Voyah Free Luxury
Por José Caetano
O número de marcas chinesa ativas no mercado automóvel nacional está a aumentar. A Voyah apresentou-se muito recentemente em Portugal, fazendo-o em simultâneo com a “casa-mãe” Dongfeng. Na gama da divisão fundada apenas em 2019, com o objetivo de introduzir o consórcio baseado em Wuhan nos segmentos “premium”, encontra-se este Free, Sport Utility Vehicle (SUV) elétrico com quase 5 m de comprimento desenhado em parceria com a Italdesign Giugiaro. O “exame”!
A China, na indústria automóvel, conta com os “Big Four”, da mesma forma que os EUA, no mesmo setor, tinha os “Big Three”. Os primeiros são os quatro fabricantes propriedade do estado (Changan Automotive, Dongfeng Motor, FAW e SAIC Motor). Os segundos eram os três construtores mais poderosos dos EUA (Chrysler, Ford e General Motors). Os chineses ganharam dimensão mundial, os norte-americanos, depois de muita turbulência, procuram recuperar (algum…) protagonismo.
A mudança de paradigma no automóvel, do motor térmico para elétrico, sabia-se, representa oportunidade de ouro para o aparecimento de marcas novas. Prova-o a história de sucesso da Tesla. A Voyah foi criada pela Dongfeng em abril de 2019. O fabricante fundado em 1969 necessitava de divisão que pudesse concentrar-se na conceção e na produção de modelos com caraterísticas diferenciadas, de forma a posicionar-se num mercado “premium” que representava cada vez mais vendas.
Em setembro de 2020, a Voyah apresentou-se no salão de Pequim, fazendo-o com o i-Free Concept na origem do Free à venda na China desde o terceiro trimestre de 2021 e introduzido na Noruega (e na Europa) em junho de 2022. Desenhado com a Italdesign Giugiaro, empresa italiana na “órbita” do Grupo VW desde 2010, o Sport Utility Vehicle (SUV) com 4,905 m de comprimento e 2,795 m entre eixos baseia-se em plataforma desenvolvida “à medida” (Electric Smart Secure Architecture, ou só ESSA), condição para a admissão de muitas tecnologias de pontas, de funções de assistência à condução à suspensão pneumática com amortecimento controlado eletronicamente.
O primeiro impacto visual com o Voyah Free é positivo, mesmo reconhecendo que o SUV não tem desenho consensual, talvez por denunciar a origem do automóvel. Mas, como Fernando Pessoa escreveu para a campanha de lançamento da Coca-Cola em Portugal, em 1927, “primeiro estranha-se, depois entranha-se”! À época, Salazar, reagindo à opinião de médico amigo (Ricardo Jorge) sobre o tema, proibiu a bebida. Em 2024, estes riscos não existem. E, felizmente, uma vez que o contato inicial com o interior provocou o mesmo tipo de sensação, independentemente da impressão de qualidade e sofisticação acima da média.
O Voyah Free, nesta versão Luxury (a Exclusive é proposta por 85.005 €), dispõe de equipamento de série muito completo e admite (alguma personalização), se mais não fosse por contar com habitáculo inteligente que adapta o ambiente ao humor do condutor, através de sistema biométrico e sistemas de reconhecimento facial, gestual e vocal, e tejadilho panorâmico com opacidade e transparência variáveis. O painel de bordo integra três monitores com 12,3’’ e ajusta-se, verticalmente, de acordo com o modo de condução selecionado (Eco, Comfort, Performance, Snow, Outing e Individual). Nestes pontos, aplauda-se a originalidade, sobretudo por ter impacto positivo no bem-estar a bordo e, também, na experiência de utilização. A maioria dos revestimentos é de qualidade, por isso satisfazendo os pré-requisitos para o posicionamento em segmento “premium” e a capacidade da bagageira (560 litros, na configuração normal do compartimento, com os encostos dos bancos de trás na vertical (também encontramos espaço para arrumação sob o “capot”, com capacidade para transportar mais do que os cabos para a alimentação da bateria!) e habitabilidade satisfazem plenamente.
A Voyah, na China, também propõe o Free com mecânica 1.5 Turbo a gasolina que atua somente como extensor de autonomia, o que permite anunciar até 850 km de condução entre recargas da bateria (39 kW de capacidade) e reabastecimentos do depósito de combustível, mas esta tecnologia, de momento (?), não é proposta na Europa. Nesta região, o SUV vende-se apenas com dois motores elétricos, um por eixo, configuração que disponibiliza quatro rodas motrizes de forma permanente – a máquina dianteira tem 218 cv (160 kW)/310 Nm e a traseira 272 cv (200 kW)/410 Nm. Rendimento combinado anunciado: 490 cv (360 kW)/720 Nm. Esta divisão da Dongfeng, para modelo com mais de 2,3 toneladas, reivindica 0-100 km/h em 4,4 s e velocidade máxima de 200 km/h – apresenta-se limitada eletronicamente, para a proteção da autonomia.
O Free não é “sprinter”, nem pretensões desportivas, mas movimenta-se depressa e bem, exibindo sempre reações rápidas aos movimentos no pedal do acelerador. Obviamente, esta qualidade sobressai mais no modo de condução “Performance”. Os programas Eco e Comfort privilegiam o conforto e a eficiência, o Snow melhora a capacidade de tração sobre superfícies escorregadias e o Outing destina-se só à condução fora de estrada. O sistema adapta a atuação de todos os sistemas vitais deste SUV, da direção à suspensão, das assistências eletrónicas à transmissão ao sistema de propulsão.
No Free equipado com rodas de 20’’, de série, bateria com 107 kW de capacidade. De acordo com a norma europeia WLTP, este SUV percorre 500 km entre recargas, o que corresponde a consumo médio de 20,2 kWh/100 km, números que (quase!) igualámos no nosso percurso de teste. A autonomia diminuiu em autoestrada (435 km) e aumentou em ambiente urbano (690 km). Ponto a rever pela marca chinesa: a potência máxima de carregamento é de apenas 100 kW.
Dinamicamente, considerando as dimensões e o peso do SUV, Voyah eficaz “q.b.”, com muitas das qualidades que apresenta a deverem-se ao funcionamento muito correto da suspensão com molas pneumáticas e amortecimento variável. Trata-se de sistema que adapta a altura ao solo em função da condução e do tipo do piso – mínima de 118 mm e máxima de 213 mm –, recurso que beneficia, por exemplo, o comportamento em curva, por torná-lo mais ágil, devido ao controlo otimizado de todos os movimentos da carroçaria. A direção funciona bem, a eletrónica nunca é intrusiva e os travões não impressionam (potência e resistência à fadiga).
Na China, a Voyah apresenta-se como alternativa a BMW, Mercedes & Cia., mas o Free, na Europa, embora apresenta preços mais acessíveis do que iX e EQE SUV é, sobretudo, concorrente de outros automóveis chineses (ou de origem chinesa), os casos de BYD Tang, Polestar 3 ou XPENG G9.

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