F1: Hamilton, o mais rápido do Shakedown de Barcelona, mas os tempos (para já) interessam pouco

Por a 31 Janeiro 2026 12:10

Lewis Hamilton terminou o Shakedown de Fórmula 1 em Barcelona no topo da folha de tempos, assinando a melhor marca da semana numa sessão em que a Mercedes voltou a afirmar‑se como referência inicial da nova era de monolugares e unidades motrizes de 2026. O britânico liderou um top 4 que juntou ainda George Russell, Lando Norris e Charles Leclerc, todos em 1m16s, num teste marcado por fortes disparidades de quilometragem entre equipas e por programas de trabalho muito distintos.

Mercedes: referência nos tempos e na quilometragem

A Mercedes encerrou a semana com 500 em Barcelona, mais de 2300 quilómetros percorridos, deixando a sensação de ter sido a equipa mais bem preparada deste primeiro teste de 2026.

​No plano dos tempos puros, Hamilton estabeleceu a melhor volta em 1m16,348s, ligeiramente à frente de Russell, que registou 1m16,445s, confirmando o duplo domínio da Mercedes na tabela final.

A Ferrari foi apontada como a “surpresa silenciosa” do teste, começando de forma discreta mas produtiva, antes de saltar para o topo dos tempos no final da semana graças a um turno muito forte de Hamilton ao volante do SF‑26.

O piloto britânico e Charles Leclerc colocaram o Ferrari no grupo da frente: Leclerc terminou com 1m16,653s, muito próximo de Norris e dos Mercedes, enquanto a Scuderia encerrou o teste com 439 voltas e 2044,42 quilómetros, reduzindo de forma significativa a diferença para a Mercedes em quilometragem total.

McLaren e Red Bull: bons tempos, programas menos fluidos

A McLaren fechou o Shakedown com um balanço misto: boas indicações de performance em volta rápida, mas um programa de pista menos produtivo do que o desejado devido a problemas iniciais. Lando Norris foi o terceiro mais rápido da semana com 1m16,594s, enquanto Oscar Piastri também entrou na metade superior da tabela com 1m17,446s, colocando o MCL40 em destaque na folha de tempos.

A Red Bull também viveu um teste irregular, marcado por um forte contratempo a meio da semana. Isack Hadjar sofreu um despiste na segunda curva na segunda‑feira, batendo de traseira nas barreiras e obrigando a equipa a interromper o programa até sexta‑feira, depois de fazer voar peças de substituição a partir de Milton Keynes.

​Mesmo assim, Max Verstappen conseguiu completar 118 voltas no último dia, assinando 1m17,586s, ainda a mais de um segundo do melhor tempo de Hamilton, num cenário em que a Red Bull estará, previsivelmente, longe de mostrar todo o seu potencial.

Revelações e destaques no pelotão intermédio

O pelotão intermédio apresentou sinais encorajadores, com Haas, Alpine e Racing Bulls a somarem quilometragens robustas e a colocarem pilotos no meio da tabela de tempos.

A Haas completou 386 voltas (1797,60 km), com Esteban Ocon e Ollie Bearman nos 1m18s (1m18,393s e 1m18,423s, respetivamente), e um “monstruoso” último dia de 190 voltas depois de ter provocado uma das bandeiras vermelhas da semana.

A Alpine realizou 349 voltas (1625,29 km), com Pierre Gasly a destacar‑se com 1m17,707s e Franco Colapinto em 1m19,15s, recuperando de uma interrupção que também gerou bandeira vermelha.

​A Racing Bulls fechou com 319 voltas (1485,58 km); Liam Lawson registou 1m18,84s, enquanto o único rookie do ano, Arvid Lindblad, marcou 1m19,42s e deixou boas indicações internas de velocidade e atitude de trabalho.

A Audi, por seu lado, terminou com 240 voltas e 1117,68 quilómetros, mas teve um teste marcado por problemas em todos os três dias em que rodou, causando duas bandeiras vermelhas e concentrando cerca de 60% da quilometragem total apenas na sexta‑feira. Nico Hulkenberg fez 1m19,870s e Gabriel Bortoleto 1m20,179s, numa fase ainda claramente inicial de desenvolvimento do projeto.

Novos motores: RBPT surpreende, Honda ainda com dados limitados

No capítulo dos motores, o novo programa Red Bull Ford Powertrains (RBPT) foi um dos pontos fortes da semana, surpreendendo positivamente equipas rivais. As unidades RBPT acumularam 622 voltas e 2896,65 quilómetros entre Red Bull e Racing Bulls, um valor “muito saudável” para um construtor estreante com apenas duas equipas, e com poucos problemas além de incidentes de pista como o despiste de Hadjar.

Max Verstappen considerou que a Red Bull “começou muito bem” com o novo motor, enquanto Tim Goss, diretor técnico da Racing Bulls, elogiou em particular a “fantástica” condução do conjunto motriz. Apesar disso, permanece a incógnita sobre a performance absoluta em modo de qualificação, que só deverá ser revelada em Bahrain.

Do lado da Honda, fornecedora exclusiva da Aston Martin, o volume de dados é ainda muito reduzido: apenas 65 voltas e 302,71 quilómetros registados, resultado da chegada extremamente tardia do AMR26 à pista, já na tarde de quinta‑feira. Lance Stroll fez apenas 1m46,404s num turno muito curto, enquanto Fernando Alonso, com 1m20,795s e 61 voltas na sexta‑feira, liderou praticamente sozinho a recolha de dados para a nova parceria.

A Cadillac, por seu lado, teve um arranque atribulado, com apenas 44 voltas no primeiro dia e múltiplos problemas a afetar a sessão de Sergio Perez. Valtteri Bottas descreveu a fase atual como “fase de resolução de problemas”, enquanto o chefe de equipa Graeme Lowdon afirmou estar “realmente satisfeito” com um teste. ​Os tempos refletem ainda este atraso: Bottas registou 1m20,920s e Perez 1m21,024s, muito longe dos melhores 1m16s, numa fase em que o foco passou por validação técnica e não por performance.

Leitura dos tempos: cautela antes do Bahrein

A tabela de melhores voltas da semana resume a hierarquia provisória do Shakedown: Hamilton (1m16,348s) na frente de Russell, Norris e Leclerc, seguidos por Antonelli, Piastri e Verstappen, com Gasly a fechar o lote de pilotos abaixo de 1m18s. A meio do pelotão surgem Ocon, Bearman, Lawson, Colapinto e Lindblad, enquanto Alonso, Bottas, Perez e Stroll ocupam as últimas posições da tabela de tempos, em grande parte devido a limitações de rodagem em pista ou fases de projeto ainda muito iniciais.

Ainda assim, os próprios intervenientes sublinham que, com diferenças de programas, cargas de combustível, mapas de motor e pneus, estes tempos servem mais como indicação de preparação e correlação do que como hierarquia definitiva. A verdadeira ‘fotografia competitiva’ da nova era de 2026 só deverá começar a ganhar nitidez nos testes oficiais do Bahrein, onde as equipas terão mais liberdade para explorar performance pura.

FOTO Ferrari

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