
A Mercedes está em dificuldades, não porque tenha problemas de performance com o W12, que continua a ser muito competitivo face ao Red Bull RB16B Honda, mas antes devido à falta de fiabilidade da sua unidade de potência, o que poderá ter um impacto decisivo na luta pelo título deste ano.
Até à pausa de verão, os V6 turbo híbridos da marca de Estugarda não apresentaram problemas de maior, mas desde então, as falhas têm vindo a ser recorrentes.
Em Spa-Francorchamps tanto Lewis Hamilton como Valtteri Bottas montaram nos seus respectivos carros a terceira unidade de potência do ano e, muito embora tivessem ainda onze Grandes Prémios pela frente, a equipa esperava poder fazer uma gestão, com os motores já usados, para que pudesse concluir a temporada sem recorrer a uma quarta.
Mas desde então, o finlandês já montou mais duas unidades de potência – Monza e Sochi – e um novo motor de combustão interna, em Austin, ao passo que Hamilton teve de recorrer a um novo bloco na Turquia – isto sem sequer levarmos em consideração as equipas servidas pela Mercedes, todas elas também já com penalizações por terem ultrapassado máximo de unidades de potência que cada um dos seus pilotos têm alocado.
Como seria de esperar, os homens da marca de Estugarda fecham-se em copas quanto à origem da falta de fiabilidade e pouco se conhece sobre o que se passa com as unidades de potência concebidas e construídas em Brixworth.
Sabe-se que a Mercedes introduziu um novo material na construção dos blocos V6 e é do domínio comum que são os motores de combustão interna que são a fonte dos problemas, dado ser este componente que a equipa tem vindo sempre a trocar.
Para além disso, quando ficou claro que a Red Bull iria continuar a desenvolver o seu monolugar deste ano, estando pronta para sacrificar o seu carro de 2022, Toto Wolff afirmou que o W12 não teria mais evoluções após o pacote que foi introduzido em Silverstone, mas que tentaria aumentar a performance das suas unidades de potência para contrariar qualquer ascendente da sua rival.
Ora, como é do conhecimento de todos, o desenvolvimento dos V6 turbo híbridos está estagnado durante o decorrer da temporada, uma medida de contenção de custos devido à crise criada pela pandemia, e qualquer ganho de performance nesta área terá de ser feito à custa de fiabilidade.
Este poderá ser o caso pelo qual a Mercedes poderá estar a passar presentemente – na tentativa de acompanhar o ritmo de desenvolvimento da Red Bull, está a levar as suas unidades de potência ao limite, gerando problemas de fiabilidade.
Com Lewis Hamilton na luta pelo título de pilotos, agora a doze pontos de Max Verstappen, este é um factor que pode ser decisivo, mas Mercedes não está parada e procura de uma solução para o problema.
Apesar de o desenvolvimento estar congelado, os construtores de unidades de potência podem introduzir alterações para resolver questões de fiabilidade e em Brixworth trabalha-se para que uma solução seja encontrada.
A quase contínua troca de unidades de potência no carro de Bottas deixa no ar a ideia de que a Mercedes está a montar no carro do finlandês soluções que possam conter o problema, tornando-o numa espécie “ratinho de laboratório” para que, quando for encontrada uma medida que resolva as questões de fiabilidade esta possa ser passada também para o carro de Hamilton sem que este ande a comutar V6 turbo híbridos sem que a situação esteja estabilizada.
Seja como for, parece inevitável que o inglês monte um quinto motor de combustão interna no seu monolugar, resta saber se o fará por ter problemas na sua unidade ou por ter sido encontrada uma solução para a questão que preocupa os responsáveis da Mercedes.
Porém, uma falha em corrida seria catastrófica para as aspirações de Hamilton – abandonaria e no Grande Prémio seguinte teria de sofrer uma penalização – que, com doze pontos de desvantagem para Verstappen, poderia entregar definitivamente o título ao seu rival.










