WRC: Takamoto Katsuta resiste ao caos e faz história no Rali Safari/Quénia

Por a 15 Março 2026 14:00

Primeira vitória de Katsuta e marco histórico para o Japão

Takamoto Katsuta escreveu uma página histórica no Mundial de Ralis ao conquistar, no Rali Safari Quénia, a sua primeira vitória no WRC, ao lado do copiloto Aaron Johnston. No seu 94º arranque, o piloto da Toyota tornou‑se o primeiro japonês a vencer uma prova do campeonato desde Kenjiro Shinozuka, em 1992, num resultado com peso simbólico adicional por surgir precisamente no rali onde alcançara o primeiro pódio em 2021.

A base deste triunfo foi lançada num fim de semana de enorme desgaste mecânico, que dizimou grande parte do pelotão dos Rally1 e transformou o sábado num dia de autêntico caos competitivo. Já no domingo, Katsuta partiu para a etapa final com 1m25,5s de vantagem e optou por gerir o risco: resistiu à tentação de atacar tempos absolutos em Oserengoni e Hell’s Gate e confirmou a vitória com 27,4s de margem.

No final, visivelmente emocionado, Takamoto Katsuta disse apenas: “Não sei o que dizer. Tivemos tantas dificuldades e momentos complicados. A equipa acreditou sempre em mim quando eu falhava”.

Finalmente, Hyundai…

Adrien Fourmaux completou o rali num sólido segundo lugar, assegurando o 10.º pódio da carreira e o primeiro da época para a Hyundai, após um fim de semana marcado por problemas de sobreaquecimento. Sami Pajari fechou o pódio, repetindo o resultado da Suécia, apesar de um furo em alta velocidade no sábado que lhe custou cerca de cinco minutos. Esapekka Lappi terminou em quarto, numa prova difícil, com subviragem e vários furos, enquanto Robert Virves venceu o WRC2 e fechou um impressionante quinto lugar absoluto com o Škoda Fabia RS Rally2.

Enquanto Katsuta geria a vantagem, Oliver Solberg, Sébastien Ogier e Elfyn Evans regressaram no domingo sob as regras de reinício para disputar os pontos de Super Domingo e da Power Stage. Solberg respondeu à deceção de sábado com agressividade controlada, vencendo a Power Stage por 2,8s face a Ogier e arrecadando o máximo de pontos ‘dominicais’. Apesar do abandono de segundo classificado no sábado, o ritmo mostrado permitiu a Evans manter a liderança do campeonato, agora com 66 pontos.

Sexta‑feira: Solberg lidera sob pressão de Ogier num Safari já traiçoeiro

O guião do rali começou a escrever‑se na sexta‑feira com Oliver Solberg a fechar o dia na frente, com apenas 1,0s de vantagem sobre Sébastien Ogier, após uma jornada que já misturara lama, trilhos cavados, problemas mecânicos e até encontros com vida selvagem. O sueco, em Toyota GR Yaris Rally1, arrancara com uma vantagem confortável, mas viu essa margem ser progressivamente reduzida à medida que Ogier lançava um ataque sustentado na parte da tarde.

As dificuldades começaram logo cedo, com a anulação da SS3 Camp Moran devido ao estado extremo do piso, que impedia a circulação em segurança de viaturas médicas e técnicas. O pelotão entrou diretamente em Loldia, onde Solberg cometeu um erro ao alargar uma direita e sair para os arbustos, perdendo cerca de 10 segundos antes de reencontrar o ritmo.

À medida que as especiais secavam, as pedras e os regos profundos tornaram‑se a principal ameaça. Ogier tirou partido das novas condições, assinando os melhores tempos na SS7 e SS9 e reduzindo, troço a troço, a diferença para o líder. Solberg perdeu terreno adicional na SS8, após um furo traseiro direito que o obrigou a gerir danos durante a especial, com uma perda estimada em 30 segundos. À entrada para o último Mzabibu, a vantagem entre ambos já estava reduzida a um único segundo. No final do dia, o sueco admitiu que “tentou o melhor”, descreveu as especiais como “novamente muito escorregadias” e lembrou que já tinha “1-0” numa luta anterior com Ogier, prometendo “ir de novo à carga” no sábado.

A Toyota fechou o dia com domínio claro: Elfyn Evans assegurou o terceiro lugar, a 20,5s de Ogier, depois de um dia focado em gerir problemas de equilíbrio no Yaris. Sami Pajari assinou uma das prestações em destaque, recuperando de um quase capotamento em Loldia para vencer as especiais Geothermal e Kedong de manhã, e voltar a ser o mais rápido em SS10, apesar de uma penalização de 20 segundos por ter saído tarde da assistência.

Takamoto Katsuta, que mais tarde viria a ser o herói do rali, teve uma sexta‑feira bem mais complicada: um duplo furo na frente obrigou‑o a gerir a ausência de pneus suplentes e fê‑lo cair para sétimo, atrás dos Hyundai de Thierry Neuville e Adrien Fourmaux. Neuville teve de lidar com um pião ao travar para uma curva na SS4 e reparar um radiador danificado à tarde, mas terminou o dia em quinto, apenas 5,0s à frente de Fourmaux. Esapekka Lappi encerrou o top 8 da geral, após uma jornada que incluiu um momento insólito em que teve de abrandar para seguir, em primeira velocidade, uma família de girafas durante cerca de 300 metros, antes de escorregar contra uma árvore perto do final da SS9.

No campo da M‑Sport Ford, o terreno queniano também deixou marcas. Josh McErlean abandonou na SS7 depois de um impacto numa zona de travagem que rebentou um pneu, danificou a proteção inferior e provocou uma fuga terminal na caixa de velocidades. Jon Armstrong, por seu lado, viu um braço de suspensão traseiro partir na SS9, sendo obrigado a uma reparação de recurso em plena estrada para conseguir levar o Puma Rally1 até ao parque final do dia.

No WRC2, Robert Virves assumiu o comando da categoria ao superar Gus Greensmith durante a tarde. O britânico, a gerir um problema de caixa, optou pela prudência, permitindo a Virves construir uma vantagem de 14,5s rumo a um sábado que acabaria por ser decisivo no caminho para a vitória de classe e um notável quinto lugar absoluto.

Sábado de “carnificina” abre caminho para a liderança de Katsuta

A viragem decisiva do rali aconteceu no sábado, num dia de desgaste extremo que deixou Katsuta a gerir uma vantagem de 1m25,5s à entrada para a etapa final. Numa prova já conhecida pela dureza, a segunda etapa elevou o nível de caos a um patamar pouco habitual na era moderna do WRC, com o famoso troço Sleeping Warrior e a respetiva secção de ligação a reescreverem por completo a classificação.

Até então, a Toyota controlava com um triplo comando, mas o cenário mudou rapidamente. Elfyn Evans, líder do campeonato, foi o primeiro grande “casualty”, abandonando em pleno Sleeping Warrior com danos terminais na suspensão traseira direita. Pouco depois, já na ligação em direção ao parque de assistência de Naivasha, o rali virou‑se do avesso: Oliver Solberg, que liderava, foi forçado a parar devido a um problema de alternador após ter atravessado a lama praticamente “às cegas” por falta de líquido do limpa‑vidros; quase em simultâneo, Sébastien Ogier viu a sua recuperação interrompida por uma falha elétrica na mesma zona.

Essas desistências colocaram Katsuta no comando. O japonês tinha assumido deliberadamente uma abordagem de sobrevivência, sobretudo depois de um duplo furo em Elmenteita que o obrigara a completar o restante percurso da manhã sem sobressalentes. A estratégia prudente rendeu dividendos máximos, com o piloto a herdar uma liderança superior a um minuto enquanto muitos dos rivais chegavam a custo à assistência.

A tarde manteve o tom de dureza. Thierry Neuville, que iniciara o ciclo vespertino em segundo apesar de problemas de sobreaquecimento, ficou pelo caminho na segunda passagem por Soysambu, vítima de três furos sem pneus de reserva. Isso abriu espaço para Adrien Fourmaux consolidar o segundo lugar, após uma etapa em que o francês admitiu ter focado tudo em “proteger o carro” e evitar riscos desnecessários, mesmo depois de somar um triunfo de troço em Soysambu.

Sami Pajari, por seu lado, segurou um notável terceiro lugar absoluto, apesar de uma ‘explosão’ de pneu em alta velocidade em Elmenteita, que lhe causou danos de carroçaria significativos e lhe custou mais de cinco minutos.

Com o carro reparado pela Toyota em assistência, o finlandês respondeu com vitórias de especial e fechou o dia em posição de pódio.

FOTOS @World

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