F1, testes Bahrein, meio-dia 1: Red Bull lidera tabela de tempos, Williams, de voltas…

Por a 11 Fevereiro 2026 11:35

Terminada que está a primeira manhã de testes no Bahrein, Max Verstappen colocou o seu Red Bull na frente de Oscar Piastri (McLaren) com George Russell (Mercedes) e Lewis Hamilton (Ferrari). A quatro principais equipas nos primeiros lugares, mas em termos de voltas realizadas, são Carlos Sainz e a Williams que estão na frente com 77 voltas.

O primeiro dia de testes de pré-temporada de 2026 no Bahrein começou com a promessa de uma nova era técnica e desportiva na Fórmula 1, condensada em três dias de rodagem e num formato rigoroso de duas sessões diárias de quatro horas, separadas por uma pausa para almoço, e apenas um carro por equipa em pista.

Logo que as luzes verdes se acenderam na saída das boxes, uma série de monolugares ‘atirou-se’ ao asfalto de Sakhir, entre eles o Red Bull de Max Verstappen, o Audi de Gabriel Bortoleto e o Racing Bulls de Arvid Lindblad, marcando de forma visual o arranque oficial dos testes. Num traçado banhado por temperaturas amenas e algum vento, as equipas começaram por rodar com “aero rakes” e tinta flow-vis montadas nas carroçarias, instrumentos essenciais para validar correlação aerodinâmica e comparar dados de túnel de vento com a realidade da pista.

Quase em simultâneo, Williams surgia como uma das histórias centrais do dia. Depois de falhar todo o shakedown de Barcelona, a equipa de Grove apresentou-se finalmente em pista, com Carlos Sainz a assumir os primeiros quilómetros do FW48, focado em voltas de correlação a velocidade constante na recta entre as curvas 3 e 4. James Vowles, chefe de equipa, explicara ainda antes da acção que duas jornadas de filmagens – em Barcelona e já no Bahrein – e horas de simulador permitiram recuperar parte do tempo perdido, mas reforçara também que qualquer quilómetro real em Sakhir se tornaria vital para encurtar o défice face à concorrência.

À medida que a manhã avançava, os novos regulamentos começavam a ganhar forma concreta em pista.

Os monolugares exibiam aerodinâmica activa, com asas traseiras e dianteiras móveis para reduzir o arrasto nas rectas, e um novo sistema de “boost” e “overtake” baseado na gestão da energia da bateria, substituindo o papel tradicional da DRS. O combustível totalmente sustentável, proveniente de fontes como captura de carbono, resíduos urbanos e biomassa não alimentar, estreava-se em contexto de teste, em combinação com unidades motrizes em que quase metade da energia provém agora dos sistemas eléctricos, impondo um novo conjunto de desafios de fiabilidade e afinação às equipas.

O início de jornada foi marcado também pela ausência notada da Alpine. Enquanto dez carros já tinham registado voltas, muitos com estruturas aerodinâmicas volumosas e pinturas de fluxo aplicadas, o A526 permanecia nas boxes, num arranque de dia que reflectia as dificuldades de 2025, temporada em que a formação francesa terminara no fundo do Mundial de Construtores e que agora adoptara unidades motrizes Mercedes para tentar inverter a tendência. Pouco depois, Franco Colapinto finalmente se estreava em pista, após um atraso significativo, beneficiando do facto de, ao contrário do ano anterior, ter a oportunidade de participar em testes completos antes do início do campeonato.

Entre as histórias individuais, Arvid Lindblad assumia cedo o papel de protagonista. Único rookie da grelha em 2026, o jovem britânico, de 18 anos, substituto de Isack Hadjar na Racing Bulls, começou por marcar o ritmo com voltas rápidas em pneus macios e uma sequência de stints prolongados, chegando a completar 22 voltas no mesmo jogo de pneus e assumindo diversas vezes o topo da folha de tempos na fase inicial da sessão.

A Racing Bulls, equipada com unidade Red Bull-Ford, era também a primeira formação a atingir a dezena de voltas, sublinhando a solidez de um pacote técnico já bem alinhado com as novas regras.

O traçado de Sakhir apresentava-se em condições ideais, com cerca de 27 graus no ambiente e 35 graus na pista, ainda que com o habitual vento e rajadas que empurravam areia para o asfalto e penalizavam níveis de aderência. Os novos monolugares, mais compactos e ágeis, mostravam-se, contudo, mais estáveis face à geração anterior, mesmo sob vento cruzado, apesar de alguns bloqueios de travões e pequenas escapadelas, como um pião de Lewis Hamilton na Curva 1, rapidamente resolvido, sem contacto com barreiras, graças às generosas zonas de escapatória que fazem do Bahrein um palco de testes particularmente seguro.

A Aston Martin surgia nos primeiros relatos como outro foco de atenção, graças ao monolugar desenhado por Adrian Newey, claramente distinto no desenho das entradas de ar e da asa traseira. Lance Stroll conduzia o carro em exclusivo neste primeiro dia, numa opção explicada pelo facto de Fernando Alonso já ter completado um dia de rodagem em Barcelona, o que colocava o canadiano em maior necessidade de quilometragem.

Com o andamento a estabilizar e as voltas a acumularem-se, Esteban Ocon colocava o Haas no topo da tabela com um registo em pneus macios, num início sólido para uma equipa que procurava, em 2026, um carro mais versátil do que o de 2025, ano marcado por desempenhos irregulares de circuito para circuito. A Haas mantinha a dupla de pilotos Ocon–Bearman e a liderança de Ayao Komatsu, numa aposta na continuidade, enquanto Ocon explorava o potencial do novo chassis com uma sequência consistente de voltas no composto C3.

A primeira grande interrupção do dia surgia pouco depois, quando Colapinto parou em pista com o Alpine, provocando bandeira vermelha. O argentino abrandara progressivamente na zona interior do circuito antes de estacionar o carro junto às barreiras, numa situação que levantou dúvidas entre falta de combustível deliberada para testes ou um problema de fiabilidade, sendo esta última hipótese a mais provável.

O A526 foi retirado por um camião, a bandeira verde regressou e, após reparações, Alpine conseguiu recolocar o seu piloto em pista, ainda que com atraso significativo no número de voltas face à concorrência, num dia já crítico para recuperar moral e dados.

Enquanto isso, do lado da Williams, a narrativa era de reconstrução e progressão. Sainz somava voltas a ritmo constante, levando o FW48 a ultrapassar primeiro a barreira das 50 voltas e, pouco depois, a liderar mesmo a contagem de voltas da sessão, numa espécie de resposta silenciosa às dificuldades iniciais do projecto. As escolhas de pneus distribuíam-se entre C1, C2 e C3, com a equipa a utilizar também tinta flow-vis em secções específicas para validar o comportamento do novo pacote aerodinâmico.

No capítulo das novas equipas e projectos técnicos, Audi e Cadillac ocupavam lugar de destaque. A formação de Hinwil, já oficialmente Audi e equipada com a sua própria unidade motriz, apresentou em Sakhir um desenho de sidepods radicalmente diferente do utilizado no shakedown de Barcelona, com entradas verticais estreitas e fortemente esculpidas, pensadas para encurtar o caminho do fluxo de ar até à traseira e optimizar a eficiência aerodinâmica. Bortoleto completou um primeiro bloco de 25 voltas antes de regressar à garagem, numa manhã de exploração ainda prudente mas tecnicamente relevante para uma estrutura em plena transformação.

Cadillac, por sua vez, estreava-se como 11ª equipa da grelha, trazendo de regresso à F1 um nome histórico da indústria norte-americana e preenchendo o pelotão com 22 carros. Valtteri Bottas, um dos dois pilotos da nova formação ao lado de Sergio Pérez, completou um primeiro “stint” sólido, com cerca de três dezenas de voltas e tempos estáveis em pneus duros, contribuindo para o acúmulo de dados de um projecto ainda em fase inicial.

Com o andamento estabilizado e as questões iniciais sobre combustível e programas de simulação a pairar, a análise começava a centrar-se na fiabilidade e na quilometragem por fabricante de motor. A meio da sessão, as contas de voltas mostravam motores Mercedes claramente à frente em número total de giros, seguidos por Ferrari, Red Bull-Ford, Honda e Audi, um indicador preliminar da maturidade de cada pacote técnico sob as novas regras.

Não por acaso, a discussão sobre a interpretação agressiva da Mercedes em matéria de rácio de compressão da unidade motriz de 2026 voltava a emergir, tema que colocara a marca no centro de polémicas e protestos velados por parte de rivais, mas também como potencial referência desta nova era.

Hamilton surgia em foco por razões desportivas e simbólicas. Depois de um 2025 difícil com a Ferrari em Maranello, sem pódios, o sete vezes campeão do mundo precisava de uma época forte com carros que, teoricamente, se adaptam melhor ao seu estilo de pilotagem. Na pista, o britânico completou várias sequências em pneus mais duros, registou um meio pião na Curva 1 sem consequências em termos de danos e, numa fase mais adiantada da sessão, aproveitou as últimas voltas antes da troca com Leclerc para testar comportamento em “ar sujo”, seguindo de perto o Racing Bulls de Lindblad antes de o ultrapassar.

Já Sainz, com o FW48 cada vez mais trabalhado, passou a rodar em pneus médios C3, explorando aderência e degradação numa pista que, com o passar das horas, acumulava borracha e alguma areia transportada pelo vento. Atingiu as 63 voltas ainda antes do final da sessão da manhã, sinal claro de um programa intenso para recuperar o atraso da Williams face a rivais que já somavam quilómetros desde Barcelona.

Nas fases finais da manhã, a narrativa começava a concentrar-se no equilíbrio de forças entre os grandes candidatos ao título. McLaren, bicampeã de construtores e campeã de pilotos em 2025 com Lando Norris, aparecia como referência natural, com Piastri a colocar o MCL40 no segundo lugar da tabela de tempos, muito próximo de Verstappen, e a completar um programa de voltas consistente em pneus médios.

A Ferrari mostrava ritmo razoável com Hamilton, embora ainda sem ataques claros ao cronómetro, enquanto a Mercedes surgia como potencial “equipa a bater”, apoiada na memória de ter dominado a transição para a era híbrida em 2014 e na ausência de problemas de fiabilidade quer no shakedown de Barcelona quer neste primeiro dia de Bahrein, com Russell a acumular mais de três dezenas de voltas sem incidentes.

Num plano mais especulativo, a atenção virava-se para Kimi Antonelli, o jovem italiano da Mercedes, apontado por muitos como possível candidato ao título já em 2026 após uma época de estreia promissora em 2025, com pódios e uma pole em Sprint em Miami. A grande dúvida, repetida em debates de paddock e transmissões, era perceber se um piloto de 19 anos conseguiria sustentar uma campanha de 24 Grandes Prémios contra colegas mais experientes como Russell e os líderes das outras três grandes equipas.

Nos minutos derradeiros da sessão da manhã, a pista ofereceu ainda alguns episódios de leitura directa. Hamilton rodou atrás de Arvid Lindblad para sentir a facilidade de seguir de perto com carros mais pequenos e menos ar sujo, enquanto Sainz repetia o exercício atrás de Ocon, usando o Haas como referência para testar comportamento em turbulência. Verstappen, entretanto, protagonizou um ligeiro bloqueio de rodas na Curva 1, levantando uma nuvem de fumo, mas recuperou a trajectória sem danos e manteve-se no topo dos tempos, com pneus C2 e uma volta de 1m35,433s que se consolidaria como melhor registo da manhã.

Quando a bandeira de xadrez desceu sobre as primeiras quatro horas de acção, o quadro provisório do dia estava traçado: Verstappen liderava a tabela de tempos, alguns décimos à frente de Piastri e com Russell a completar o trio da frente; a Williams tinha cumprido a missão mínima de acumular quilometragem robusta com Sainz; Lindblad destacava-se como rookie confiante e resistente; Audi e Cadillac marcavam presença firme, ainda mais em modo aprendizagem do que em busca de tempos; e Alpine, apesar da bandeira vermelha inicial, conseguira recolocar Colapinto em pista e somar voltas indispensáveis a um projecto em reconstrução.

FOTO Williams F1/Getty Images

Tempos

Max Verstappen: 1m35.433

Oscar Piastri: 1m35.602s

George Russell: 1m36.108s

Lewis Hamilton: 1m36.433s

Esteban Ocon: 1m37.169s

Arvid Lindblad: 1m37.945s

Carlos Sainz: 1m38.221s

Gabriel Bortoleto: 1m38.871s

Valtteri Bottas: 1m39.150s

Lance Stroll: 1m39.883s

Franco Colapinto: 1m40.330s

Voltas

Carlos Sainz: 77 voltas

Arvid Lindblad: 75 voltas

Max Verstappen: 65 voltas

Esteban Ocon: 63 voltas

George Russell: 56 voltas

Oscar Piastri: 54 voltas

Lewis Hamilton: 52 voltas

Gabriel Bortoleto: 49 voltas

Valtteri Bottas : 49 voltas

Lance Stroll: 33 voltas

Franco Colapinto: 28 voltas

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