F1, Red Bull em 2026: o maior desafio em duas décadas

Por a 16 Janeiro 2026 08:11

Red Bull em 2026: a recuperação de 2025 pode ser o prelúdio de um regresso ao domínio absoluto?

Com novas regras o desafio é imenso…

Depois de uma época de 2025 marcada por oscilações extremas — de um início catastrófico a uma recuperação épica que levou Max Verstappen a falhar o título por apenas dois pontos, a Red Bull entra em 2026 com a capacidade demonstrada para renascer das cinzas.

Com a estreia da própria unidade motriz em parceria com a Ford, uma dupla renovada de pilotos e uma liderança estabilizada sob Laurent Mekies, a equipa de Milton Keynes tem os ingredientes para recolocar Verstappen no topo e desafiar a supremacia da McLaren.

A questão central permanece: será que a resiliência exibida na segunda metade de 2025 — oito vitórias do neerlandês e uma reviravolta de 104 pontos de desvantagem — se converterá num título em 2026, ou os desafios técnicos iniciais da nova era híbrida travarão novamente os seus ímpetos?

A resposta começará a emergir nos testes de pré-temporada.

Balanço de 2025

A época de 2025 da Red Bull foi marcada por oscilações de forma e por uma recuperação quase histórica na luta pelo título de Fórmula 1. Depois de um início de campeonato complicado, com um monolugar de janela de utilização muito estreita, Max Verstappen parecia afastado da luta pelo título já antes da pausa de verão, chegando a estar 104 pontos atrás do líder após o Grande Prémio dos Países Baixos. Apesar disso, o neerlandês conseguiu relançar a discussão pelo campeonato na segunda metade da época, acabando por falhar o título por apenas dois pontos para Lando Norris, da McLaren.

No plano interno, a equipa viveu também turbulência ao nível de pilotos e liderança. Liam Lawson começou o ano como companheiro de Verstappen, mas foi substituído ao fim de apenas duas corridas por Yuki Tsunoda, num “swap” interno com a estrutura Racing Bulls. A meio do ano, o histórico chefe de equipa Christian Horner deixou o cargo, sendo substituído por Laurent Mekies, até então responsável máximo da Racing Bulls.

Pilotos para 2026: Verstappen e Hadjar

Para 2026, a Red Bull mantém Max Verstappen como pilar do projeto desportivo. O piloto chega à nova época com um currículo que inclui 4 títulos mundiais, 71 vitórias em Grandes Prémios, 127 pódios, 48 pole positions, 3444,5 pontos e 233 partidas na Fórmula 1. Embora tenha perdido a coroa de campeão em 2025 para Norris, continua a ser considerado um dos pilotos mais completos do atual pelotão.

A temporada passada reforçou essa imagem: Verstappen somou oito vitórias em Grandes Prémios, mais do que Norris e Oscar Piastri, e assinou várias exibições de alto nível, incluindo uma recuperação até ao pódio a partir da via das boxes no Brasil, em condições de piso seco e com um furo pelo meio. Para 2026, o neerlandês passará a correr com o número 3, o seu número de eleição, deixando de lado o 1 e o tradicional 33, num gesto de marca pessoal que também recupera o número anteriormente utilizado por Daniel Ricciardo.

Isack Hadjar: o novo teste ao “segundo lugar mais difícil da F1”

Do outro lado da garagem, a Red Bull apresenta mais uma mudança naquele que tem sido, nos últimos anos, um dos lugares mais difíceis do pelotão: o companheiro de equipa de Verstappen. Depois de passar por Sergio Pérez, Alex Albon, Pierre Gasly, Yuki Tsunoda e o próprio Lawson, é agora a vez do francês Isack Hadjar subir à estrutura principal em 2026.

Hadjar chega à Red Bull após uma época de estreia muito positiva na Racing Bulls, onde somou 1 pódio, 51 pontos e 23 partidas. Manterá o número 6 no seu monolugar e terá como missão não só pontuar de forma consistente, mas também provar que consegue suportar a pressão que tantos outros não conseguiram gerir ao lado de Verstappen. A capacidade de adaptação ao ambiente competitivo interno e a regularidade serão fatores decisivos para o seu futuro na equipa.

2025: Carro complicado, atualização decisiva

A primeira metade da época de 2025 foi especialmente difícil para a Red Bull. O monolugar apresentava uma janela de funcionamento estreita e características de comportamento que dificultavam a vida aos pilotos, em particular a Lawson, cuja adaptação foi problemática e acabou por motivar a sua descida à Racing Bulls após apenas duas provas. Tsunoda, chamado de volta à equipa principal, também teve dificuldades em extrair o máximo do pacote técnico ao longo da época.

O ponto de viragem chegou a partir do Grande Prémio de Itália, com a introdução de um novo piso no carro. Contudo, de acordo com o conselheiro Helmut Marko, a melhoria de forma esteve menos relacionada com a especificação técnica em si e mais com o facto de a equipa ter começado a orientar o desenvolvimento e a afinação segundo as preferências de Verstappen. A partir daí, o neerlandês encadeou vitórias em Monza, Azerbaijão, Austin, Las Vegas, Qatar e Abu Dhabi, somando seis triunfos depois de apenas duas vitórias na primeira parte da época.

Mudança na liderança: Mekies sucede a Horner

Em paralelo, a equipa viveu uma das maiores mudanças internas da sua história recente. Christian Horner, chefe de equipa desde 2005 e figura central em todo o percurso da Red Bull na Fórmula 1, deixou o cargo em julho de 2025. Para o seu lugar entrou Laurent Mekies, até então responsável máximo da Racing Bulls, que assumiu a liderança desportiva numa fase crítica do campeonato.

A Red Bull assistiu também à saída de Helmut Marko, que abandonou as funções de conselheiro após cerca de 20 anos de ligação ao projecto. Estas mudanças assinalam o encerramento de um ciclo e o início de uma nova fase de gestão e filosofia interna, que terá impacto directo na forma como a equipa aborda o desenvolvimento técnico e a gestão de talento.

História e palmarés: de equipa emergente a potência da F1

A Red Bull entrou oficialmente na Fórmula 1 em 2005, ao assumir a estrutura anteriormente ocupada pela Jaguar. Os primeiros anos foram de consolidação, com pódios esporádicos, até ao salto competitivo dado a partir de 2009, ano em que Sebastian Vettel ofereceu à equipa a sua primeira vitória. Curiosamente, o alemão já tinha vencido um ano antes em Monza com a Toro Rosso, equipa júnior da marca.

Entre 2010 e 2013, Red Bull e Vettel protagonizaram uma era de domínio, conquistando quatro títulos de pilotos e quatro de construtores consecutivos. Com a entrada da era híbrida em 2014, a Mercedes assumiu o comando do pelotão, mas a Red Bull regressaria à conquista de campeonatos com Max Verstappen a partir de 2021, somando mais quatro títulos de pilotos até 2024 e dois campeonatos de construtores adicionais. No total, a estrutura de Milton Keynes contabiliza oito títulos de pilotos e seis de construtores.

Em termos de vitórias, a Red Bull ocupa o quarto lugar da história da Fórmula 1, com 130 triunfos, a apenas um da Mercedes, enquanto Ferrari e McLaren ocupam, respectivamente, o primeiro e segundo lugares do ranking. A época de 2023 permanece como o ponto estatisticamente mais alto do palmarés recente da equipa: 21 vitórias em 22 corridas, 19 delas assinadas por Verstappen, num domínio quase absoluto.

Maior feito recente: o domínio de 2023

Se a discussão sobre o maior feito da Red Bull pode ser longa, do ponto de vista estatístico é difícil ignorar a temporada de 2023. Nesse ano, a equipa venceu 21 das 22 corridas do calendário, estabelecendo uma das mais impressionantes séries de resultados da história da modalidade. Verstappen, com 19 desses triunfos, ultrapassou o seu próprio registo de 15 vitórias em 2022 e consolidou uma das campanhas mais dominadoras de sempre.

Este ciclo de sucesso foi complementado por uma sequência recorde de 15 vitórias consecutivas, iniciada no Grande Prémio de Abu Dhabi de 2022. Estes números ajudam a enquadrar o peso histórico da Red Bull na Fórmula 1 moderna e a dimensão das expectativas que recaem sobre a equipa sempre que inicia uma nova temporada — expectativas que, em 2026, se mantêm elevadas, apesar das mudanças técnicas e humanas enfrentadas nos últimos anos.

FOTOS Oracle Red Bull Racing/Content Pool

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