F1, Q&A, Max Verstappen cada vez a morder mais a língua: “é melhor não falar sobre isso”
Max Verstappen, piloto da Red Bull Racing, expressou a surpresa positiva com o seu ritmo na corrida, apesar de uma penalização de cinco segundos, mas o mais significativo, de longe, da sua conferência de imprensa pós corrida teve a ver com o que… não pode e não quer dizer, para não se… meter em trabalhos. Neste momento, temos uma pessoa espartilhada para colocar cá fora o que sente, porque, segundo diz, há um livro de regras que estabelece a forma como os pilotos se têm de portar, sob pena de serem fortemente castigados.
Por isso, evitou falar diretamente sobre a penalização que sofreu e a disputa roda a roda com Oscar Piastri, mencionando receios de ser penalizado por expressar a sua opinião.
Verstappen destaca ainda a necessidade de melhorias no equilíbrio e consistência do seu carro para competir em todas as pistas e comenta sobre a crescente sensibilidade nas redes sociais, que o tem levado a ser mais cauteloso nas suas declarações.

A McLaren tinha um segundo de vantagem sobre todo o pelotão na sexta-feira. Quão perto achas que estiveste deles hoje em termos de ritmo?
MV: “Não sei. É impossível dizer. Também não olhei para os números. Para mim, fiquei positivamente surpreendido com o meu ritmo. Foi muito melhor do que eu esperava. Portanto, isso é bom.”
Max, cruzaste a meta 2,8 segundos atrás do Oscar. Isso levanta a questão do que poderia ter acontecido sem aquela penalização de cinco segundos. Podes dar-nos a tua opinião sobre o que aconteceu na partida?
MV: “Sim. Aconteceu a partida, aconteceu a curva 1 e, de repente, estávamos na volta 50. Foi tudo muito rápido. O problema é que não posso partilhar a minha opinião sobre isso porque também posso ser penalizado, por isso é melhor não falar sobre isso.”
P: Não vamos falar sobre a penalização. Podemos falar apenas da corrida roda a roda entre ti e o Oscar?
MV: “Foi tudo muito rápido…”
Tu e a equipa discutiram a devolução imediata do lugar?
MV: “Acho que é melhor não falar sobre isso. Qualquer coisa que eu diga ou tente dizer sobre isso pode meter-me em sarilhos.”
P: Vamos então avançar com o assunto. O que é necessário para estar ao mesmo nível da McLaren? Agora é apenas uma questão de encontrar alguma consistência de corrida para corrida? É isso que querem acima de tudo?
MV: “Penso que precisamos de encontrar mais performance global, especialmente equilíbrio e, claro, consistência. Não somos bons em todas as pistas. Isso é muito claro. No Bahrein, faltou-nos muito.
Aqui, com certeza, foi muito melhor. Mas, como eu disse, também é uma pista de baixa degradação e por isso, há mais carros a ganhar vida. Isso significa que ainda temos trabalho a fazer, mas pelo menos é um resultado promissor. No geral, foi um fim de semana promissor, pois conseguimos encontrar um bom equilíbrio, ou um equilíbrio decente, e isso é, naturalmente, positivo para nós.”
Terminaste em segundo, estás em terceiro no campeonato e não estás muito longe, mas parece que não estás com vontade de falar muito sobre o que aconteceu. Tudo isto ainda é divertido para ti? Ou será que o prazer foi de certa forma sugado? Nos últimos meses, as tuas respostas tornaram-se um pouco mais curtas e não pareces tão feliz.
MV: “Não. Tem a ver com as redes sociais, em geral, e com a forma como o mundo está. Prefiro não falar muito porque, por vezes, as nossas palavras podem ser distorcidas ou as pessoas interpretam-nas de uma forma diferente. Sinceramente, é melhor não falar muito. É isso que estou a tentar fazer.”
Max, disseste que foi um fim de semana positivo – achas que estás a reduzir a diferença para a McLaren?
MV: “Sim. Tenho tido resultados interessantes aqui. Tem sido como segundo, primeiro, segundo, primeiro, segundo. É positivo. Tem sido um fim de semana positivo para nós, honestamente. Talvez não tenha começado muito bem na sexta-feira, mas tentámos fazer muitas coisas no carro e conseguimos pô-lo na janela. A partir de agora, temos de trabalhar mais nos pontos fracos que sabemos que temos. Temos de fazer atualizações para corrigir isso. Esperemos que nas próximas corridas possamos ver alguma progressão.”
Desde Singapura, talvez, no ano passado, parece que tens de morder a língua um pouco mais. Não te frustra o facto de não poder ser aberto e de os outros poderem falar por ti?
MV: “Como disse antes, é o mundo em que vivemos. Não podemos partilhar a nossa opinião porque, aparentemente, não é apreciada, ou as pessoas não conseguem lidar com toda a verdade. Honestamente, é melhor não falar demasiado. Também poupa o meu tempo, porque já temos muito que fazer. Sinceramente, é assim que tudo se está a tornar. Toda a gente é super sensível a tudo. E com o que temos atualmente, não podemos ser críticos. Portanto, menos conversa – ainda melhor para mim.”
Uma pergunta sobre o início da temporada do Oscar. É a primeira vez que lutas contra ele num campeonato. O que é que achaste do início dele? Até que ponto é que ele vai ser um concorrente duro para a tua coroa esta época?
MV: “Acho que já o disse antes. As pessoas esquecem-se um pouco – o ano passado foi o segundo ano dele. Agora está no terceiro ano e é muito sólido. É muito calmo na sua abordagem e eu gosto disso. Isso nota-se na pista. Ele cumpre quando tem de cumprir, quase não comete erros – e é disso que precisamos quando queremos lutar por um campeonato. E acho que com o Mark (Webber) ao seu lado, ele está a ajudá-lo muito. É ótimo.
As pessoas aprendem com as suas próprias carreiras – foi o que eu fiz com o meu pai, e o Mark está a aconselhar o Oscar. No final do dia, o Oscar está a usar o seu talento e isso é ótimo de se ver.”
Provavelmente não queres estar aqui sentado depois da corrida a responder a estas perguntas, mas só para esclarecer, para onde é que vai esta ira? Dizes que não estás autorizado a dizer o que queres. Estás a falar das regras da FIA sobre palavrões ou de outra coisa qualquer?
MV: “Sei que não posso dizer palavrões aqui, mas, ao mesmo tempo, também não se pode criticar de qualquer forma que possa ‘magoar’ ou ‘pôr em perigo’… Vou buscar a folha. Há muitas linhas, sabes? É por isso que é melhor não falar sobre isso – podemos meter-nos em sarilhos, e acho que ninguém quer isso.”
FOTO MPSA/Phillippe Nanchino
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Daniel Sousa
21 Abril, 2025 at 13:49
Exemplar. Não cometeu nenhuma ilegalidade na entrevista. Já na corrida… cometeu!
Lagafe
21 Abril, 2025 at 22:29
De que tem medo Max?
Tem é de ter coragem e lutar contra regras estúpidas, se for multado qual é o problema? Não lhe falta pilim.
Nrpm
22 Abril, 2025 at 0:43
Enquanto o Max style só for penalizado com 5s, vai continuar a fazer este número e agora a entrar em blackout. Se passar a pagar 15s ou 20s, a doer, aí já vai desatar a língua.
É um piloto nato, mas um mau desportista.
Daniel Sousa
22 Abril, 2025 at 3:48
Repare, o que está a dizer é que um piloto nato não pode ser desportista.
Não percebo isso do piloto nato. Isso existe? É aquele porco feio e mau? É como aqueles homens que vão pela rua a escarrar porque os homens escarram?
Porque é que os pilotos natos, do momento atual, não são homens com bom desenvolvimento ético e que sabem respeitar o adversário e tentam ser melhor com a faca nos dentes mas sabendo dos seus limites?
O Hamilton, Leclerc, Russel, Piastri e até Norris não são pilotos natos? Têm que ser agressivos, intimidatorios, e “só ver a vitória”(que clichê) para serem pilotos natos? Nao, não tem. A civilização avançou, a ética avançou, o desportivismo avançou, a formação das pessoas enquanto pessoas avançou. Não vivemos todos a pensar mais no próximo, a reciclar o lixo e a ensinar coisas éticas e evoluídas as nossas crianças?
O Verstappen não é um piloto nato. Quanto muito é um piloto nato à moda antiga. Hoje é só um idiota a comportar-se mesmo. E o Horner, Marko e talvez o seu pai, provavelmente são iguais.
Nrpm
22 Abril, 2025 at 11:27
Percebeu mal o termo…
Não sou adepto do MV.
Acho que é um grande piloto mas não um grande homem, um grande desportista (penso o mesmo de M Schumacher).
Têm genética agressiva, quase delinquente.
Foi criado pelo pai para competir desenfreadamente e sem regras – o Jos também tem poucas e más – e actualmente está rodeado de egos pouco acertados e sem princípios.
É um piloto nato, sem formatação e formação socio-desportiva. Não chega, claro. Acha que ele faz tudo certo e os outros tudo errado.
A isso chama-se narcisismo.
E ética, nem tem ele MV, nem a RBR.
Daniel Sousa
22 Abril, 2025 at 13:33
Concordo absolutamente!
Ricfil
22 Abril, 2025 at 19:08
Chega a ser absurda esta arrogância do menino mimado. Só faz Scheibe e ainda se acha dono da razão… Aquela entrevista (ou tentativa de) no final da corrida… (face palm/cringe e todas as palavras associadas que consigam encontrar).
Conforme já aqui disseram, só quando ele começar a ser penalizado com 20 segundos de penalização e/ou a ser banido das corridas e que vai acertar o passo e perceber que o desporto que lhe paga milhões não é um concurso de carrinhos de choque.