2026 JD Power: Volvo afunda-se na fiabilidade
Por José Caetano
A Volvo está comprometida com a eletrificação do automóvel, mas a marca sueca na órbita do consórcio chinês Geely encontra-se confrontado com dificuldades na mudança de paradigma tecnológico, sobretudo na forma de traduzir a herança da “segurança, primeiro” para a era digital.
Prova: os problemas com as atualizações remotas de “software” (OTA) e as motorizações híbridas Plug-In (PHEV) e elétricas posicionaram-na em 31º entre 32 fabricantes no estudo de fiabilidade de 2026 da empresa de análise de mercado e consultoria J.D. Power, com nada menos do que 296 problemas relatados por cada 100 carros! O trabalho realizou-se apenas nos EUA. (NDR, O número 296 refere-se à pontuação obtida pela Volvo no J.D. Power 2026 U.S. Vehicle Dependability Study (VDS), publicado em fevereiro de 2026. Esta pontuação representa 296 problemas relatados por cada 100 veículos (PP100) após três anos de utilização, neste caso, proprietários de modelos de 2023).
No mesmo estudo da J.D. Power, pior do que a Volvo, somente a Volkswagen, com 301 problemas por cada 100 carros, mas a marca alemã não beneficia da imagem nem do posicionamento “premium” do fabricante escandinavo. Em 2025, Volvo na 23ª posição, com 242 problemas registados. Nesta “prova dos nove” à fiabilidade, consideram-se somente as queixas dos proprietários após três anos de utilização dos carros. Os resultados são taxativos e os suecos não ignoram os factos.
A Volvo, no passado recente, deixou de propor carros simples e, por isso, fiáveis. O investimento da marca sueca concentrou-se no desenvolvimento e a produção de geração nova de automóveis, mais luxuosa, sim, mas também muito complexa no plano tecnológico. O impacto foi imediato, com a descida imediata da fiabilidade, devido a problemas de “software”. 240 e 940 eram carros robustos com reparação fácil, mas esta identidade adquirida pelo fabricante durante as décadas de 1970 e 1980, aparentemente, é… passado!
Introdução da SPA, início dos problemas
E a mudança, na linha do tempo, identifica-se muito facilmente. Em 2010, quando a Geely comprou a Volvo à Ford, investiu-se em plataforma nova, a SPA, a base do XC90 introduzido no mercado em 2016. O plano era introduzi-la em toda a gama e adotar sistemas de segurança e tecnologias de conetividade pioneiros. A ambição era promover a imagem da marca, propondo interiores minimalistas e “premium”. Visualmente, estes carros com monitores digitais de grandes dimensões e (quase) sem comandos físicos impressionavam, mas havia o outro lado da moeda…
Os primeiros Volvo baseados na SPA confrontaram-se com muitos problemas nos motores, sobretudo nos equipados com sistemas híbridos, e também dispunham de sistemas multimédia que bloqueavam frequentemente. A marca mudou para a tecnologia Android Automotive, mas a opção trouxe problemas novos. Em 2019, a marca encontrava-se já mal posicionada no estudo de fiabilidade da J.D. Power e a situação agravou-se de ano para o ano. De resto, até a Toyota, outrora a referência em matéria de fiabilidade, está confrontada com “contratempo” do mesmo tipo. O padrão é consistente: mais complexidade técnica e tecnológica, mais problemas!
Elétricos e híbridos Plug-In menos fiáveis
E os estudos da J.D. Power provam que os automóveis com motorizações elétricas e híbridas Plug-In têm mais problemas (212 por 100 carros nos primeiros e 237 nos segundos). E a Volvo, quando passou a “vender” estilos de vida em vez de viaturas, como fizeram as rivais alemãs, o que significa mais “design” e tecnologia, e menos engenharia de qualidade, independentemente do aumento nas vendas, sacrificou a fiabilidade.
No estudo de 2026, Lexus primeira entre as marcas “premium”, o que sucede pelo quarto consecutivo (151 problemas por 100 carros após três anos de utilização), e Buick número um entre os fabricantes generalistas (160).
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