Carreiras curtas na F1


Entre os GP da Grã-Bretanha de 1950 e de Abu Dhabi de 2014 foram 916 os pilotos que, pelo menos uma vez tentaram a sua sorte na F1 (mesmo se sem o conseguirem…). Estes, os que não o conseguiram, foram, até essa altura, 340 – incluindo-se nesse número os portugueses Mário de Araújo ‘Nicha’ Cabral, que esteve em cinco GP, tendo largado em quatro, e Pedro Chaves, que falhou a qualificação para todos os 13 GP que tentou fazer com a Coloni, em 1991. Mas, nos 340 casos reais, casos existiram que, pela sua bizarria ou curiosidade, merecem ser recordados. Veja a seguir alguns deles.

FULVIO MARIA BALLABIO (08/10/1954) 4 testes (1984)
Piloto mediano, conseguiu apoios financeiros [Mondadori, distribuidora da Walt Disney em Itália] para em 1984 ‘dar o salto’ para a F1, depois de um ano com a AGS, na F2. Chegou mesmo a acordo com a Spirit e voou com a equipa para os primeiros testes da temporada, em Jacarepaguá, em janeiro, como preparação para o GP do Brasil. O seu colega de equipa seria Emerson Fittipaldi, que queria regressar à F1. Ballabio fez o 21º e penúltimo tempo [1m40,25s] e, mais tarde voltou a testar o carro em Mugello, Brands Hatch e Monza. Mas, apesar da CSAI o ter (em segundas ‘núpcias’) apoiado junto da FIA, esta recusou conceder-lhe a superlicença, por falta de resultados e Mauro Baldi ficou com o seu lugar. O trágico da questão é que, com o desgosto, o seu pai, Giuseppe, antigo piloto, sofreu um infarte fatal, em fevereiro.

COLIN CHAPMAN (19/05/1928 – 16/12/1982) 1 NQ (1956)
A carreira de Colin Chapman na F1 foi também bizarra… e curta: nos treinos para o GP de França de 1956, em Reims, acertou com o seu Vanwal no carro ‘gémeo’ do seu colega de equipa, Mike Hawthorn, na curva de Thillois. Ferido numa mão, não compareceu na partida e deu como encerrada a sua carreira de piloto de automóveis, concentrando-se naquilo que o tornou famoso: a Lotus.

JOSÉ DOLHEM (26/04/1944 – 16/04/1988) 3 GP/2 NQ (1974)
Primo e meio-irmão de Didier Pironi (tinham o mesmo pai e as mães eram irmãs!), Louis José Lucien Dolhem fez três GP de F1 em 1974, com a Surtees. Não se qualificou para os GP de França e de Itália e, nos Estados Unidos, qualificou-se em 26º e último lugar. Mas a sua corrida durou apenas
26 voltas, pois foi mandado parar pela equipa, em consequência do acidente mortal do seu colega, Helmut Koinigg. Em 1975, voltou à F2 e mais tarde correu em Le Mans, com a Alpine. Morreu menos de um ano depois de Pironi, quando o pequeno avião que tripulava se despenhou.

PIERO DUSIO (13/10/1899 – 07/11/1975) 1 NQ (1952)
Jogou futebol no Juventus, no início da década de 20 e depois tornou-se industrial têxtil, fornecendo os uniformes ao Exército, durante a Guerra. Financiou vários projetos desportivos, entre eles a Cisitalia, com a qual tentou qualificar-se para o GP de Itália de 1952, com quase 53 anos, ao volante de um D46. Na verdade, não conseguiu qualquer tempo, pois teve problemas de motor na única volta que fez e desistiu da intenção, nomeando o seu filho Carlo (25/03/1922 – 15/08/2006) como piloto substituto, mas este decidiu nem se sentar no carro.

BERNIE ECCLESTONE (28/10/1930) 2 NQ
Em 1958, dono de uma equipa que corria com os Connaught Type B, Bernie Ecclestone chegou ao Mónaco, segunda prova do ano, insatisfeito com os seus pilotos. Então, decidiu mostrar como se fazia: sentou-se ao volante… e não conseguiu fazer melhor, falhando a qualificação. Meses mais tarde, tentou repetir a gracinha, em Silverstone, mas acapou substituído por Jack Fairman.

JOE FRY (26/10/1915 – 29/07/1950) 1 GP (1950)
A sua carreira na F1 durou apenas um GP – o do Mónaco de 1950, que fez com um Maserati 4CL. Qualificou-se em 20º e penúltimo e acabou a corrida em 10º, rodando 64 voltas. Acabou por perder a vida pouco depois, durante os treinos para a rampa de Blanford, ao volante de um pequeno Freikaserwagen. Foi o primeiro piloto de F1 a perder a vida em competição, embora sem ser num GP.

ALDO GORDINI (20/05/1921 – 28/01/1995) 1 GP (1951)
Filho de Amédée Gordini, fundador da marca do mesmo nome, Aldo nasceu em Bolonha, na Itália e trabalhou nas oficinas da família, como mecânico. De vez em quando fazia umas corridinhas – incluindo as 24 Horas de Le Mans e duas de F1, uma no Mundial e outra extra campeonato. Claro, sempre ao volante de carros da equipa do pai – com um Simca-Gordini T11, foi 17º no GP de França de 1951 mas, na corrida, durou apenas 27 voltas, antes de abandonar com problemas de motor. Ainda nesse ano e com um T15, correu no GP de Paris, com sorte semelhante…

BRIAN HART (07/09/1936 – 05/01/2014) 1 GP
Engenheiro, começou a trabalhar na Lotus, em 1958. Como piloto, correu entre 1959 e 1971, ano em que se retirou, dedicando-se à sua marca de motores de competição. Em 1967, fez uma mão-cheia de corridas de F1, ao volante de um Protos de F2. Uma delas, o GP da Alemanha, contava para o Mundial e, por isso, a sua única corrida de F1 foi com… um F2. Qualificou-se em 25º e último mas, na corrida, o seu andamento foi tão fraco que, apesar de a ter acabado, não cumpriu a distância necessária para se classificar: fez 12 voltas e foi essa a duração da sua carreira na F1.

HANS HEYER (16/03/1943) 1 GP
Hans Heyer é o tal que fez uma corrida de F1 sem ter autorização para isso: o GP da Alemanha de 1977, com um Penske PC4 da equipa ATS. Não se conseguiu qualificar, mas acabou por partir, sem ninguém dar por isso, das boxes. E lá foi andando, em último, até abandonar, com a transmissão quebrada, na 9ª volta. Só então deram pela sua presença e foi, claro está, desqualificado.

GARY HOCKING (30/09/1937 – 21/12/1962) 0 GP
Campeão do Mundo de Motociclismo, nas categorias de 350cc e 500cc, em 1961, com a MV Agusta, decidiu no ano seguinte trocar as duas rodas pela F1, depois de ver morrer o seu amigo chegado Tom Phillis, na ilha de Man, que era a primeira prova da temporada. Mas o destino estava traçado para este rodesiano: comprou um Lotus 24 e inscreveu-se para o GP do Natal, mas nos treinos foi em frente numa curva rápida, levantou voo e aterrou num terreno vizinho. Morreu no local e na altura falou-se que teria desmaiado em plena reta, por causa da velocidade atingida… A sua carreira na F1 acabou antes de começar.

YUJI IDE (21/01/1975) 4 GP
Lembra-se dele? Não, é claro – nem nós, antes de iniciarmos este trabalho! Depois de uma carreira sem um único título, chegou á F1 em 2006, graças ao seu compatriota Aguri Suzuki, que o contratou para essa temporada. Ide fez o que pode: a sua melhor qualificação foi o 21º lugar, em 22 pilotos, no GP do Abu Dhabi. Chegou ao fim apenas no da Austrália, em que foi 13º e último, a três voltas de Fernando Alonso. Então, no GP de San Marino, a sua carreira chegou ao fim: na corrida, ‘atropelou’ o Midland MF1 de Christijan Albers logo na largada, provocando uma série espetacular de perigosos capotanços deste, que terminaram de rodas para o ar e a FIA, alarmada, decidiu cancelar de imediato a sua superlicença, não fosse suceder algo de mais grave…

HELMUT KOINIGG (03/11/1948 – 06/10/1974) 3 GP/1 NQ
Austríaco, correu em Formula V, Fórmula Ford e carros de Turismo, antes de ser convidado pela Scuderia Finotto para conduzir um Brabham BT42 no GP da Áustria de 1974. Falhou a qualificação, mas mesmo assim conseguiu um acordo com a Surtees para pilotar um TS16 nas duas últimas corridas do ano. Em Watkins Glen, foi 23º nos treinos mas, na corrida, despistou-se a baixa velocidade à 9ª volta, na chicane colocada no local em que Cévert morrera um ano antes e passou por baixo dos ‘rails’, que estavam mal montados e o decapitaram.

CLAUDIO LANGES (20/07/1960) 14 GP: 14 NPQ
Conheci Claudio Langes, quando ele corria na F3000, em 1988 e 1989: tinha cara de um panda simpático e andava sempre acompanhado pela mulher e pelos muitos filhos, todos eles com cara de pandinhas sorridentes. Nunca foi um bom piloto, mas tinha boas relações. E foi graças a elas que, em 1990, conseguiu um contrato para correr na F1 com a EuroBrun. Nunca passou das pré-qualificações, em todos os 14 GP da temporada – o que passou a ser um recorde imbatível. Chegou a ser 15 segundos mais lento que o seu colega de equipa, Roberto Moreno!

RICARDO LONDOÑO (08/08/1949 – 18/07/2009) 1 GP:1 NA
Ricardo Londoño tornou-se o primeiro colombiano a correr na F1 – mesmo sem ter alinhado no único GP em que esteve inscrito, o do Brasil, em 1981. Com um Ensign N180B, participou na sessão de treinos para aclimatação dos pilotos à pista de Jacarepaguá, que era novidade para todos, durante a quinta-feira – e até se safou bastante bem. Mas, indiferente a isso, a FISA recusou, no dia seguinte, dar-lhe a superlicença, pelo que foi substituído na
equipa por Marc Surer. Contudo, não o riscou do GP e é por isso que tem a honra referida no início do texto. Foi morto a tiro num rixa, aos 59 anos.

ANDRÉ LOTTERER (19/11/1981) 1 GP
Chamado inesperadamente pela Caterham para substituir Kamui Kobayashi no GP da Bélgica de 2014, este alemão, já com 32 anos, aceitou o desafio, estreando-se na F1 sem perspetivas de nela continuar. Por isso, a sua carreira terminou mal começou, com um abandono, ainda na primeira volta, quando estava na frente do seu colega de ocasião, Marcus Ericsson.

PERRY McCARTHY (03/03/1961) 11 GP: 5 NPQ/1 NQ/3 NP/1 NA/1 EX
Depois de deixar as pistas, foi The Stig, no Top Gear e se calhar é isso que o faz famoso. Na F1, foi o verdadeiro ’pobre-coitado’ de serviço: em 1991, depois de impressionar a Footwork, em testes, acabou por assinar com a Andrea Moda, para a temporada seguinte. A sua luta pela superlicença foi longa e, na estreia, fez só 80 metros, antes de ficar parado na pista. Depois disso e até o dono da equipa ser preso, acabando com a farsa, fez pouco mais que um par de voltas por GP, nunca passando as préqualificações (exceto no GP da Bélgica), sem pneus, ou sem motor, ou sem carenagem, para continuar…

BRIAN McGUIRE (13/12/1945 – 29/08/1977) 2 GP: 1 NA/1 NQ
Australiano, veio para a Europa com a ajuda de Alan Jones. Em 1976, comprou um Williams FW04 e tentou fazer o GP da Grã-Bretanha, mas inscreveu-se como piloto de… reserva e não foi autorizado a participar. No ano seguinte, modificou o FW04 e passou a chamar-lhe McGuire BM1; com ele, tentou de novo correr no ‘seu’ GP, mas falhou a qualificação. Morreu semanas mais tarde, num acidente em Brands Hatch, ao volante do BM1.

HERBERT MÜLLER (10/05/1940 – 24/05/1981) 1 GP/1 NA
Piloto de Sport, ganhou o Targa Florio por duas vezes, em 1966 e 1973, com um Porsche. A sua carreira na F1 resume-se ao GP de Pau de 1963, em que foi 5º, com um Lotus 21 da Scuderia Filipinetti e, em 1971, a uma participação falhada no GP de Itália, com um Lotus 72. Morreu na segunda vez que teve um acidente, com fogo à mistura, no Nürburgring, durante os Mil Kms, com um Porsche 908 Turbo. Da primeira, tinha sido com um Ferrari 512 MM.

ROBERT O’BRIEN (11/04/1908 – 10/02/1987) 1 GP
Este foi talvez o caso mais intrigante na F1. Personagem misteriosa, com passagem pelas forças armadas, fala-se que foi um espião, da CIA ou quejandos. E que, enquanto estava destacado numa missão na Europa, fez o GP da Bélgica de 1952, com Simca-Gordini Type 15. Terminou a corrida,
mas foi demasiado lento e ficou a seis voltas do vencedor, não se classificando.

RICCARDO PALETTI (15/06/1958 – 13/06/1982) 8 GP: 2 GP/2 NQ/3 NPQ/1 NA;
ROLAND RATZENBERGER (04/07/1960 – 30/04/1994) 3 NQ: 1 GP; 1 NQ; 1 NA;
ROGER WILLIAMSON (02/02/1948 – 29/07/1973) 2 GP
Três casos semelhantes de pilotos que terminaram as suas carreiras mal as tinham começado. Paletti fez dois GP com a Osella: num, durou 7 voltas e no outro (Canadá) cerca de 100 metros, sofrendo então um acidente fatal. Ratzenberger fez apenas 1 GP com a Simtek, perdendo a vida nos treinos para o GP de San Marino de 1994, que seria a sua segunda corrida de F1. Roger Williamson morreu queimado, no infame acidente no GP da Holanda de 1973, em que os comissários impediram o socorro do piloto da March – que, na F1, fez apenas 7 voltas, em 2 GP de F1, com a particularidade de, no da Grã-Bretanha, ter ficado logo na primeira volta, no acidente iniciado por Jody Scheckter.

ROGER PENSKE (20/02/1937) 2 GP
Construtor de chassis, incluindo de F1, pluri-campeão na IndyCar com carros feitos por si, fez dois GP de F1, ambos nos ‘States’: em 1961, com um Cooper T53/Climax, foi 8º; no ano seguinte, com um Lotus 24/Climax, foi 9º. BOBBY RAHAL (10/01/1953) 2 GP Bobby Rahal – que foi ‘vice’ de Gilles Villeneuve no título desta na Formula Atlantic em 1977 – ainda pensava em fazer carreira na Europa, quando foi convidado por Walter Wolf, para quem corria na F3 nesse ano, para fazer os dois últimos GP de 1978. As coisas não correram bem e o milionário canadiano ‘roeu a corda’ para 1979, despedindo Rahal e contratando James Hunt. Rahal ainda fez meia temporada na F2, com um Chevron, mas desistiu e voltou aos ‘States’, onde enfim teve sucesso – foi campeão IndyCar em 1986, 1987 e 1992 e ganhou as Indy 500 em 1986.

RAY REED (? – 01/01/1965) 0 GP
Este rodesiano inscreveu-se com um RE/Alfa Romeo, feito por si [Rays Engineering], no GP da África do Sul que, no dia de Ano Novo de 1965, deu o tiro de partida para o Mundial de F1 desse ano. Mas o seu sonho morreu quando o pequeno avião em que se deslocava para a pista caiu, escassas horas antes da corrida. A 12 de dezembro de 1964 tinha feito a sua estreia na F1, no Rand GP, uma corrida extra campeonato, desistindo com problemas de motor pela 23ª volta.

LANCE REVENTLOW (24/02/1936 – 24/07/1972) 4 GP: 1 GP, 1 NQ, 1 NA, 1 EX
Filho de um conde alemão e da ‘socialite’ e atriz Barbara Hutton, Lance Reventlow teve uma vida faustosa, em que o dinheiro lhe permitiu, desde ‘teenager’, ter os carros mais exóticos e cedo começar a correr. Foi amigo de James Dean e um dos últimos a vê-lo vivo, antes do seu acidente fatal.
Na F1, fundou a Scarab e foi com um dos únicos três carros construídos que fez o GP da Bélgica de 1960, desistindo ao fim de uma volta. Antes, não se tinha qualificado no Mónaco e não alinhara na partida para o GP da Holanda.
Depois, falhou o GP da Grã-Bretanha, porque foi o mais lento dos dois pilotos do único Scarab inscrito! Morreu quando o Cessna 206 em que viajava, pilotado por um inexperiente amigo de 27 anos, entrou num ‘canyon’ cego e embateu nas rochas, no Colorado.

STÉPHANE SARRAZIN (02/11/1975) 1 GP
Piloto eclético, com presenças desde os monolugares aos ralis, passando pelas corridas de GT, Turismo e Sport, Stéphane Sarrazin foi escolhido para substituir, na Minardi, Luca Badoer, que tinha magoado um pulso. Aos 24 anos, fez assim um único GP de F1 – o do Brasil, aventura que terminou ao fim de 31 voltas, com um monumental pião.

JO (18/05/1928 – 07/07/1968) e Jean -Louis Schlesser (12/09/1948)
Tio e sobrinho. O primeiro ficou conhecido por ter morrido queimado ao volante de um Honda experimental, no GP de França, a sua estreia na F1… com um F1, depois de dois GP, em 1966 e 1967, com um F2. O segundo, por ter atirado para fora de pista, no GP de Itália, Ayrton Senna, em 1988, impedindo-o de vencer mais uma prova e de a McLaren ter feito o ‘pleno’ de vitórias nesse ano. Estava ao volante de um Williams FW12 oficial (no lugar do lesionado Nigel Mansell) e era a sua segunda tentativa de correr na F1 – a primeira tinha sido em 1983, com March-RAM 01, no GP de França.

ROB SLOTEMAKER (23/06/1929 – 16/09/1979) 1 GP/1 NA
Este holandês era, na altura, considerado o Rei da Derrapagem Controlada – numa altura em que ainda nem sequer se pensava na palavra ‘drift’. E foi numa dessas derrapagens, que não conseguiu controlar, que perdeu a vida, em Zandvoort. Mas, antes, teve uma prolífica carreira de piloto, incluindo um GP de F1: em 1962, no GP do seu país, inscreveu-se com um Porsche 718 de Carel Godin de Beaufort, mas o carro não ficou pronto a tempo da corrida.

STEPHEN SOUTH (19/02/1952) 1 GP/1 NQ
O momento de glória de Stephen South, que tinha então 28 anos e um 6º lugar no Europeu de F2 de 1979, aconteceu quando foi convidado para correr no GP dos Estados Unidos-Oeste, nas estreitas ruas de Long Beach, no lugar de Alain Prost, que se tinha ferido num acidente antes, ao volante de um McLaren M29. Mas, afinal, acabou por não ter glória nenhuma: o M29 era tão mau que, inexperiente, não passou dos treinos. A sua sorte terminou dois meses depois, em Trois-Rivieres, quando viu as suas pernas terem que ser amputadas abaixo do joelho, depois de um grave acidente.

JIMMY STEWART (06/03/1931 – 03/01/2008) 1 GP
Irmão mais velho de Jackie Stewart, Jimmy não era tão dotado como piloto. E a sua passagem pela F1 resumiu-se ao GP da Grã-Bretanha de 1953 – com Cooper T20/Bristol, fez 79 voltas antes de desistir, depois de um pião.

ALEJANDRO DE TOMASO (10/07/1928 – 21/05/2003) 2 GP
Este argentino ficou conhecido quando, já em Itália, fundou De Tomaso Automobili, em 1959. Era, no entanto, um bom piloto e fez mesmo dois GP de F1. Em 1957, foi 9º no GP da Argentina, com um Ferrari 500 da Scuderia Centro Sud e, em 1959, fez 13 voltas no GP dos Estados Unidos, com um O.S.C.A. F2. Em Itália, mudou o nome para Alessandro.

JONATHAN WILLIAMS (26/10/1942 – 31/08/2014) 1 GP
Jonathan Williams ganhou a sua presença nesta lista não porque tenha sido mais um dos muitos que fizeram só um GP de F1. O estranho da coisa é que o fez sendo piloto oficial da… Ferrari! É verdade: ao volante de um Ferrari 312/67 foi 8º no GP do México, terminando na frente do outro Ferrari, o de Chris Amon. Mesmo assim, foi despedido da ‘scuderia’ (onde era também piloto no Mundial de Sport) logo a seguir…


MARCO APICELLA (07/10/1965) – 1 GP

É considerado como tendo a menor carreira na F1: 800 metros em corrida, mais os treinos livres e a qualificação. Oriundo da F3000 europeia e
japonesa, onde conseguiu bons resultados, em 1993 foi convidado por Eddie Jordan para disputar o GP de Itália, depois de decidir que Thierry Boutsen estava demasiado velho para enfrentar as exigências de Monza. Qualificou-se em 23º lugar mas, na travagem para a primeira chicane [Variante del Retifilio] envolveu-se involuntariamente numa carambola múltipla com mais cinco outros pilotos [primeiro, bateram os Footwork de Aguri Suzuki e Derek Warwick e, largando mais de trás, encontraram a pista obstruída o Sauber de JJ Lehto e os Jordan de Rubens Barrichello e Apicella], desistindo de imediato. Nunca mais regressou à F1, pois foi substituído por Emanuele Naspetti para a prova seguinte, o GP de Portugal.

Joachim (24/10/1960) – 7 NPQ e Markus Winkelhock (13/06/1980) – 1 GP

Joachim Winkelhock era o irmão de meio de Manfred e teve uma carreira ‘normal’ na F1, competindo em sete GP, em 1989, ao volante de um AGS JH23B. Infelizmente, acabou por não passar, em nenhum, da matinal fase das pré qualificações, pelo que a sua carreira na F1 se resume a isso – meia dúzia de voltas em treinos, vezes sete…
Até aqui, tudo bem: o esquisito da questão é que, 18 anos mais tarde, o seu sobrinho Markus foi convidado para fazer o GP da Europa, ao volante de
um Spyker F8 VII/Ferrari… e quase venceu a corrida, depois de largar de 22º e último lugar. A ‘estória’ é simples: um dilúvio abateu-se sobre a pista de Nürburgring e provocou o caos, com vários despistes consecutivos e a paragem da corrida. Nessa altura, era Winkelhock que, com pneus de chuva
ao invés dos seus adversários, comandava a prova – e com grande vantagem. Quando recomeçou, vieram ao de cima das debilidades do Spyker e foi perdendo lugares em rápida sucessão, até abandonar, na 13ª volta, com problemas hidráulicos. Nunca mais voltou à F1.

Graham McRae (05/03/1940) – 1 GP
Australiano e piloto de sucesso na F5000 (ganhou em 1972 o campeonato norte americano), a sua carreira na F1 durou um GP e escassas centenas de metros. Na verdade, ‘Cassius’, como era chamado (se calhar, pela sua
semelhança com Cassius Clay… embora este fosse negro!) foi pela primeira vez convidado a correr na F1 em 1972, na Holanda no lugar de Jackie Stewart, que estava com uma úlcera. Mas não conseguiu encaixar a prova no seu exigente programa de corridas e, no ano seguinte, aceitou fazer o GP da Grã-Bretanha com um Iso- Marlboro da equipa de Frank Williams. O carro era tão mau que se qualificou em 28º (apenas na frente do Tecno de Chris Amon). A sua corrida durou apenas até se despistar, sozinho, na primeira volta, antes de Jody Scheckter ter decidido provocar a carambola que eliminou nove carros.

Notas : GP – Grande Prémio; NQ – Não qualificado; NPQ – Não pré-qualificado; NA – Não alinhou; NP – Não partiu; EX – Excluído