No início de 2009, no último teste de conjunto antes da corrida da Austrália, o Brawn BGP001 deixou toda a gente de boca aberta. Fernando Alonso foi o primeiro a afirmar que, “nem com um pingo só de gasolina no R29 poderíamos fazer os tempos que eles estão a fazer. Neste momento temos três ou quatro equipas à nossa frente e a Brawn é claramente uma delas.”
Dois dias mais tarde Felipe Massa alinhou pelo mesmo diapasão: “Nesta altura podemos competir com toda a gente menos com os Brawn. Os tempos dele em qualificação estão fora do nosso alcance. Se forem capazes de repetir este andamento na Austrália, não teremos meios de competir com eles.”
Com muita gente a questionar se os Brawn estariam a rodar abaixo do peso mínimo, Robert Kubica deixou bem clara a sua crença na validade do BGP001: “Noutras categorias pode haver quem faça isso. Mas estamos a falar de F1 e do Ross Brawn, por isso, excluo essa possibilidade.”
Quanto a Glock, resumiu o pensamento geral desta forma: “Até chegarmos aqui pensava que a temporada iria ser muito equilibrada. Mas agora temo que uma equipa tenha uma grande vantagem.” A resposta foi dada duas semanas depois e foi conclusiva: a equipa ganhou seis das primeiras sete corridas, e triunfou nos dois campeonatos, Jenson Button alcançou o seu único título na F1.
A verdade é que as mudanças de regulação na Fórmula 1 sempre constituíram uma oportunidade para as equipas darem um salto na grelha em termos competitivos. Acertar as novas regras, acertar no conceito correcto e inovações que outros ‘perderam’ e é possível alcançar uma vantagem sobre o resto do pelotão, mesmo que as restantes equipas evoluam muito durante a época.
A história da F1 está cheia de exemplos de tempos em que uma equipa se transformou em ganhadora, através de uma boa compreensão dos regulamentos e da produção de um monolugar forte desde o início.
O melhor exemplo é provavelmente mesmo a Brawn GP, em 2009, mas há outros casos, de que falamos aqui de forma resumida e mais tarde com artigos específicos.
A história de Jenson Button e Brawn a ganhar os campeonatos de pilotos e construtores de 2009 começou em finais de Novembro de 2007 quando Ross Brawn comprou a Honda após dois anos sabáticos ganhou tudo em 2009.
O Mercedes W05 (2014) é outro bom exemplo, pois quando em 2014, a Fórmula 1 passou pela maior mudança de motores da sua história, com a chegada das atuais unidades híbridas turbo V6 de 1,6 litros de potência a Mercedes foi claramente a equipa que se destacou e não só em 2014.
O McLaren-Mercedes MP4/13 (1998) é outro caso. A McLaren tinha recrutado o génio do design Adrian Newey da Williams e o resto é história.
Recuando no tempo, o Brabham-BMW BT52 (1983) converteu-se num carro ganhador quando a alteração relativamente tardia de uma regra levou ao génio do design Gordon Murray a ter de eliminar o carro de efeito de solo pretendido em 1983 e a apresentar um novíssimo. E acertou na mouche…
Por fim o Ferrari ‘Sharknose’ (1961) também fruto duma nova fórmula, cortando a capacidade normalmente aspirada do motor de um máximo de 2,5 litros para 1,5l, sendo a Ferrari quem melhor se preparou para os novos regulamentos.











