Nasser Al Attiyah limita danos em Portugal: “não é mesmo uma prova fácil para ninguém”

Por a 22 Março 2026 17:50

Nasser Al Attiyah deixou Portugal com um saldo muito abaixo do habitual em termos de pontos, mas conseguiu evitar um desastre na luta pelos títulos do Mundial de Rally-Raid, ao somar um segundo lugar na derradeira etapa e manter a Dacia na frente da classificação de construtores.

O campeão em título, que chegara ao bp Ultimate Rally-Raid Portugal na liderança do W2RC graças aos 73 pontos acumulados no Dakar, saiu da ronda lusa com apenas mais 5 pontos, muito aquém das expectativas para o líder do campeonato.

Ao longo da semana, o qatari nunca esteve verdadeiramente ao nível a que habituou o pelotão. O Dacia Sandrider não foi além de um oitavo lugar nas duas primeiras especiais da categoria Ultimate, antes de um problema de bateria o deixar pelo caminho na terceira etapa e arruinar qualquer aspiração à vitória geral. A partir daí, a estratégia mudou: mais do que discutir o rali, Al Attiyah passou a correr para minimizar danos e recolher pontos de etapa sempre que possível, regressando ao top 5 apenas na penúltima especial, ainda assim “um corte abaixo” do seu padrão habitual.

A situação não é inédita na carreira do tricampeão mundial. Em 2023, depois de vencer o Dakar, Al Attiyah também saiu de mãos a abanar da segunda ronda em Abu Dhabi, após um capotanço quando seguia na liderança, e viu então Sébastien Loeb assumir o comando provisório do campeonato. Ainda assim, acabou por recuperar e selar o título no final da temporada, reforçando a ideia de que é, acima de tudo, um sobrevivente em contexto de campeonato longo.

Perante os que poderão estar apressados em descartá-lo da luta deste ano, o qatari optou por uma leitura pragmática da ronda portuguesa. “O Rally-Raid Portugal não é mesmo uma prova fácil para ninguém e percebemos que a prova teve muita água, mas tudo bem. Tirando o terceiro dia em que parámos, o resultado podia ser bom. Pelo menos hoje conquistamos um bom resultado e estamos a aproveitar”, afirmou no final.

Mais do que o registo individual, Al Attiyah sublinhou o valor do resultado coletivo: “Ok, terminou, estamos muito felizes por termos também a liderança dos fabricantes. O Seb venceu e o Lucas terminou em quarto. É um resultado realmente muito bom. Tenho a certeza de que para a Argentina pode ser melhor.”

Com Sébastien Loeb a aproveitar o rali português para assumir a dianteira na classificação de pilotos, Al Attiyah sai de Portugal pressionado, mas longe de estar fora da discussão. A história recente mostra que, perante a adversidade, o qatari tende a reagir. A próxima ronda, na Argentina, pode ser o próximo capítulo dessa resposta.

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