F1, Aston Martin estreia AMR26: chegada tardia, teste essencial

Por a 1 Fevereiro 2026 14:20

A Aston Martin cumpriu uma estreia “apertada” mas simbólica em Barcelona, levando o novo AMR26 para a pista apenas na reta final do shakedown. O monolugar viajou de avião após um esforço logístico e técnico significativo na fábrica, chegando ao Circuit de Barcelona‑Catalunya apenas para rodar na quinta e sexta‑feira.

Lance Stroll foi o primeiro a conduzir o carro, numa sessão curta dedicada sobretudo à verificação de sistemas, enquanto Fernando Alonso assumiu o volante no último dia para aumentar a quilometragem e tentar mitigar parte do atraso acumulado face à concorrência.

Estreia do AMR26: novo ciclo técnico para a Aston Martin

O shakedown catalão marcou a estreia em pista do primeiro Aston Martin desenhado por Adrian Newey, agora Managing Technical Partner e diretor técnico da equipa.

O AMR26 representa também o início oficial da parceria de fábrica com a Honda, que passa a fornecer as unidades motrizes, e a adoção de uma nova caixa de velocidades e de uma suspensão próprias, componentes que até aqui eram herdados da Mercedes.

Internamente, a equipa sublinhou o peso simbólico deste conjunto de mudanças, entendendo Barcelona como o primeiro passo prático de um projeto que pretende afirmar a Aston Martin como construtor totalmente integrado.

Fernando Alonso descreveu como “muito especial” o momento de guiar um carro novo no arranque de um ciclo regulamentar, destacando que “tudo correu sem problemas” e que foi possível cumprir um “programa sólido, com boa quilometragem”, algo que considerou a prioridade nesta fase.

O espanhol elogiou o “esforço tremendo” de todos os departamentos para levar o AMR26 a tempo ao shakedown e admitiu que a presença de Newey na garagem foi um fator extra de motivação, com o britânico a acompanhar de perto o trabalho de mecânicos e engenheiros. Alonso lembrou, ainda assim, que “é muito cedo” e que há “muito trabalho por fazer” antes da estreia em Melbourne, em março.

Nova base mecânica, mesma abordagem faseada

Mike Krack, agora Chief Trackside Officer, destacou que pôr o AMR26 em pista foi “um momento muito positivo” e o resultado de um grande esforço tanto no AMR Technology Campus como na frente de pista. O responsável sublinhou que a equipa “ainda tem muito trabalho pela frente”, mas pode “respirar um pouco” por ter conseguido lançar o carro esta semana, agradecendo o contributo de todos os departamentos.

Krack reforçou que o shakedown serviu também para aprofundar a nova relação com a Honda, num processo de integração gradual que a equipa considera crucial para o sucesso a médio prazo. A construção da primeira caixa de velocidades própria “em muitos anos” e o facto de este ser o primeiro Aston Martin F1 assinado por Newey foram apontados como marcos adicionais deste novo capítulo técnico.

Programa em pista: Stroll abre caminho, Alonso consolida

Lance Stroll foi o encarregado de realizar as primeiras voltas do AMR26 na tarde de quinta‑feira, numa sessão comprimida pelo atraso na chegada do carro. O canadiano falou de um “dia longo” para mecânicos e restante equipa, elogiando o trabalho feito para colocar o monolugar em condições de rodar e sublinhando que “forçaram ao máximo” para cumprir esse objetivo. Stroll referiu que conseguiu completar “algumas voltas no final do dia” e que o carro “se sentia bem”, realçando que, com tantas novidades nos carros de 2026, o foco imediato é “aprender o máximo possível” e recolher dados para análise. O piloto mostrou‑se satisfeito por “começar finalmente a ganhar sensações” com o AMR26 e apontou já a próxima etapa: voltar ao volante no Bahrein.

Sexta‑feira: Alonso aumenta quilometragem e valida pacote

Na sexta‑feira, Fernando Alonso assumiu o programa de pista, incrementando a quilometragem do AMR26 e oferecendo feedback detalhado aos engenheiros sobre o comportamento do carro. O espanhol sublinhou que, com a experiência acumulada ao longo de várias mudanças regulamentares, ganha rapidamente “um sentido da direção que o carro está a tomar” e que, em Barcelona, a equipa conseguiu recolher informação relevante sobre a base do pacote. Alonso valorizou o facto de ter visto Stroll estrear o carro no dia anterior e de, no dia seguinte, poder ele próprio contribuir para o refinamento da afinação e da integração com a nova unidade motriz Honda.

Para o bicampeão, o balanço foi de “trabalho intenso, mas satisfatório”, ainda que com a advertência de que os verdadeiros indicadores só surgirão em contexto de testes completos e, mais tarde, em corrida.

Balanço e perspetivas: otimismo moderado antes do Bahrein

Apesar da rodagem limitada em comparação com as principais rivais, a leitura interna da Aston Martin após o shakedown de Barcelona é de otimismo moderado. A equipa reconhece que partiu em desvantagem em termos de quilometragem face a estruturas que cumpriram programas completos ao longo de vários dias, mas considera ter dado um passo decisivo ao validar sistemas, iniciar a colaboração operacional com a Honda e recolher dados sobre a nova caixa de velocidades, suspensão e filosofia aerodinâmica. O discurso de Alonso, Stroll e Krack converge na ideia de que o objetivo em Espanha foi alcançado: colocar o AMR26 em pista, garantir que a base técnica funciona e criar um ponto de partida tangível para o desenvolvimento.

A verdadeira avaliação do potencial do AMR26 e da nova parceria técnico‑desportiva só deverá começar a surgir nos testes de pré‑temporada no Bahrein, em condições mais representativas de corrida, com maior variedade de configurações e stints longos. Até lá, a Aston Martin vai concentrar‑se em analisar os dados recolhidos em Barcelona, afinar procedimentos com a Honda e consolidar a integração das novas soluções mecânicas e aerodinâmicas, na expectativa de chegar a Sakhir com um pacote mais maduro e pronto para enfrentar o primeiro grande exame da temporada de 2026.

FOTO Aston Martin

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