da sua carreira. Falhas mecânicas constantes, falta de competitividade e uma relação desgastante com a equipa marcaram quatro anos sem resultados. Desiludido, abandonou a Fórmula 1 no final de 2018, parecendo que a sua carreira terminava ali.

Apesar disso, Alonso nunca perdeu a vontade de competir. Venceu duas vezes as 24 Horas de Le Mans com a Toyota (2018 e 2019), correu no WEC, tentou as 500 Milhas de Indianápolis e até se aventurou no Dakar. Mais do que títulos, mostrava a sua ambição de se testar em diferentes terrenos.

O inesperado renascimento: Alpine e Aston Martin

Poucos acreditavam que voltaria. Mas em 2021 regressou com a Alpine. As exibições sólidas e alguns pódios mostraram que o talento permanecia intacto. Em 2023, a mudança para a Aston Martin revelou-se um passo certeiro: Alonso voltou a lutar regularmente pelos lugares cimeiros, silenciando os que lhe apontavam uma carreira já em declínio.

Esta extensão tardia da sua passagem pela Fórmula 1 é uma das maiores histórias de resiliência do desporto recente. Aos 40+, Alonso voltou a ser protagonista e a somar pódios frente a adversários bem mais jovens.

Do adeus à reinvenção no Dakar 2027

Agora, o final da linha na Fórmula 1 parece definido: 2026 surge como a última temporada do bicampeão. Mas ao contrário de outros campeões, a meta não é o sossego, mas sim a aventura. Em 2027, Fernando Alonso quer enfrentar novamente o Rali Dakar, prova extrema que simboliza bem o seu espírito competitivo.

Se confirmar a participação, Alonso terá mostrado um percurso raro: karting, Fórmula 1, endurance, IndyCar e rali-raid. Poucos pilotos se aproximaram de tamanha versatilidade.

Um legado inacabado, mas eterno

Fernando Alonso não se juntará a Schumacher ou Hamilton em estatísticas de títulos, mas o seu impacto vai muito além dos números. Foi irreverente, combativo, tecnicamente brilhante e um dos melhores a guiar carros menos competitivos acima das suas reais capacidades.

De promissor talento espanhol à figura renascida em plena Aston Martin, Alonso transformou-se num exemplo de resiliência e paixão. Quando 2026 marcar a sua despedida da Fórmula 1, será não pelo desgaste, mas por decisão própria. E 2027 trará a nova página de um piloto que sempre se recusou a seguir o caminho mais fácil.

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