F1: Os erros da Ferrari em Barcelona

Por a 16 Maio 2019 15:34

A Ferrari tem vindo a ser copiosamente derrotada ao longo de toda a temporada pela Mercedes, mas no Grande Prémio de Espanha sofreu o mais pesado fracasso do ano e em todas as frentes.

Há apenas dois meses, a ‘Scuderia’ deixou o circuito onde se disputou a prova espanhola como a principal candidata às vitórias, mas no passado fim-de-semana foi completamente trucidada pela Mercedes e nem sequer conseguiu bater a Red Bull na luta pelo degrau mais baixo do pódio.
A formação de Maranello apostou forte para a prova de Barcelona, apresentando uma nova evolução da sua unidade de potência, para além de alguns novéis componentes aerodinâmicos, que passavam por uma atualização do conceito da asa dianteira estreado em Baku e um novo capot-motor.

Contudo, a Ferrari foi completamente suplantada pela sua rival de Brackley, que com um completíssimo novo pacote aerodinâmico, permitiu que Valtteri Bottas, o autor da pole-position, desses oito décimos de segundo ao melhor dos monolugares de Maranello durante a qualificação, Sebastian Vettel.

Em corrida, a diferença diminuiu, mas ainda assim os homens dos “Flechas de Prata”, tinham uma vantagem confortável para os pilotos da “Scuderia”.
A preocupação deverá ser o sentimento dominante nos próximos dias em Maranello, uma vez que, apesar de as evoluções que a equipa levou para Barcelona terem funcionado, a Ferrari passou de dominadora nos testes de Inverno a humilhada no Grande Prémio de Espanha.

“As evoluções que trouxemos para Barcelona, tanto no que diz respeito a aerodinâmica como a motor, funcionaram bem e estamos muito satisfeitos com elas, mas mostraram ser insuficientes. Agora temos de analisar e perceber o que não funcionou. E penso que não temos uma resposta precisa para o que aconteceu hoje. Sabemos que temos muito a fazer e que temos de melhorar. Isso ficou claro este fim-de-semana, mas não vamos perder a motivação. A atitude na equipa é ainda boa e existe um forte desejo para fazer melhor, portanto, agora, temos de responder com acções”, afirmou Mattia Binotto no final da corrida.

Se no campo da performance a Ferrari foi trucidada, também na estratégia ficaram algumas questões quanto à capacidade de reação dos homens de Maranello. No início, com um pneu danificado pela travagem para a primeira curva, Sebastian Vettel ficou durante onze voltas à frente de Charles Leclerc, que era notoriamente mais rápido. Só na décima primeira volta o alemão foi informado de que deveria deixar passar o seu colega de equipa.

Mais tarde, depois da primeira ronda de troca de pneus, e tendo colocado o monegasco em uma estratégia de uma paragem apoiada pelo uso de borrachas duras, deixou o seu novo recruta durante quase dez voltas à frente do alemão, que estava numa tática de duas paragens e mais rápido, graças à utilização de pneumáticos macios, até que tivesse ordenado a troca de posições.

O longo tempo que a Ferrari levou tomar ambas as decisões acabaram por atrasar os seus pilotos, que viram a possibilidade de ficaram com o terceiro lugar de Verstappen ficar mais distante.

No entanto, Binotto considera dificilmente o processo de decisão poderia ser mais acelerado. “Deveríamos ter trocado posições mais cedo? Nunca é uma decisão fácil. Mas, como equipa, mostrámos desde o início da temporada que estamos a tentar otimizar o nosso resultado no final.
Trocámos posições no passado, tentámos novamente (n.d.r.: em Espanha), especialmente por que estavam em estratégias distintas naquele momento.
Deveríamos tê-lo feito mais cedo? Quando o fazemos, temos de garantir que o piloto de trás tem espaço suficiente, caso contrário, estamos a alterar as posições sem qualquer resultado. Pode levar algumas voltas para que possamos avaliar tudo isto”, apontou o chefe de equipa que acrescentou: “O Charles estava a lutar pelo terceiro lugar com o Verstappen, dado que ele estava numa estratégia diferente, com os pneus duros e uma paragem só. Esperámos simplesmente pelo momento certo e não estou seguro de que o faríamos mais cedo”.

Para completar o mau fim-de-semana da Ferrari, nem as trocas de pneus, onde a “Scuderia” é uma das mais fortes, correram bem, tendo prejudicado ambos os seus pilotos na primeira ronda de paragens nas boxes.

A equipa de Maranello tem muito que analisar e perceber nos próximos dias…

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puzzle
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puzzle

Meio mundo estrebucha pelo facto de a F1 não necessitar da Ferrari mas o contrário… vale o que vale… mas o que é certo é que toda a gente fala dos porquês da Ferrari ter os problemas que tem tido! Preocupação?… “não creio” a menos que seja não haja nada para falar de qualquer outra equipa ou da competição em geral e se foquem só e só no que se passa em Maranello. Párem lá com isso de vez ou preocupem-se em saber o porquê duma evolução tão acentuada da equipa inglesa, isso sim, fariam melhor figura e todos nos… Ler mais »

js1970
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js1970

A acentuada evolução da equipa inglesa como menciona tem a ver com fatores que são do conhecimento geral. Enquanto uns se preocupam em “apresentar” tempos nos testes de inverno, outros preocupam-se em tirar o máximo de informações nesses mesmos testes para fazer evoluir o carro de maneira que o mesmo esteja pronto quando as coisas forem para valer. E nisso a Mercedes tem estado irrepreensível. A isto se chama fazer o “trabalho de casa” como dever ser, o resto são as vossas habituais teorias de conspiração!

puzzle
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puzzle

Não entendeu, eu volto a explicar; eu não estou a dizer que a equipa inglesa não faz o trabalho de casa! Só questiono é o facto de quando a Ferrari apresenta uma solução (e que dá resultados), publicam-se documentos a vários niveis para “meio mundo” ficar a saber como tudo funciona!… e com estes e mesmo com a RB ninguém pactua com isso! Quanto ao resto é a conversa do costume, não se liga! Até pq quando as coisas derem a volta (sería bom rápidamente) vai “tudo” duvidar – isso sim conspiração – qt ao “vosso” trabalho de casa, sabe-se… Ler mais »

Mobutu
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Mobutu

Maria Binotto perde-se um excelente engenheiro e ganha-se um péssimo diretor ! Mais não digo !

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