Taka Katsuta vence Rali da Croácia, Neuville ‘cai’ na PowerStage, Lancia regressa ao top 10 do WRC
Os ralis são uma ‘coisa’ incrível. Uma saída de estrada depois de apanhar terra no asfalto levou Thierry Neuville (Hyundai i20 N Rally1) a sair de estrada e a perder imenso tempo, ‘entregando’ desta forma o triunfo a Takamoto Katsuta (Toyota GR Yaris Rally1), que ficou a saber que iria vencer aos microfones do WRC.com.
Não foi a primeira nem será a última vez que os ralis são decididos desta forma, mas é terrível para quem passa por elas. Desistir na PEC1 como Oliver Solberg, ou na PEC3 como Elfyn Evans, ou mesmo furar e perder dois minutos como Sami Pajari na PEC14, é uma coisa, mas assim a poucos quilómetros do fim é dramático.
Thierry Neuville e a Hyundai iriam vencer pela primeira vez este ano, num rali em que a Toyota tinha desperdiçado três ‘match point’, Oliver Solberg, Elfyn Evans e Sami Pajari, e afinal quem acabou por oferecer o triunfo de ‘mão beijada’ não foi a Toyota, mas sim a marca coreana. Quarta prova do ano, era para ser o quarto vencedor diferente, mas não foi e desta forma, Takamoto Katsuta é o novo líder do campeonato.
Ainda não foi desta que a Hyundai e Thierry Neuville regressaram às vitórias, o Rali da Croácia acabou por cair para a Toyota depois de um fim de semana construído muito mais na sobrevivência e na gestão do que no domínio puro.
O belga tinha aproveitado uma sexta e sábado caóticos para a Toyota, que perdeu sucessivamente Oliver Solberg (Toyota GR Yaris Rally1), Elfyn Evans (Toyota GR Yaris Rally1) e no sábado Sami Pajari (Toyota GR Yaris Rally1), que se atrasou dois minutos devido a um furo, com Neuville e a Hyundai a virar a prova a seu favor e resistindo depois em “modo risco zero” na etapa final, mas nem o ‘risco zero’ chegou, e um momento que o piloto há-de explicar virou de novo o tabuleiro da prova. .
O belga da Hyundai Motorsport desistiu a poucos quilómetros do fim e Takamoto Katsuta (Toyota GR Yaris Rally1) vence pela segunda vez com Sami Pajari (Toyota GR Yaris Rally1) em segundo, depois de o jovem finlandês da Toyota ter perdido uma liderança que segurava desde a PEC3 com um furo na PEC14, o momento decisivo de um rali marcado por asfalto sujo, aderência mutável, múltiplos furos e como já referimos, os abandonos precoces de Oliver Solberg e Elfyn Evans.
Hayden Paddon (Hyundai i20 N Rally1) subiu desta forma ao pódio, o seu primeiro desde o regresso ao WRC e Yohan Rossel (Lancia Ypsilon HF Integrale Rally2) é quarto e o vencedor do WRC2. Agora, atente para uma curiosidade: Sabe quem foi o último piloto a terminar no top 10 de uma prova do Mundial de Ralis com um Lancia? Foi Jorge Bica, com Joaquim Capelo (Lancia Delta HF Integrale), no Rali de Sanremo de 1994.
Neuville esteve perto de transformar uma prova inicialmente desconfortável numa vitória construída com boa leitura táctica, mas a sorte que teve antes perdeu-a na PowerStage. A Toyota, claro, depois de estar perto de ver escapar um triunfo que parecia desenhado para Sami Pajari até a tarde de sábado se transformar num verdadeiro cemitério de pneus, acabou por vencer, destra feita também caída do céu..
Seja como for, se há algo a retirar deste rali é que a Hyundai, que teve um ‘presente’ da Toyota não mão, deixou-o cair e este partiu-se no chão. Seja como for, a Hyundai continua sem dar fortes sinais de poder lutar taco a taco com a Toyota. Vêm aí provas de terra, a começar em Portugal, se a Hyundai continuar neste registo, longe da Toyota, quase de ‘qualquer’ Toyota, então é praticamente certo que Oliver Solberg e Elfyn Evans vão lutar pelo título, e talvez Sébastien Ogier se consiga intrometer’, mas com o terceiro lugar de Monte Carlo, logo aí perdeu pontos que em 2025 fizeram a diferença. Mas quem lidera agora é Taka Katsuta.
O que definiu esta prova
O Rali da Croácia foi decidido por três factores: piso sujo, degradação extrema e capacidade de adaptação.
Na sexta-feira, a estrada foi ficando ‘contaminada’ por pedras, folhas, lama e detritos trazidos pelos cortes, penalizando muito quem vinha atrás; no sábado, algumas especiais aproximaram-se mais de um troço de terra do que de asfalto, multiplicando furos e mudando a hierarquia quase a cada passagem. E foi essa sujidade que tramou a Hyundai e Thierry Neuville.
A Toyota teve a velocidade que era precisa, e acabou por vencer, mesmo sem ter o controlo total do risco.
Elfyn Evans dominou o início e ‘caiu’; Oliver Solberg mostrou ritmo, mas ‘caiu’ logo; Pajari liderou desde a PEC3 e perdeu tudo com um furo na PEC14; Katsuta foi o único que aliou consistência à competitividade até ao fim.
Mas sendo extremamente cuidadoso. E esse valeu-lhe o segundo triunfo consecutivo.
A Hyundai, pelo contrário, começou muito menos incisiva, mas isso acabou por ser um trunfo, com isso capitalizou melhor o desgaste: Neuville cresceu com o rali, Paddon foi sólido e Fourmaux, apesar dos problemas, também chegou a mostrar bom andamento. Mas depois, veio a má sorte e o abandono de Neuville.
Já a M-Sport viveu um rali de contrastes, com flashes de Jon Armstrong e enorme resiliência de Josh McErlean, mas sem base suficiente para lutar com os melhores de forma continuada. Como, aliás, tem sido evidente desde o arranque do WRC 2026.
Olhando para o que foi o ‘Timeline do drama’, logo na PEC1, Oliver Solberg: saiu de estrada ao km 4,6 e retirou-se da luta um dos favoritos ainda antes sequer do rali ganhar forma.
Depois na PEC3 foi a vez de Elfyn Evans: depois de vencer as duas primeiras especiais e abrir 15,8s, Evans saiu de estrada e entregou a liderança a Sami Pajari.
Na PEC7, Thierry Neuville aproximou-se, reduziu a diferença para 6,3s e entrou definitivamente na luta direta pela vitória, mas só na PEC14 se deu o ponto de ruptura: Pajari furou, perdeu mais de dois minutos, Neuville assumiu a liderança e o rali mudou de ‘dono’. Até à PowerStage e aquela curva fatídica…
No domingo de controlo, Oliver Solberg foi o mais rápido, mas Thierry Neuville geriu sem atacar, protegido por uma vantagem superior a um minuto e focado apenas em levar a Hyundai à primeira vitória do ano, o que esteve perto de conseguir, mas afinal não. Apanhou terra no asfalto e só parou no meio das casas da aldeia.
Os altos e baixos dos Rally1
Thierry Neuville Neuville começou o rali sem o melhor equilíbrio no Hyundai, terminando a PEC1 a 14,2 segundos de Evans e fechando a manhã inaugural atrás dos Toyota de Pajari e Katsuta, a apenas 0,3 segundos do japonês no final da PEC4. A partir da PEC6, porém, a prova mudou para o belga, antes de mudar ainda mais na PwerStage: afinou diferenciais e suspensão dianteira, recuperou o segundo lugar, venceu a PEC7, reduziu a diferença para Pajari para 6,3 segundos e consolidou-se como principal perseguidor antes de herdar a liderança com o furo do finlandês na PEC14, encerrando o sábado com 1m14,5s de vantagem sobre Katsuta e gerindo depois o domingo sem riscos, chegando à PowerStage com o mérito de ter passado ao lado de todas as armadilhas. Ou quase… faltou a última de todas!
Takamoto Katsuta fez um rali de grande consistência, começando fora do top-3 da luta direta, mas mantendo-se sempre por perto e sem ceder ao caos que apanhou vários rivais. Subiu a segundo na PEC10, perdeu essa posição para Neuville na PEC11, voltou a aproximar-se com o melhor tempo na PEC13 e, apesar de também ter sofrido um furo na PEC14, limitou os danos, terminou o sábado em segundo a 1m14,5s e entrou no domingo com a prioridade clara de “trazer o carro para casa” e proteger um resultado de peso, que acabou por ser a uma vitória que compensa as vezes que lhe sucedeu a ele e a vitória dois para outros. Os ralis tiram, mas também dão…
Sami Pajari foi, durante grande parte do rali, o homem da vitória. Depois do abandono de Evans na PEC3, assumiu a liderança com 2,7 segundos de vantagem sobre Neuville, venceu a PEC4, ampliou para 10,2 segundos na PEC5, fechou a sexta-feira na frente com 13,7 segundos e continuou a resistir à pressão no sábado, chegando à PEC12 com 12,4 segundos de margem. Tudo ruiu na PEC14, quando um furo ao km 3,6 o obrigou a parar para trocar roda, perdendo mais de dois minutos e caindo para terceiro; a partir daí, o objectivo passou a ser salvar o pódio de um rali onde estivera tão perto da sua primeira vitória no WRC. Terminou em segundo.
Hayden Paddon fez um rali de resistência e inteligência. Nunca esteve realmente envolvido na luta pelo triunfo – nem de perto – mas foi crescendo à medida que os outros falhavam, subindo ao quarto posto após os problemas de McErlean e os abandonos de Armstrong e Fourmaux. Mesmo com um furo na PEC14, conseguiu evitar parar, limitou danos e segurou um quarto lugar muito sólido na estreia no Rali da Croácia, sempre com um discurso centrado em manter o carro inteiro num piso que descreveu, em vários momentos, como profundamente traiçoeiro. Terminou no pódio sem saber ler, mas pódio foi o que ficou escrito…
Joshua McErlean terminou fora do top 10 em virtude do atraso anterior, mas teve tanto de mérito como de sobrevivência. O piloto da M-Sport começou sólido, chegou a estar em quinto entre os Rally1, mas viveu um sábado especialmente duro, com incêndio no habitáculo na PEC10, furos sucessivos, problemas elétricos e uma luta constante para simplesmente manter o Ford Puma em prova. Ainda assim, beneficiou do desgaste geral e da sua persistência para chegar ao fim, num rali em que terminar já era, por si só, uma conquista.
Adrien Fourmaux começou bem, foi o melhor Hyundai na PEC1 e parecia capaz de lutar perto do top-5, mas um furo na PEC2 custou-lhe 1m28s e comprometeu logo a primeira etapa. Recuperou algum terreno, mas a PEC12 acabou com as suas aspirações quando saiu de estrada e danificou a traseira esquerda do Hyundai; no domingo, regressou e ainda somou quilómetros, incluindo o episódio invulgar em que Alex Coria teve de ler notas pelo telemóvel após a perda das notas físicas. Terminou para lá do top 30, mas com pontos no domingo.
Jon Armstrong foi uma das figuras-surpresa do arranque do rali. Foi terceiro na PEC1, ficou a apenas uma décima de Neuville na PEC3 e mostrou andamento suficiente para sonhar com algo grande. Mas a Croácia puniu-o sem piedade: um furo na PEC2 fê-lo cair, na PEC4 saiu largo e bateu num talude, danificando a suspensão traseira e abandonando; ainda regressou depois, voltou a assinar tempos interessantes, mas o resultado final ficou muito aquém do ritmo mostrado. E o ritmo é cada vez mais prometedor, se não para pódios, pelo menos para algo não muito longe. Dos pilotos ‘rookies’ da M-Sport nos últimos anos, é quem está a evoluir mais depressa, exceção feita a Martins Sesks, que é de outro patamar.
Elfyn Evans parecia ter o rali controlado logo de início, após o abandono de Solberg. Venceu a PEC1 e a PEC2, aproveitou a estrada mais limpa e abriu 15,8 segundos sobre Pajari, deixando a sensação de que poderia gerir a partir daí. A PEC3 destruiu esse cenário: saiu de estrada e abandonou, perdendo uma oportunidade clara; regressou depois e foi um dos homens do “super domingo”, lutando por pontos extra e terminando entre os mais rápidos da fase final.
Oliver Solberg foi o primeiro grande drama da prova. Saiu de estrada logo na PEC1, ao km 4,6, e hipotecou imediatamente qualquer hipótese de lutar pela geral. Regressou no sábado e transformou a frustração em velocidade pura: venceu consecutivamente as PEC9, 10, 11 e 12, voltou a destacar-se nas PEC15, 17, 18, 19 e 20, tornando-se a referência do domingo, usando o ritmo como única resposta possível ao abandono madrugador. Somou pontos máximos do Super-Domingo e PowerStage. Depois do que lhe sucedeu antes, fez o que tinha a fazer para somar pontos.

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12 Abril, 2026 at 19:42
Isto é rali: “Incrivél!