Quando as coisas são vistas em perspetiva, por vezes percebe-se que aquele estúpido acidente num rali em Itália, em 2011, ‘acabou’ com um talento, que provavelmente, nesta altura, teria títulos de Campeão do Mundo. Falamos de Robert Kubica, que em dezembro de 2005 ‘espantou’ quem seguia a F1 com a prestação que relatámos através do texto em baixo:
“Vencedor da World Series, com o título conquistado no Estoril, Robert Kubica teve direito a 40 voltas ao volante dum Renault R25 como prémio para o seu triunfo naquela categoria. Conhecendo mal a pista catalã e sem qualquer experiência anterior ao volante dum Fórmula 1, o mínimo que se pode dizer é que o polaco deixou todos de boca aberta com o seu talento. Em apenas três horas de testes o piloto foi melhorando os seus cronos em cada série de voltas, sempre com o mesmo jogo de pneus, entrando rapidamente no meio da tabela de tempos, em despique directo com pilotos bem mais experientes. Mas foi quando lhe deram pneus novos, depois de 36 voltas de experiência, que o seu enorme talento veio ao de cima: logo na primeira volta Kubica efectuou o quinto melhor tempo até à altura, à frente de Franck Montagny e a apenas 0,5s da melhor marca dum motor V8 naquele momento! E não foi mais além porque Ralf Schumacher partiu o motor do Toyota na última curva, deixando imenso óleo na pista, pelo que a Renault optou por o mandar parar, sem lhe dar a prometida segunda série com pneus novos. A imagem da tranquilidade Enquanto no paddock se comentava uma estreia que só tem paralelo com o que Verstappen fez com um Footwork no Estoril, em Outubro de 1993 – mas o holandês acabou por destruir o carro na manhã do seu segundo dia de ensaios… – Kubica era a imagem da tranquilidade no final do dia: «Foi pena não ter tido uma segunda oportunidade, pois podia ter tirado dois ou três décimos de segundo ao meu melhor tempo. Fiz um tempo bom sem conhecer a verdadeira aderência dos pneus novos, pelo que uma segunda tentativa seria, forçosamente, melhor. Mas saio daqui satisfeito porque agora já tenho a certeza que poderei ser competitivo ao volante dum Fórmula 1.» Para 2006 o polaco hesita entre a GP2 e a Champ Cars, pois nem ele nem os responsáveis pela sua carreira ficaram convencidos que a nova categoria júnior da Fórmula 1 premeia o talento dos pilotos, dado o domínio duma equipa na temporada de 2005, mas a sua decisão será tomada nas próximas semanas, estando, também, previsto um teste nos Estados Unidos, com uma equipa em formação, e que tem no experiente Ken Anderson o seu Director Técnico. Em pista com o Renault R25 também esteve Giorgio Mondini, vencedor da Eurocup Renault V6 em 2004 e se é verdade que o piloto italiano fez um trabalho aceitável, o facto de ter entrado em acção depois de Robert Kubica acabou por deixar na sombra o seu desempenho”.









