Tecnologia EREV sem muito futuro

Por a 16 Março 2026 17:00

Por João Isaac

A Mahle, companhia criada em 1920, em Estugarda, Alemanha, é reconhecida por dispor de (muitas) competências tanto no desenvolvimento, como na produção de componentes e sistemas para motores de combustão, híbridos e elétricos. Logo, a opinião da empresa sobre a mudança de paradigma no automóvel tem relevância. E os responsáveis técnicos da empresa não acreditam no futuro de tecnologia que trabalham há mais de 15 anos: os extensores de autonomia!

Nestes sistemas, os motores de combustão têm “só” a função de produzir energia para as baterias que alimentam as máquinas elétricas ligadas às rodas dos carros. A tecnologia está a ganhar adeptos, uma vez que facilita a mudança de paradigma no automóvel, que está a fazer-se, na Europa, bastante mais lentamente do que os decisores políticos ambicionavam.

A Mahle tem experiência no desenvolvimento e produção de sistemas de extensor de autonomia para automóveis EREV (Extended Range Electric Vehicle) e também na adaptação de motores de combustão interna para atuarem só como geradores de energia, o que permitiu à empresa colaborar com vários fabricantes europeus e chineses.

Essa experiência dá a Mike Bassett, Diretor de Engenharia da empresa alemã, uma visão muito privilegiada sobre esta temática. E, em entrevista ao “site” Automotive World, o responsável reconhece que o futuro da tecnologia é bastante limitado. “O interesse recente nos sistemas deve-se a diversos fatores. Na China, por exemplo, alguns fabricantes têm licenças para produzirem apenas veículos alimentados por novas energias (NEV), categoria que integra os EREV. Já na Europa, os modelos são interessantes por beneficiarem da classificação como híbridos Plug-In”, disse.

Ainda assim, é nos EUA que o responsável da Mahle diz encontrar um potencial de crescimento maior, devido à menor maturidade da infraestrutura de carregamento das baterias dos carros elétricos. No contexto europeu, Bassett acredita em papel mais importante para os combustíveis renováveis e sintéticos, combinados com a tecnologia EREV. “O etanol e o metanol são ótimos para os motores de combustão interna. Como os extensores de autonomia atuam de forma mais estável e menos dependente da dinâmica de condução, torna-se mais fácil a otimização dos níveis de eficiência térmica”, explicou.

No entanto, ainda de acordo com Bassett, dois fatores comprometem o futuro dos extensores de autonomia: a arquitetura dos EREV, por combinar dois sistemas de propulsão, o que “não é a uma solução ideal”; e os progressos tanto nas baterias, como nas infraestruturas de carregamento. “Se existissem mais pontos de carga e o processo fosse bem mais rápido, não existiria a necessidade de contarmos com baterias tão grandes e a ansiedade que associamos à autonomia desapareceria”, prosseguiu.

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