F1, Cadillac usa shakedown de Barcelona para testar limites e consolidar bases
A estreia da Cadillac na Fórmula 1 em contexto de shakedown em Barcelona foi encarada internamente como uma fase de resolução de problemas e validação de sistemas, mais do que uma busca por performance imediata.
Valtteri Bottas e Sergio Pérez, ambos regressados à grelha após períodos fora da competição regular, lideraram o primeiro contacto alargado com o novo monolugar e a nova unidade motriz, acumulando quilometragem considerada útil no enquadramento de um projeto construído praticamente de raiz.
A equipa norte‑americana esteve em pista no primeiro dia, regressou na quinta‑feira e voltou a rodar na sexta‑feira, utilizando cada saída para detetar “areias na engrenagem” típicas de uma estrutura emergente, mas com uma leitura global de progresso consistente a cada run.
Programa de pista: Bottas e Pérez acumulam quilometragem
Valtteri Bottas abriu o programa da Cadillac em Barcelona, regressando ao volante após um ano como piloto de reserva da Mercedes. O finlandês descreveu o shakedown como uma “fase de resolução de problemas” para uma equipa que está a rodar o carro de forma plena pela primeira vez, sublinhando o valor da semana como marco no arranque do projeto. Bottas admitiu que “ainda há muitos problemas para resolver” e “uma montanha para escalar”, mas destacou que a estrutura está a “aproximar‑se passo a passo”, resolvendo questões a cada saída e tornando‑se “mais coesa” enquanto grupo de trabalho.
Na reta final da semana, Bottas voltou à pista e foi um dos primeiros a sair na sexta‑feira, dando sequência ao trabalho iniciado por Pérez no dia anterior. Apesar da experiência não ter sido isenta de contratempos, o finlandês reforçou o lado positivo de expor fragilidades nesta fase inicial, garantindo que a dupla de pilotos utilizará os próximos dias para capitalizar os dados recolhidos antes dos testes de pré‑época no Bahrein.
Pérez foca‑se em descobrir problemas e explorar afinações
Sergio Pérez assumiu o carro na quinta‑feira e confirmou que o objetivo do dia passou essencialmente por “encontrar problemas”, mais do que por registar tempos. O mexicano salientou que a equipa conseguiu “muita rodagem e muita informação”, reconhecendo que ainda surgem “algumas questões” em pista, mas considerando isso “positivo” nesta fase do programa. Pérez explicou que o trabalho se centrou em começar a explorar o carro, as afinações e as direções técnicas a seguir, deixando a sensação de que o arranque está “bem encaminhado”, embora ainda distante de qualquer referência competitiva.
Em conjunto, Bottas e Pérez somaram pouco mais de 160 voltas ao longo da semana, um valor muito modesto face às estruturas estabelecidas, mas considerado encorajador no contexto de uma equipa inteiramente nova, com apenas alguns meses entre a confirmação da entrada e a primeira presença oficial em pista.
Desafios de um projeto de raiz
Como primeira equipa formada de raiz na Fórmula 1 em cerca de uma década, a Cadillac enfrentou em Barcelona o lado mais exigente de um arranque em condições regulamentares totalmente novas.
Graeme Lowdon, diretor de equipa, descreveu o balanço como “muito positivo”, sublinhando que a estrutura foi “resolvendo de forma gradual os pequenos problemas habituais de um carro totalmente novo”.
O responsável lembrou que este foi apenas o quarto dia em que a equipa pôde operar um F1 em pista, salientando que, diariamente, os procedimentos se tornaram “mais eficientes” e que as pessoas “trabalham muito bem em conjunto”, apesar de reconhecer que “ainda há muito trabalho pela frente”, em linha com o que acontece em todo o pelotão.
Do lado dos pilotos, a mensagem é convergente: Bottas falou explicitamente numa “montanha a escalar” e num processo em que cada run permite resolver um conjunto de questões, enquanto Pérez admitiu que o dia foi marcado por “mais problemas do que surpresas”, com dificuldades no motor, no carro e na eletrónica. Ainda assim, o mexicano considerou “positivo” que estas situações se verifiquem agora, sublinhando que a prioridade é estabilizar a base técnica antes do arranque do Mundial.
Limitações de rodagem e incógnitas de performance
A Cadillac não rodou em todos os dias de pista disponíveis, tendo optado por concentrar o programa no arranque e no fecho da semana, o que limitou naturalmente o volume global de quilometragem face às equipas estabelecidas.
A combinação entre problemas mecânicos e eletrónicos, gestão de peças e estratégia conservadora de utilização de recursos contribuiu para manter o número de voltas abaixo dos patamares de Mercedes, Ferrari ou Red Bull, que ultrapassaram largamente a barreira das 400 voltas.
A performance absoluta do novo monolugar permanece, por isso, uma incógnita, com observadores a colocarem, por agora, a formação norte‑americana na cauda da grelha em termos de potencial imediato.
Ainda assim, a capacidade de colocar um carro em pista e completar mais de 160 voltas num contexto de regulamentos profundamente alterados, com chassis e arquitetura híbrida completamente novos, foi apontada por vários analistas como um sinal da solidez estrutural mínima necessária para enfrentar a temporada de estreia.
A própria Fórmula 1 salientou o caráter histórico do projeto, lembrando que se trata do primeiro “start‑up” de raiz desde a entrada da Haas em 2016.
Perspetivas para o Bahrein e para a época de estreia
Com o shakedown de Barcelona concluído, o foco da Cadillac desloca‑se agora para os testes de pré‑temporada no Bahrein, que representarão o primeiro verdadeiro exame em condições de pista e temperatura mais próximas das corridas. Lowdon diz acreditar que a equipa chegará ao Médio Oriente com um “sentimento muito positivo”, assente na melhoria diária dos processos internos e na consolidação de uma base de trabalho comum entre engenheiros, mecânicos e pilotos.
O grande desafio passará por transformar a experiência de Barcelona — marcada por problemas espalhados pelo motor, chassis e eletrónica, mas também por ganhos claros em entendimento do carro — num pacote mais estável e previsível ao longo de stints prolongados. Bottas e Pérez terão um papel central neste processo, usando a experiência acumulada para orientar a evolução de um projeto que, nesta fase, mede o sucesso mais pela capacidade de aprender depressa do que por qualquer referência cronométrica.
FOTO Cadillac F1 Team
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