FENÓMENOS DA F1: A queda da BRM


Fundada em 1947, a BritishRacingMotors começou como uma experiência, ganhou um Campeonato do Mundo e desapareceu no anonimato em 1977

Tinha terminado a II Guerra Mundial, e os entusiastas do automobilismo tinham pressa em regressar às provas desportivas. Raymond Mays, industrial e piloto nas horas vagas, tinha proposto a criação de um carro de Grande Prémio, capaz de rivalizar com as marcas italianas. Em 1950, nasceu o BRM P15, um ‘monstro’ com um motor V16 de 1,5 litros.
Foi, no entanto, necessário que outro industrial, Alfred Owen, tomasse as rédeas do projeto para que este se tornasse competitivo, até que em 1962 Graham Hill tornou-se finalmente Campeão do Mundo de F1 com um carro inteiramente construído na Grã-Bretanha. Os anos 60 foram uma década de sucesso com várias vitórias, mas na década de 70 tornou-se impraticável para uma equipa fazer todo o trabalho sozinha sem o apoio de um grande construtor. Fora a Ferrari, as outras marcas britânicas acumulavam vitórias com uma carroçaria desenhada por um engenheiro com experiência em aerodinâmica, montada à volta de um motor Cosworth DFV e uma caixa Hewland.
A última vitória da BRM na Fórmula 1 foi no GP do Mónaco de 1972, pelas mãos de Jean-Pierre Beltoise. Um arranque fulminante do piloto francês permitiu-lhe passar para a frente da corrida e aproveitar as péssimas condições meteorológicas para vencer. Mas o BRM P160 já era um carro ultrapassado e não havia condições para lutar contras as equipas da frente. Em 1974, a BRM perdeu o patrocínio da Marlboro para a McLaren (uma repetição do sucedido com a Yardley em 1972), substituído pela Motul, mas com um orçamento menor. Alfred Owen morreu em 1975 mas nessa altura a equipa já era gerida pela sua irmã Jean e pelo seu cunhado Louis Stanley.
Até 1977, a equipa continuou com o nome Stanley-BRM. O design de LenTerry era desinspirado, o motor V12 não tinha potência para lutar contra o Cosworth e o Ferrari, e os pilotos tinham que pagar para correr, mesmo quando eram LarryPerkins ou TeddyPilette, consagrados noutras categorias. No último ano, a equipa faltou a várias provas e Stanley acabou por encerrar a operação. O BRM P207 ainda fez algumas corridas na Aurora F1, e o P230 nunca saiu da garagem, apesar de várias tentativas por privados nos anos seguintes.

Criar novos mercados
Concentrada na Fórmula 1, a BRM raramente se aventurava noutras competições, salvo algumas raras exceções, como o famoso Rover-BRM de turbina, que correu duas vezes em LeMans. Em 1970, no entanto, o construtor seguiu a McLaren e Lola para a América, para correr na Can-Am. George Eaton e Pedro Rodríguez conseguiram dois pódios com o P154 de motor Chevrolet, mas foi o P167 de 1971 que conseguiu ganhar corridas. Nessa altura, a BRM havia entregado os comandos da equipa a Sid Taylor, que trouxe o patrocínio da Castrol, para correr na Interserie, versão europeia da Can-Am, conquistando a primeira vitória em Imola, com BrianRedman. O projeto parou em 1972, após quatro vitórias.

O francês
Jean-Pierre Beltoise entrou para a F1 com a Matra em 1968, ao mesmo tempo que venceu o Europeu de F2. Teve vários pódios, até passar para a BRM em 1972. Saiu em 1974, para tentar o que seria o primeiro Ligier de F1, mas foi preterido em favor de Jacques Laffite, pelo que resolveu mudar-se para os turismos, ganhando o título francês duas vezes.