F1: Lewis Hamilton reencontra o sorriso na Ferrari e relança carreira em 2026
David Tremayne analisou muito bem no F1.com, a forma como Lewis Hamilton ‘renasceu’ esta época, transformando-se significativamente.
Quem seguiu o piloto inglês no ano passado notava a forma ‘tristonha’ como se apresentava regularmente, mas este ano entrou em 2026 como um piloto transformado: “Essa pessoa desapareceu, por isso não a voltarão a ver”, avisou de forma contundente na conferência de imprensa do GP da Austrália, já com outra postura e outro brilho no olhar.
O primeiro pódio com a Scuderia, alcançado em Xangai, simbolizou esse renascimento competitivo e emocional do sete vezes campeão mundial.
Depois de erros estratégicos da Ferrari na Austrália e na China, que permitiram duas dobradinhas à Mercedes, Hamilton respondeu em pista com uma exibição ao nível dos seus melhores dias, liderando, lutando roda a roda e voltando a ser o ponto focal da equipa. Numa corrida disputada no Dia da Mãe, com a presença da mãe, Carmen, o britânico celebrou um resultado há muito desejado: “Foi uma das corridas de que mais gostei em anos, com lutas duras mas justas, especialmente com o Charles. Ainda temos trabalho a fazer, mas estamos no caminho certo.”
Inverno decisivo e mudança de mentalidade
David Tremayne, jornalista do Hall of Fame da F1, sublinha que a viragem de Hamilton começou muito antes da primeira luz verde de 2026. O britânico descreveu o inverno como um período “muito positivo”, no qual se rodeou das pessoas certas e trabalhou sobretudo o lado mental, depois de ter tocado no “fundo do poço” ao ponto de se considerar “absolutamente inútil” e sugerir que a Ferrari “talvez precisasse de mudar de piloto”.
“Não é o meu primeiro rodeo”, refletiu, explicando como aprendeu a “virar o chip” quando se encontra num estado de desânimo profundo. Falou em “cultivar uma atitude mental positiva” e em treinos físicos muito intensos que arrancaram, como é hábito, no dia de Natal, convencido de que “trabalhou mais do que qualquer um à sua volta”. Mais do que recuperar a confiança, Hamilton descreve este processo como um “reboot” de si próprio, uma forma de mandar embora “aquele tipo de olhar vazio” que se vira em 2025.
Quando o estilo de condução não casa com o carro
A análise de Tremayne vai além da narrativa emocional e entra no domínio técnico, para explicar por que razão 2025 foi tão difícil para Hamilton. Os monolugares de efeito de solo exigiam ser “maltratados” para renderem ao máximo, enquanto o britânico sempre privilegiou carros que respondem à finesse, à travagem e entrada em curva simultâneas e a um equilíbrio que alimenta a sua memória muscular.
Em 2025, Hamilton teve de lidar com um Ferrari nervoso, equipado com travões totalmente Brembo, ao contrário da combinação Brembo/Carbon Industrie a que estava habituado, e com um motor V6 turbo‑híbrido de entrega menos linear do que as unidades Mercedes que guiara desde 2014. A travagem de motor agressiva comprometia o equilíbrio do carro, criando um “perfeito vendaval” técnico, ao qual Charles Leclerc se adaptou melhor. Emanuele Pirro, cinco vezes vencedor em Le Mans, chegou a dizer que preferia vê‑lo “mais criticamente construtivo” com o carro, em vez de tão duro consigo próprio.
SF-26, experiência técnica e nova relação com a Ferrari
Tudo mudou com o SF‑26 e o novo regulamento. Ao contrário de 2025, em que “lhe deram simplesmente um carro para conduzir”, Hamilton teve influência direta no desenvolvimento do monolugar desta temporada, capitalizando a vasta experiência técnica que a Ferrari sempre esperou tirar partido. Os sinais são claros: melhor comportamento com pneus macios em qualificação e nas arrancadas, ritmo sólido com compostos mais duros em corrida e um piloto que, finalmente, sente que o carro reage como gosta.
Fred Vasseur, chefe de equipa, relativizou as autocríticas do britânico. “Não preciso de o motivar; ele está frustrado, mas não desmotivado. Talvez todos tenhamos subestimado o tempo que levaria a acertar o entrosamento”, comentou, recordando que conhece Hamilton desde os tempos do GP2. “Claro que é exigente, mas sobretudo consigo próprio, com o carro e com a equipa – é uma grande parte do que o tornou um campeão excecional e da razão pela qual o contratamos.”
FOTO MPSA Agency
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