Ainda não há muito tempo, Flavio Briatore revelou ser de opinião que um dos problemas da Ferrari, que não tem conseguido reunir equipas técnicas que coloquem os seus carros na luta pelas vitórias passa pelo facto de estar sediada em Itália e não em Inglaterra: “Eu colocaria um belo edifício entre a Red Bull, McLaren e a Williams” disse Briatore. Agora, Piero Ferrari, o único filho vivo do fundador da Ferrari, Enzo Ferrari, alinhou-se com o presidente Sergio Marchionne ao insistir que a equipa deve permanecer completamente italiana:
“Nunca é fácil gerir uma equipa que tem mais de 1000 funcionários, há sempre problemas de organização, mas agora estamos na direção certa”. Nos anos 80, a Ferrari teve uma base em Inglaterra, liderada por John Barnard, mas Piero Ferrari explica porque foi um erro: “Sabem o que continua a ser o meu maior arrependimento? Foi convencer o meu pai que precisávamos de um grande designer do exterior. Barnard nunca interagiu connosco e com a nossa cultura, e isso foi um erro enorme. É por isso que concordo com Marchionne, podemos regressar às vitórias ao mesmo tempo que somos consistentes com a tradição da Ferrari” disse.
A Ferrari esteve muito tempo sem ganhar, mas tudo mudou desde 1996. Até 2004 os sucessos regressaram à escuderia em força, mas desde a saída do alemão, o título de Kimi Raikkonen em 2007 já foi muito sofrido, o trabalho com Fernando Alonso não andou longe de ser bem sucedido, mas desde o momento em que a Scuderia entrou numa espiral negativa ainda no tempo do espanhol, nem com a entrada de Sebastian Vettel em 2015 as coisas mudaram, agravando-se imenso este ano.
Recordando novamente Flavio Briatore, que insiste que a Ferrari deveria ter um centro tecnológico em Inglaterra, o italiano explica porquê: “Já o digo há muito tempo, a Ferrari sempre foi um grande construtor, e por isso devia ter um centro tecnológico em Inglaterra. Para vencerem, levaram-me 12 engenheiros da Renault, e isso prova que construí um bom ‘edifício’ entre a Red Bull, McLaren e Williams,” disse Briatore, referindo-se a Enstone, que agora é da francesa Renault.
O que o italiano quer dizer é que não é tão fácil para a Ferrari ir buscar bons elementos, pois a grande maioria para aceitar ir para Itália, Maranello, tem que receber um cheque enorme, que justifique claramente a mudança de país. Imagine isto multiplicado pela quantidade de gente que é necessária. Veja-se a quantidade de equipas que estão sediadas em Inglaterra, Mercedes, Red Bull, Williams, Force India, McLaren, Manor, Renault (divide-se entre França e Enstone) e Haas. Só a Sauber (Hinwill, Suíça), Toro Rosso (Faenza, Itália). Logicamente, há bons engenheiros em Itália, mas é lógico que havendo oito equipas em Inglaterra é muito maior a diversidade da escolha. Quer um exemplo? A Ferrari não conseguiu levar Adrian Newey de todas as vezes que tentou e o problema nunca foi o dinheiro…










