O Grande Prémio de Abu Dhabi foi o epílogo deste Mundial de Fórmula 1, numa temporada que teve 17 corridas em 23 fins de semana, no meio duma pandemia global. O Diretor Executivo da Fórmula 1, Ross Brawn, escreveu a sua habitual coluna:
Red Bull ganhou em ritmo puro
Foi ótimo ver Red Bull e Max Verstappen ganhar por mérito e o resultado pode dar-nos algum otimismo de que haverá grandes batalhas na frente no próximo ano, especialmente porque os carros não vão a mudar assim tanto. Este fim-de-semana em Abu Dhabi provou que a Fórmula 1 tem tudo a ver com margens curtas. Desta vez, a Mercedes esteve um pouco fora do ritmo e a Red Bull executou brilhantemente o seu fim-de-semana. O que é encorajador é que se pensarmos no início do ano, a Mercedes tinha uma grande vantagem, mas ao longo da época, a Red Bull foi conseguindo recuperar. O RB16 não funcionava bem de início, mas durante a temporada a Red Bull conseguiu resolver.
Grandes notícias para a McLaren
surgiu no domingo a notícia que a McLaren tem um novo investidor. Horas depois obteve o terceiro lugar no campeonato de construtores, o que mostra a tendência positiva da equipa. Lando Norris e Carlos Sainz têm sido uma parceria impressionante – e a sua velocidade e consistência ao longo do ano desempenharam um papel fundamental na ‘vitória’ da McLaren sobre a Racing Point e a Renault. A McLaren tem o motor Mercedes no próximo ano, o que vai ser emocionante de se ver. O futuro parece brilhante. Em termos do investimento que receberam, é um aval às políticas e iniciativas que pusemos em prática para nivelar o plantel.
A batalha de Hamilton
Lewis Hamilton não esteve bem em termos físicos este fim-de-semana, mas fez tudo o que estava ao seu alcance para estar apto a correr.
Hamilton admitiu que não estava “a 100%”, mas lutou e conseguiu subir a mais um pódio. Com o título ganho, ele poderia facilmente ter ficado de fora, pois já vimos como a Covid-19 pode bater com força, mas não é esse o seu estilo. Lewis mostrou a sua paixão pelo desporto ao fazer tudo o que conseguiu mesmo quando não estava bem, e fez um esforço impressionante para chegar ao pódio.
Uma série de despedidas
A grelha de 2021 terá um aspeto muito diferente, com vários pilotos prontos a abandonar o desporto enquanto outros trocam de equipa para iniciar um novo capítulo. Carlos Sainz terminou em alta antes da sua mudança da McLaren para Ferrari, o espanhol voltou a melhorar o seu jogo esta temporada, enquanto Daniel Ricciardo liderou a Renault com pontos e volta mais rápida da corrida, antes da sua mudança de McLaren.
Este foi mais um fim-de-semana de castigo para Sebastian Vettel, mas o projeto Aston Martin oferece-lhe a oportunidade de um novo recomeço após a época mais difícil da sua carreira. Kevin Magnussen e Romain Grosjean dizem adeus à F1, enquanto Sergio Pérez, Alex Albon e Daniil Kvyat têm de esperar para saber o seu destino…
A família F1 junta-se
Este foi um ano notável, com a pandemia de Covid-19 a tornar a vida um desafio para todos, em todo o mundo. É uma prova do engenho das muitas pessoas brilhantes que trabalham neste desporto, termos sido capazes de fazer um campeonato de 17 corridas. As regras têm sido duras – mas têm sido necessárias para que possamos correr. Realizámos cerca de 80.000 testes PCR, com menos de 100 resultados positivos – uma taxa de 0,11%. Esta é uma estatística impressionante e prova que o sistema da biosfera da F1, funcionou.
F1 2020: Uma época como nenhuma outra
Agora, desejo ao Chase (Carey) o melhor. Obrigado ao nosso CEO Chase Carey pelos últimos quatro anos. Como ‘outsider’ da F1, fez um trabalho notável de compreensão das complexidades e nuances do nosso desporto. Ele deu-nos uma nova perspetiva do lado comercial e uma perspetiva entusiasta do próprio desporto. Mostrou uma verdadeira liderança em alguns momentos desafiantes. De um ponto de vista pessoal, tem sido um prazer trabalhar com o Chase e estou muito satisfeito por ele continuar a fazer parte da família como presidente não executivo.












