De Vettel a Verstappen: o drama histórico das decisões de título em Abu Dhabi
As finais históricas que marcaram a Fórmula 1 e o historial de Abu Dhabi como palco de consagrações e polémicas
Em Abu Dhabi escreveram‑se algumas das páginas mais intensas da história recente da Fórmula 1, com decisões de título cheias de tensão estratégica, drama em pista e consequências de longo prazo para as carreiras dos protagonistas.

2010: Vettel campeão contra todas as probabilidades
Em 2010, Yas Marina recebeu uma inédita luta a quatro pelo título, com Fernando Alonso a liderar o campeonato, seguido por Mark Webber, enquanto Sebastian Vettel chegava apenas em terceiro e Lewis Hamilton mantinha vivas esperanças, ainda que apenas matemáticas. A Ferrari entrou na corrida demasiado focada em marcar Mark Webber, considerada a principal ameaça, e chamou Fernando Alonso às boxes para cobrir o australiano quando este parou cedo.
A decisão colocou ambos atrás de Vitaly Petrov, no Renault, num “comboio” em que ultrapassar se revelou quase impossível. Alonso passou grande parte da prova preso atrás do russo, incapaz de recuperar posições suficientes. Vettel, em contraste, controlou a corrida na frente, venceu o Grande Prémio e somou os pontos necessários para ultrapassar todos os rivais na classificação, tornando‑se o mais jovem campeão mundial de sempre até então.

2014: Hamilton sela a nova era híbrida
Quatro anos depois, Abu Dhabi decidiu o primeiro título da era híbrida, num duelo direto entre os colegas da Mercedes. Lewis Hamilton chegou à prova com alguma vantagem sobre Nico Rosberg, mas a particularidade da corrida – pontuação a dobrar, regra aplicada apenas em 2014 – significava que um abandono podia inverter por completo o cenário.
Hamilton arrancou melhor, assumiu a liderança e geriu a prova, enquanto Rosberg começou a perder desempenho devido a problemas no sistema híbrido. Com perda de potência e dificuldades crescentes, o alemão caiu para fora dos lugares de pódio e, mesmo incentivado pela equipa a abandonar, decidiu levar o carro até ao fim. Hamilton venceu, conquistou o seu segundo título mundial e a controversa experiência dos “dobro de pontos” foi rapidamente abandonada.

2016: Rosberg resiste à pressão e despede‑se campeão
Em 2016, a Mercedes voltou a monopolizar a luta pelo título, mas com papéis invertidos. Nico Rosberg chegou a Abu Dhabi com uma margem que lhe permitia ser campeão terminando no pódio, mesmo que Hamilton vencesse.
O britânico adotou então uma estratégia agressiva em pista: liderou a corrida, mas deliberadamente abrandou o ritmo nas fases finais para tentar colocar Rosberg sob ataque de Sebastian Vettel e de outros adversários.
A Mercedes pediu repetidamente a Hamilton que aumentasse a velocidade, receando perder a vitória e o título, mas o piloto ignorou as ordens. Apesar da pressão constante, Rosberg manteve a segunda posição, garantiu os pontos necessários para conquistar o seu primeiro campeonato e surpreendeu o mundo poucos dias depois ao anunciar a retirada imediata da Fórmula 1, deixando Abu Dhabi como o palco da sua consagração e despedida.

2021: Verstappen campeão no limite do regulamento
A edição de 2021 ficou marcada como uma das finais mais polémicas da história, se não a mais polémica. Max Verstappen e Lewis Hamilton chegaram empatados em pontos, num cenário de “tudo ou nada”. Hamilton dominou a maior parte da corrida e parecia encaminhado para o oitavo título, até que um Safety Car tardio, após o acidente de Nicholas Latifi, reabriu todas as contas.
A direção de corrida decidiu permitir apenas que os carros entre Hamilton e Verstappen recuperassem a volta, relançando a corrida com uma única volta por disputar. Com pneus macios novos contra pneus duros usados de Hamilton, Verstappen atacou imediatamente após a relargada e concretizou a ultrapassagem decisiva, conquistando o seu primeiro título mundial. A gestão desse procedimento levou a uma forte controvérsia, a críticas à FIA e, mais tarde, à saída de Michael Masi do cargo de diretor de corrida. Este foi investigado pela FIA, que considerou a decisão um “erro humano”, afastando Masi.
2025: nova decisão em Yas Marina
A temporada de 2025 volta a ser decidida em Abu Dhabi, desta vez com uma luta a três entre Lando Norris, Max Verstappen e Oscar Piastri. Yas Marina é novamente o epicentro da decisão, pela quinta vez, consolidando a reputação do circuito como palco privilegiado para finais de campeonato intensas e muitas vezes imprevisíveis.
A permutação de pontos possibilita que qualquer um dos três possa chegar ao título mas com graus de probabilidades diferentes. Contudo, como bem sabemos, tudo pode acontecer numa corrida de F1, e para esta se tornar caótica e completamente imprevisível, não é preciso muito. Vamos ver o que nos traz esta decisão.
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