F1, 2º pelotão: Poderão ser os pilotos a fazer a diferença

Por a 18 Março 2022 16:03

Aquele que é conhecido como o “Segundo Pelotão” prevê-se este ano ainda mais disputado que nos últimos anos, sendo impossível prever a sua ordem, mas uma coisa é certa, a incerteza será uma certeza.

No ano passado integravamos neste grupo a Ferrari, a McLaren, a Alpine, Alpha Tauri e Aston Martin, estando estas longe da Red Bull e da Mercedes, ao passo que a Williams, Alfa Romeo e Haas não tinham como integrar consistentemente a batalha pelos pontos – no caso da equipa americana nem em circunstância alguma.

Penso que este ano a configuração do “Segundo Pelotão” tenha uma alteração significativa, mas com mais equipas na luta.

Creio que a Ferrari deu claramente o salto e estará na “batalha dos grandes”, ao passo que a McLaren tem potencial para se colocar para lá do alcance das melhores formações do “Segundo Pelotão”, mas sem poder incomodar recorrentemente as “Três Grandes”. Poderá, portanto, situar-se numa terra de ninguém, com algumas incursões entre Mercedes, Red Bull e Ferrari, quando algo correr mal a, pelo menos, uma destas ou quando um circuito lhe for mais favorável.

Caso os testes do Bahrein não lhe tivessem corrido tão mal, com problemas de sobreaquecimento nos travões dianteiros, não ficaria até surpreendido se estivesse ao nível da Mercedes, ou talvez até um pouco adiante.

Isto deixa-nos com três equipas como claras representantes do “Segundo Pelotão” – Alpine, AlphaTauri e Aston Martin – podendo, contudo, ser acossadas pelas formações que colocámos no terceiro grupo – Alfa Romeo, Haas e Williams.

Existe muitas incertezas quanto à forma deste trio, tendo tido os seus bons momentos e os seus problemas ao longo dos seis dias de testes deste defeso que está quase a terminar.

Começando pela Alpine, que o ano passado ficou no quinto posto do Campeonato de Construtores, este ano apresenta um carro completamente novo, algo que já não acontecia desde 2019, então ainda conhecida como Renault, com uma unidade de potência que marca uma quebra com o passado e, claro, um chassis que nada tem a ver com os seus antecessores.

A formação de Enstone teve alguns problemas nos testes, o mais visível o princípio de incêndio em Barcelona, mas conseguiu recuperar, tendo os seus responsáveis garantido no final da bateria de ensaios de Sakhir, que tinham curado os problemas de “porpoising” que tinha afligido o A522 até então.

O tempo de Fernando Alonso no terceiro dia, que colocou a Alpine no terceiro posto da tabela de tempos da semana, demonstra que o carro do construtor francês tem velocidade, mesmo se foi obtido durante uma volta realizada em condições muito próximas de qualificação.

A Alpha Tauri teve um excelente teste de Barcelona, parecendo poder liderar com conforto o “Segundo Pelotão”, mas em Sakhir não parece ter evoluído tanto como as equipas à sua volta.

Yuki Tsunoda levou a equipa de Faenza até ao sexto lugar da tabela de tempos dos testes de Sakhir, mas como sempre estas marcas têm de ser avaliadas com precaução.

A Aston Martin é uma grande incógnita, tendo rodado de forma consistente, nunca mostrou estar interessada em realizar tempos de encher o olho.

A equipa de Silverstone nunca teve tendência para procurar marcas brilhantes no defeso e os homens da formação de Lawrence Stroll não pareciam estar muito preocupados com a suposta falta de performance do AMR 22 – Sebastian Vettel realizou apenas a nona marca da semana de testes no Bahrein.

Aparentemente, haverá uma luta intensa entre estas três equipas pelos pontos e pela entrada na Q3, devendo ser elas que estarão em contenção pelo quinto posto no Campeonato de Construtores.

Provavelmente, serão os pilotos a fazer a diferença e, neste capítulo, a Alpine estará muito mais bem servida com Fernando Alonso, que continua com aquele desejo férreo de vencer, e Esteban Ocon, sendo uma dupla de pilotos consistente e rápida.

A Alpha Tauri, por seu lado, tem em Pierre Gasly um piloto rápido e capaz de garantir resultados, mas Yuki Tsunoda tem ainda algumas arestas para limar, muito embora seja evidente que tem talento para singrar na Fórmula 1.

Já a Aston Martin tem em Vettel um piloto que quando está nos seus melhores dias é tão rápido como qualquer um, mas que quando nem tudo está a seu gosto se pode perder. Lance Stroll parece ter chegado ao topo do seu desenvolvimento e, muito embora tenha sempre alguns fins-de-semana de brilho ao longo do ano, não demonstra ter o potencial dos pilotos da Alpine ou Alpha Tauri.

Numa temporada em que os carros parecem estar todos mais próximos, poderão ser os pilotos a fazer a diferença e em 2021 foram os da Alpine que levaram a melhor.

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