“Fiz tudo à minha maneira…” Kimi Raikkonen vai abandonar a Fórmula 1 no fim deste ano, e como é seu apanágio, não tem “quaisquer arrependimentos…”.
Depois de se ter estreado pela Sauber no Grande Prémio da Austrália de 2001, Raikkonen já disputou 18 épocas e meia na F1, venceu 21 vezes e foi Campeão do Mundo em 2007 com a Ferrari.
Questionado já em Zandvoort, qual foi ao longo do tempo a sua maior força como piloto, Raikkonen foi igual a si próprio: “Eu não sei se tenho alguma força…”
“Fiz boas corridas, estou feliz com o que consegui”, prosseguiu. “Obviamente todos querem ganhar e não é fácil ganhar. Eu queria ganhar mais campeonatos, aproximei-me várias vezes, consegui ganhá-lo com a Ferrari, fiquei muito feliz que isso tenha acontecido, especialmente com eles. Mas o resto, com forças ou sem forças, não me interessa. Diverti-me, e fi-lo à minha maneira, e não mudaria uma única coisa, mesmo que pudesse, porque senão talvez não estivéssemos aqui hoje sentados, se tivesse mudado alguma coisa pelo caminho. Não tenho queixas, não posso realmente queixar-me de nada”.
Raikkonen tem estado sempre aberto à prossecução de outros interesses fora da Fórmula 1, tendo o finlandês competido na NASCAR e no WRC ao longo dos anos, bem como apoiado a sua própria equipa profissional de motocross. Questionado se tinha alguma ideia do que irá ser o seu futuro após a sua ‘reforma’ da F1, voltou a ser ele próprio: “Não há planos. Não quero ter algum calendário, porque obviamente os últimos 18, 19 anos na F1, desde que comecei, fiz ralis nesses dois anos [longe da F1 em 2010 e 2011] houve sempre um calendário, sempre o que vem a seguir e qual é esta data e aquela data. Por isso, não quero mais isso”.
“Essa é certamente uma das grandes razões pelas quais eu também quero fazer outras coisas”, acrescentou Raikkonen. “Obviamente há outros horários: família, as escolas, jardins de infância das crianças, e essas coisas.
Mas não quero que a vida familiar seja ditada por quando é a próxima corrida, ou teste, ou voo, ou o próximo trabalho. Não estou com pressa, e nem sequer pensei nisso.
“Obviamente que conheço esta situação há já bastante tempo, por isso há sempre obviamente oportunidades para fazer isto ou aquilo, mas neste momento nem sequer estou interessado em pensar nisso”.
Entretanto, convidado a refletir sobre a favorita das suas 21 vitórias na F1, Raikkonen admite que o seu primeiro triunfo com a McLaren, no Grande Prémio da Malásia de 2003, tem um lugar especial nos seus afectos.
“Obviamente cada vitória é diferente”, disse Raikkonen. “Algumas vieram mais facilmente do que outras. Houve algumas mais importantes do que outras, em 2007, claramente, especialmente no final do ano, foram mais importantes. Mas algo como algumas vitórias em Spa, onde não tínhamos velocidade no carro, ou o Japão [em 2005]. Mas são todas boas porque temos sempre de lutar por elas, por isso não diria que há uma que é muito mais especial do que as outras. Ganhar a primeira é sempre difícil, e é um pouco diferente das outras”, disse.
“Se terei saudades das corridas? Não sei. Já o fiz durante tanto tempo, que duvido que vá ter muitas saudades”.
Kimi Raikkonen, igual a ele próprio…










