Baterias perdem 2,3% da capacidade por ano
Por Pedro Junceiro
Estudo sobre a “saúde” das baterias dos automóveis elétricos concluiu que a potência de recarga é o fator que mais influencia a condição e a durabilidade do acumulador de energia. Segundo a Geotab, empresa especializada na gestão de frotas e em soluções de conetividade, a degradação média anual do componente é de 2,3%, (“apenas” 1,8% no relatório apresentado em 2024), aumento que resulta, diz a mesma fonte, da dependência cada vez maior dos postos rápidos (corrente contínua).
O nível de degradação das baterias dos carros elétricos continua no topo das preocupações de todos os que aderem à mobilidade sem gases de escape. Os dados da Geotab demonstra que a tecnologia mantém um rendimento consistente durante muitos anos, mesmo com o aumento dos carregamentos rápidos. Para o estudo mais recente, consideram-se os dados reais de mais de 22.700 automóveis, de 21 marcas, e vários anos de informações telemáticas. E, depois da análise desses registos, chegou-se às conclusões apresentadas atrás – tanto do aumento da média, como da razão por detrás desse facto.
Ainda assim, e também de acordo com Geotab, registam-se variações consoante os comportamentos nas recargas: nos carros que recorrem intensivamente a operações com potências acima de 100 kW, a velocidade de degradação da bateria é maior, com uma média de até 3%/ano. Utilizando-se mais o carregamento com corrente alternada (CA) e potências abaixo de 100 kW, a média baixa para 1,5%. Existem mais fatores com o impacto neste item, nomeadamente o clima: nas regiões mais quentes, a degradação é cerca de 0,4% superior/ano, comparativamente ao que sucede nos carros que circulam em climas temperados.
A degradação da bateria acontece naturalmente e reduz, com o tempo, a quantidade de energia que o acumulador tem capacidade de armazenar. O estado deste componente vital para os carros elétricos é medido com recurso a avaliação do estado de “saúde” (“State of Health”), iniciando-se nos 100% de capacidade útil. Depois, progressivamente, perde faculdades. Por exemplo, bateria com 60 kWh de capacidade e um SOH de 80% comporta-se, na prática, como uma com 48 kWh de capacidade, o que reduz, obviamente, a autonomia do automóvel.
Análise essencial
Sendo a vida útil das baterias uma preocupação tanto para os condutores particulares, como para os gestores de frotas, muitas empresas do setor procuram compreender a maneira como “envelhecem” em função da carga, do clima e dos padrões de utilização. Esta observação permite aos operadores uma gestão mais rigorosa do desempenho, uma proteção maior da “saúde” da bateria e, sobretudo, uma tomada de decisão mais informada sobre a atribuição de veículos e as estratégias de recarga.
“A ‘saúde’ das baterias dos carros elétricos continua sólida, mesmo utilizando-se potências cada vez maiores, o que permite recargas mais rápidas, e conduzindo-se estes automóveis intensivamente”, diz Iván Lequerica, da Geotab. “O comportamento no carregamento mudou e, agora, tem um papel muito mais importante na rapidez de degradação das baterias. E este conhecimento proporciona aos operadores a oportunidade de gerirem os riscos a longo prazo, através de estratégias inteligentes de carregamento”, concluiu.
Os dados da Geotab também mostram que a maioria das baterias dos carros elétricos supera as expectativas dos clientes e os prazos habituais de propriedade e renovação de frotas, embora as taxas de degradação variem em função dos comportamentos de recarga e dos padrões de utilização.
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