BMW F1.09: “Pouca margem para erros”

Por a 30 Janeiro 2009 16:28

A BMW começou a trabalhar cedo no projecto do F1.09, centrando os seus recursos neste chassis em meados do ano passado e também rodou sempre, nos testes de Inverno, com o máximo de peças que teria de utilizar este ano, para validar as soluções encontradas e procurar o caminho para as áreas em que ainda não tinha certezas. Por isso o F1.09 é bastante diferente de todos os outros carros, mas se em alguns aspectos me impressiona positivamente, noutros deixa-me bastante confuso, pois a BMW foi por caminhos bastante complexos, que poderão ser muito positivos, mas se forem errados não lhe dão grande margem para voltar atrás.

Para mim a zona dos flancos é a mais complexa. A secção interna da entrada para os flancos tem uma enorme caixa, brutal mesmo, que servirá para albergar o tanque de gasolina, se o quiseram avançar tanto, ou outra peças que libertem espaço para colocar o KERS à frente do motor, permitindo avançar o centro de gravidade do carro, mas tem uma enorme secção frontal que vai causar bastante arrasto.

Depois, como consequência daquela caixa, a frente inferior dos flancos abre-se como se fosse uma deriva, mas com um desenho muito complexo e que forçará o fluxo de ar a uma mudança importante de direcção, coisa que sempre preferi evitar. Posso estar errado, pois não testei nada assim em túnel de vento, mas à primeira vista é difícil olhar para aquela área do F1.09 e encontrar uma forma simples e eficaz do fluxo de ar ser eficaz.

Outra opção que me causa estranheza é a ausência dum recorte inferior ao longo dos flancos; existe na frente e na traseira dos flancos, mas sem uma ligação, pelo que as suas áreas não vão trabalhar em conjunto, mas sim separadamente, o que me parece menos eficaz, pois não vejo como é que o fluxo de ar que sai do recorte anterior se vai manter junto ao flanco para reentrar no recorte posterior e ser sugado para a área da “garrafa de Coca Cola”, que é o que se pretende

Bom tratamento dado à asa anterior e nariz

Se primeiro referi o que me intriga no F1.09, tenho também de deixar claro que há muita coisa que me agrada no novo BMW, sobretudo o tratamento dado à asa anterior e ao nariz. As derivas logo atrás do nariz servem para dirigir melhor o fluxo de ar para o fundo plano, o que é uma boa solução, mas também ajudam ao fluxo para a parte inferior dos flancos onde, como já disse, eles foram para uma solução muito elaborada e de alto risco.

O nariz é razoavelmente alto, não o suficiente para comprometer a geometria da suspensão anterior, mas também não suficientemente baixo para tornar o elemento central da asa anterior num gerador de carga aerodinâmica, como no Renault ou no Williams. Já as asas da frente estão muito bem concebidas, cheias de trabalho de detalhe, que me agrada bastante. Têm dois elementos fixos, com o terceiro a ser o que vai mover-se e basta olhar para a forma como estão esculpidos, com variações importante nas medidas da corda, para se ver os efeitos do trabalho em CFD e no túnel de vento na sua definição.

As derivas das asas anteriores são iguais às vistas nos testes, pouco elegantes, é certo, mas claramente a desviarem o fluxo de ar à volta das rodas da frente, que é o papel que têm de desempenhar. De resto, olhando para o capot-motor e para a asa traseira, vê-se que são bastante convencionais, pelo que não merecem grande destaque.

Em resumo:

Penso que a BMW arriscou mais este ano que em 2007 ou 2008, mas só depois das primeiras corridas veremos se arriscou bem ou mal. Se arriscou bem, pode ganhar uma boa vantagem inicial; se arriscou mal, como já disse, foi tão longe nos seus conceitos, que não poderá voltar atrás para remediar a situação.

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