GP China F1: Pole Sprint para George Russell com ‘dobradinha’ Mercedes

Por a 13 Março 2026 08:36

George Russell (Mercedes) estreou-se nas pole position das corridas Sprint, a Mercedes volta a dominar uma sessão com Kimi Antonelli (Mercedes) a 0.289s do seu companheiro de equipa com o Campeão em título, Lando Norris (McLaren Mercedes) na terceira posição a 0.621s da frente.

Lewis Hamilton (Ferrari) foi quarto na frente de Oscar Piastri (McLaren Mercedes) e Charles Leclerc (Ferrari) com

Pierre Gasly (Alpine Mercedes) a assegurar um inesperado sétimo posto na frente de Max Verstappen (Red Bull Ford), com Oliver Bearman (Haas Ferrari) e Isack Hadjar (Red Bull Ford) a fecharem o top 10.

George Russell confirmou em Xangai que a Mercedes é, para já, a referência do novo regulamento: depois de dominar o único treino livre, o britânico conquistou a pole para a Sprint com uma volta em 1m31,520s, batendo Kimi Antonelli por 0,289s e deixando o primeiro não‑Mercedes, Lando Norris, já a seis décimos.

A equipa de Brackley garantiu assim um ‘bloqueio’ da primeira linha para a corrida curta de sábado – ainda que com uma nota de rodapé importante: Antonelli vai ser investigado por alegado bloqueio a Norris na Curva 1, enquanto Pierre Gasly e Max Verstappen serão analisados por um incidente de ‘impeding’ na Curva 14.

Filme da sessão

A primeira sessão de Sprint Qualifying em 2026 começou num clima de “corrida contra o relógio”. Com menos pneus do que num fim de semana normal e apenas 12 minutos em SQ1, o trânsito no final da linha das boxes era logicamente intenso logo na abertura, com Bottas a inaugurar a pista para a Cadillac, seguido pelos Red Bull de Verstappen e Hadjar e pelo Audi de Hülkenberg.

Numa fase em que as equipas ainda tentavam perceber o comportamento dos compostos C2, C3 e C4, a prioridade era evitar bloqueios de rodas que arruinassem o único jogo de pneus planeado para cada segmento.

Um primeiro golpe caiu cedo: a Cadillac confirmou um problema no sistema de combustível no carro de Sergio Pérez, impedindo o mexicano de participar. Com ele automaticamente eliminado, apenas cinco pilotos caíram na SQ1.

À medida que os tempos começavam a entrar, Leclerc colocava a Ferrari no topo, dois décimos à frente dos Red Bull, com Hadjar a surpreender ao bater Verstappen por 0,053s. Hamilton respondia com uma volta forte e subia a primeiro, meio segundo mais rápido do que o colega de equipa Russell, antes de este sair finalmente das boxes e marcar 1m33,030s, sete décimos mais rápido do que qualquer outro carro não‑Mercedes. No fundo da tabela, Williams, Aston Martin e Cadillac lutavam para sobreviver. Numa última série de voltas rápidas, Gasly entrava no top 10, mas Carlos Sainz não melhorava e ficava pelo caminho, acompanhado por Albon, Alonso, Stroll e Bottas. Franco Colapinto respirava de alívio ao segurar o 16.º tempo, última vaga de acesso a SQ2.

Susto na Red Bull

No segundo segmento, com pneus médios obrigatórios, a tensão deslocou‑se para a luta entre Audi, Alpine, Haas e Racing Bulls pelas derradeiras vagas no grupo dos 10 melhores – com o fantasma de uma surpresa na Red Bull, já que Verstappen era apenas 11º e Hadjar 14º na primeira passagem.

Os McLaren optaram por uma estratégia de dupla volta de preparação, atrasando a resposta, enquanto Gasly, Bearman e Hadjar guardavam o ataque para o final.

Hülkenberg brilhou desde cedo, colocando o Audi entre as Ferraris, e Hamilton repetia a fórmula da primeira parte, saltando para o topo da tabela com uma volta limpa. Mas Russell voltaria a dar a última palavra, melhorando para 1m33,030s e deixando Antonelli, Hamilton e Leclerc alinhados logo atrás. No sprint final, Hadjar subia a nono e empurrava Hülkenberg para fora por apenas 0,015s, um golpe cruel para o alemão. Ocon, Lawson, Bortoleto, Lindblad e Colapinto juntavam‑se a ele nos eliminados de SQ2.

Mercedes mais de meio segundo na frente

Chegados à SQ3, a pista estava mais quente – 27°C de asfalto – e com bastante borracha, cenário ideal para um “tiro” único com pneus macios. A Mercedes não hesitou e enviou logo os dois carros para a frente do comboio, ciente de que, como explicava a estratega Ruth Buscombe, “este é o segmento que define a grelha, e a Mercedes não quer ser nada menos do que primeiro e segundo, ainda por cima sabendo que, na Sprint, tudo pode decidir‑se no arranque”. Gasly inaugurou os tempos de referência com 1m33,571s, Bearman colocava o Haas quatro décimos atrás e Hadjar intercalava os dois, mas a expectativa estava guardada para a resposta das equipas de topo.

Verstappen foi o primeiro dos “grandes” a aparecer no topo, 0,007s à frente de Gasly e 0,049s melhor do que Hadjar, antes de Leclerc baixar o tempo e Hamilton, numa volta algo desorganizada, se colocar logo atrás do monegasco. Quando Antonelli lançou o seu primeiro ataque, o cronómetro mostrou o quão bom é o equilíbrio na Mercedes: o italiano fez melhor volta do que todos os outros por apenas 0,032s sobre Leclerc. Só que, segundos depois, Russell fechou uma volta ainda mais forte e colocou três décimos de margem sobre o colega de equipa.

As equipas ajustaram o plano para um derradeiro “one shot”. Com seis minutos para o final, McLaren, Gasly, Bearman e Hadjar permaneceram nas boxes, guardando pneus para um último ataque, enquanto Mercedes e Ferrari garantiam tempos seguros. Com quatro minutos por jogar, Antonelli voltava a brilhar, igualando Russell nos dois primeiros setores, mas não conseguindo traduzir o ritmo no último: 1m31,880s, ainda assim suficiente para assumir provisoriamente a pole com 0,032s sobre Leclerc.

Russell, porém, tinha resposta guardada. O líder do campeonato tirou tudo do sector final e estabeleceu 1m31,520s, deixando Antonelli a 0,289s e, na prática, a selar a primeira fila totalmente prateada.

Nos dois minutos finais, Norris, irritado por se sentir bloqueado por Antonelli numa volta anterior – incidente de que a direção de prova tomaria nota – partia para a última tentativa com tudo para ganhar. Cruzou a linha e subiu a terceiro, relegando Piastri para quarto.

O australiano também melhorou, mas não o suficiente para bater o colega de equipa ou Leclerc, que optara por ficar nas boxes, considerando seguro o seu lugar no segundo grupo. Gasly fixou‑se em sétimo, num fim de dia positivo em que bateu o antigo companheiro Verstappen, enquanto Bearman garantiu o nono tempo, intercalando os Red Bull ao ficar à frente de Hadjar.

A própria Red Bull, em contraste com os anos de domínio recente, parecia perdida em Xangai: Verstappen e Hadjar terminaram apenas em oitavo e décimo, sem nunca mostrar ritmo para incomodar Mercedes, McLaren ou Ferrari.

Quando a bandeira de xadrez desceu, a história da primeira Sprint Qualifying do ano estava escrita: Russell na pole para a Sprint, Antonelli logo ao lado, Norris e Hamilton na segunda linha e um pelotão em que Gasly e Bearman aproveitaram as sobras para se intrometer na luta da frente. Falta agora saber se as investigações por ‘impeding’ a Antonelli, Norris, Gasly e Verstappen alterarão a grelha – mas, em pista, a mensagem ficou clara: neste início de era, Xangai é território Mercedes.

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2 comentários

  1. NOTEAM

    13 Março, 2026 at 13:48

    Todas as mudanças nos regulamentos normalmente têm sido um passo atrás, pelo menos nas últimas décadas, mas nada se aproxima do nível de desilusão brutal em relação ao que tenho visto em 2026.
    Uma palavra para o Russell, que é um talento digno de se tornar campeão mundial, e sinceramente espero que o seja, mas para já não contem comigo para assistir a isto.

  2. JoaoLima

    13 Março, 2026 at 16:00

    Noteam, acompanho a Formula 1 desde o final dos anos 60 e desde 1972 que não há uma única corrida que não tenha visto. Com isto, já assisti imensas alterações. Algo que aprendi foi o não me precipitar nos julgamentos. Dar tempo. E até acrescento, para já estou a gostar. Se não quer que contem consigo, tem bom remédio. Ninguém o obriga a assistir. Eu vou continuar com o mesmo entusiasmo de sempre.

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