A entrevista de Mattia Binotto ao Podcast F1 tem pano para mangas, com várias coisas interessantes que têm vindo a ser conhecidas nos últimos dias. A última, é que uma ‘saída’ de La Palisse: “Eu sei que o meu tempo não é infinito” disse o italiano, ciente que será uma das cabeças a rolar se não houver este ano uma recuperação forte da equipa. Mas será que tem mesmo de ser assim?
Depois de um ano de 2020 muito difícil, Chefe da Scuderia Ferrari, Mattia Binotto, assegura ter plena confiança e total apoio do presidente da Ferrari, John Elkann bem como do vice-presidente Piero Ferrari, mas pelo meio admite também que a sua ‘latitude’ é muito pequena e sabe que a Ferrari têm de melhorar muito rapidamente. Recorde-se que Mattia Binotto assumiu o lugar de Maurizio Arrivabene em 2019, num ano em que a Ferrari terminou em segundo lugar no campeonato de construtores, atrás da Mercedes.
Mas logo de seguida, nos testes de inverno para a temporada de 2020 se percebeu que a Ferrari estava com grandes problemas.
O ano de 2019 foi marcado por muita polémica a envolver a mecânica dos Ferrari com ‘educadas’ acusações dos adversários e a FIA a meter-se ao barulho para assegurar que tudo estava bem. Contudo, antes do campeonato de 2020 se iniciar, antes de Melbourne e da pandemia, um e-mail levantou fervura no paddock. A FIA anunciava que após profunda investigação técnica, concluiu a sua análise do funcionamento da unidade de potencia da Scuderia Ferrari e chegou a um acordo com a equipa. Ter revelado que os detalhes desse acordo se iriam manter entre as partes redundou numa enorme guerra, que não vale a pena recordar agora, mas que culminou com um ano de 2020 muito mau para a Ferrari
O que a todos parece, e que ninguém, ou muito poucos, sabem, é que sem o ‘truque’ que a Ferrari descobriu em 2019 no seu motor (e que perdeu no meio do acordo com a FIA) terminou com um sexto sexto lugar em 2020. Não é muito difícil que perceber que o acordo foi de ‘cavalheiros’, daqueles em que todos tentam limpar a face o mais possível…
Apesar do fraco desempenho, Binotto continua no comando da Ferrari, com a Scuderia a favorecer atualmente a estabilidade e a reorganização em vez de ‘empunhar’ o machado: “Não há mudanças nos nossos planos, não há mudanças no que é o nosso futuro”, disse Binotto. “Sei que o meu tempo não é infinito, certamente”. Estou bastante consciente do facto de que, como equipa, precisamos de nos sair bem, e eu, bem como o responsável principal, de nos sairmos bem nas próximas épocas”, disse Binotto, a quem a maioria dos observadores culpa pelo momento da Ferrari, o que pode ser injusto, porque custa-nos muito a admitir que a Ferrari se tenha metido numa embrulhada daquelas sem o beneplácito de figuras acima de Binotto. É porque se Binotto tivesse agido sozinho, certamente já estaria na rua…
Portanto, o ano de 2020 foi passado na luta do meio pelotão, às vezes nem isso, e como se calcula isso foi muito duro de suportar na Ferrari:
“No geral, foi uma temporada muito intensa, densa, difícil em muitos aspetos, onde o nosso desempenho foi inadequado. Acabar em sexto nos construtores é muito mau, desde 1980 que não acontecia. Mas é uma época em que penso que investimos muito no futuro. Estamos a tentar criar as bases sólidas necessárias para nos tornarmos muito competitivos e, esperemos abrir um novo ciclo para o futuro”, disse Binotto, cuja equipa que lidera pode estar já a olhar muito mais para 2022 do que esta época que arranca dentro de cerca de um mês…











