WRC, Thierry Neuville: “Estradas de asfalto novas são sempre um desafio”
Thierry Neuville, piloto da Hyundai, encara a profunda reestruturação do Rali da Croácia como um desafio logístico e técnico sem precedentes. Com uma base e percurso renovados, a prova promete ser decidida pela confiança na aderência e pela gestão de uma posição de estrada desfavorável.
A edição de 2026 do Rali da Croácia, prova pontuável para o Campeonato do Mundo de Ralis (WRC), apresenta-se com uma face totalmente renovada. Com uma nova base operacional e um itinerário largamente inédito, a prova desloca-se para zonas costeiras, prometendo uma atmosfera distinta, mas mantendo a reputação de ser um dos eventos de asfalto mais implacáveis do calendário.
O desafio do desconhecido com as novas especiais
Para Thierry Neuville, o experiente piloto da Hyundai de 37 anos, a mudança é bem-vinda, apesar das incertezas inerentes. O belga, que conta com 185 partidas no WRC, destaca o entusiasmo de trabalhar sobre terreno virgem.
“Gosto do desafio e estou ansioso pelas novas especiais da Croácia. Todo o rali acontece numa nova área perto da praia, por isso será uma excelente atmosfera. Estradas de asfalto novas são sempre um desafio, especialmente com meteorologia variável”, afirma Neuville.
A componente técnica da preparação assume um papel preponderante quando o traçado é desconhecido. O piloto sublinha a importância do reconhecimento: “Gosto sempre de tirar notas em asfalto e confirmá-las na segunda passagem do ‘recce’; é muito divertido.”
Uma “Montanha-Russa” de baixa aderência
Mesmo com troços novos, a essência do Rali da Croácia — a instabilidade do piso — deverá manter-se. A prova é caracterizada por estradas estreitas, muitos saltos e cristas, onde a confiança do piloto no carro é o único fator que permite extrair velocidade real.
Neuville descreve o evento como um dos mais duros em asfalto devido à “baixa aderência” e às “condições meteorológicas desafiantes”. Segundo o piloto, existe muito “corte” nas trajetórias, o que suja o asfalto e altera o comportamento do carro: “É um pouco como uma montanha-russa em termos de perfil das especiais. Há muitas cristas, saltos e troços de montanha, mas sempre com uma velocidade considerável e geralmente bastante estreitos. É preciso ter 100% de confiança e sentir a aderência. Só assim se consegue andar à velocidade real”, explica o piloto da Hyundai.
O fator meteorológico e a posição na estrada
Um dos maiores receios da equipa sul-coreana prende-se com a chuva. Neuville admite que a sua posição de estrada — sendo dos primeiros a partir — poderá ser um entrave crítico caso as condições piorem: “Com a nossa posição na estrada, será muito desafiante. Há muito corte, as estradas ficarão sujas e isso não será vantajoso para nós. Além disso, as mudanças de aderência são massivas e não é isso que queremos”, confessa o belga, em tom pragmático.
Estratégia e calendário: a gestão do asfalto
O Rali da Croácia insere-se num ciclo de três provas de asfalto quase consecutivas, apenas interrompido pelo Rali de Portugal antes do Rali do Japão. Esta sequência impõe uma carga de trabalho suplementar às equipas técnicas, que têm de alternar configurações de suspensão e diferenciais em curtos espaços de tempo.
Embora Neuville veja com bons olhos a continuidade do trabalho no asfalto para “continuar a trabalhar nas afinações do carro”, reconhece que a alternância de superfícies não é ideal: “Não é fácil mudar de asfalto para terra e depois novamente para asfalto. Também para a equipa, há mais trabalho para preparar o carro e o ‘set-up’; torna tudo muito desafiante.”
Quanto aos objetivos, Thierry Neuville mantém os pés assentes na terra, admitindo que a Hyundai ainda procura a paridade de ritmo nesta superfície: “Sabemos que o asfalto é um desafio para nós, por agora, e ainda não temos o ritmo necessário, mas estamos a trabalhar nisso.” O sucesso na Croácia dependerá, assim, de uma combinação precisa entre a meteorologia, a afinação saída dos testes e a capacidade de improvisação da dupla belga perante o novo traçado.
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