George Russell (Mercedes) estreou-se nas pole position das corridas Sprint, a Mercedes volta a dominar uma sessão com Kimi Antonelli (Mercedes) a 0.289s do seu companheiro de equipa com o Campeão em título, Lando Norris (McLaren Mercedes) na terceira posição a 0.621s da frente.
Lewis Hamilton (Ferrari) foi quarto na frente de Oscar Piastri (McLaren Mercedes) e Charles Leclerc (Ferrari) com
Pierre Gasly (Alpine Mercedes) a assegurar um inesperado sétimo posto na frente de Max Verstappen (Red Bull Ford), com Oliver Bearman (Haas Ferrari) e Isack Hadjar (Red Bull Ford) a fecharem o top 10.
George Russell confirmou em Xangai que a Mercedes é, para já, a referência do novo regulamento: depois de dominar o único treino livre, o britânico conquistou a pole para a Sprint com uma volta em 1m31,520s, batendo Kimi Antonelli por 0,289s e deixando o primeiro não‑Mercedes, Lando Norris, já a seis décimos.
A equipa de Brackley garantiu assim um ‘bloqueio’ da primeira linha para a corrida curta de sábado – ainda que com uma nota de rodapé importante: Antonelli vai ser investigado por alegado bloqueio a Norris na Curva 1, enquanto Pierre Gasly e Max Verstappen serão analisados por um incidente de ‘impeding’ na Curva 14.
Filme da sessão
A primeira sessão de Sprint Qualifying em 2026 começou num clima de “corrida contra o relógio”. Com menos pneus do que num fim de semana normal e apenas 12 minutos em SQ1, o trânsito no final da linha das boxes era logicamente intenso logo na abertura, com Bottas a inaugurar a pista para a Cadillac, seguido pelos Red Bull de Verstappen e Hadjar e pelo Audi de Hülkenberg.
Numa fase em que as equipas ainda tentavam perceber o comportamento dos compostos C2, C3 e C4, a prioridade era evitar bloqueios de rodas que arruinassem o único jogo de pneus planeado para cada segmento.
Um primeiro golpe caiu cedo: a Cadillac confirmou um problema no sistema de combustível no carro de Sergio Pérez, impedindo o mexicano de participar. Com ele automaticamente eliminado, apenas cinco pilotos caíram na SQ1.
À medida que os tempos começavam a entrar, Leclerc colocava a Ferrari no topo, dois décimos à frente dos Red Bull, com Hadjar a surpreender ao bater Verstappen por 0,053s. Hamilton respondia com uma volta forte e subia a primeiro, meio segundo mais rápido do que o colega de equipa Russell, antes de este sair finalmente das boxes e marcar 1m33,030s, sete décimos mais rápido do que qualquer outro carro não‑Mercedes. No fundo da tabela, Williams, Aston Martin e Cadillac lutavam para sobreviver. Numa última série de voltas rápidas, Gasly entrava no top 10, mas Carlos Sainz não melhorava e ficava pelo caminho, acompanhado por Albon, Alonso, Stroll e Bottas. Franco Colapinto respirava de alívio ao segurar o 16.º tempo, última vaga de acesso a SQ2.
Susto na Red Bull
No segundo segmento, com pneus médios obrigatórios, a tensão deslocou‑se para a luta entre Audi, Alpine, Haas e Racing Bulls pelas derradeiras vagas no grupo dos 10 melhores – com o fantasma de uma surpresa na Red Bull, já que Verstappen era apenas 11º e Hadjar 14º na primeira passagem.
Os McLaren optaram por uma estratégia de dupla volta de preparação, atrasando a resposta, enquanto Gasly, Bearman e Hadjar guardavam o ataque para o final.
Hülkenberg brilhou desde cedo, colocando o Audi entre as Ferraris, e Hamilton repetia a fórmula da primeira parte, saltando para o topo da tabela com uma volta limpa. Mas Russell voltaria a dar a última palavra, melhorando para 1m33,030s e deixando Antonelli, Hamilton e Leclerc alinhados logo atrás. No sprint final, Hadjar subia a nono e empurrava Hülkenberg para fora por apenas 0,015s, um golpe cruel para o alemão. Ocon, Lawson, Bortoleto, Lindblad e Colapinto juntavam‑se a ele nos eliminados de SQ2.
Mercedes mais de meio segundo na frente
Chegados à SQ3, a pista estava mais quente – 27°C de asfalto – e com bastante borracha, cenário ideal para um “tiro” único com pneus macios. A Mercedes não hesitou e enviou logo os dois carros para a frente do comboio, ciente de que, como explicava a estratega Ruth Buscombe, “este é o segmento que define a grelha, e a Mercedes não quer ser nada menos do que primeiro e segundo, ainda por cima sabendo que, na Sprint, tudo pode decidir‑se no arranque”. Gasly inaugurou os tempos de referência com 1m33,571s, Bearman colocava o Haas quatro décimos atrás e Hadjar intercalava os dois, mas a expectativa estava guardada para a resposta das equipas de topo.
Verstappen foi o primeiro dos “grandes” a aparecer no topo, 0,007s à frente de Gasly e 0,049s melhor do que Hadjar, antes de Leclerc baixar o tempo e Hamilton, numa volta algo desorganizada, se colocar logo atrás do monegasco. Quando Antonelli lançou o seu primeiro ataque, o cronómetro mostrou o quão bom é o equilíbrio na Mercedes: o italiano fez melhor volta do que todos os outros por apenas 0,032s sobre Leclerc. Só que, segundos depois, Russell fechou uma volta ainda mais forte e colocou três décimos de margem sobre o colega de equipa.
As equipas ajustaram o plano para um derradeiro “one shot”. Com seis minutos para o final, McLaren, Gasly, Bearman e Hadjar permaneceram nas boxes, guardando pneus para um último ataque, enquanto Mercedes e Ferrari garantiam tempos seguros. Com quatro minutos por jogar, Antonelli voltava a brilhar, igualando Russell nos dois primeiros setores, mas não conseguindo traduzir o ritmo no último: 1m31,880s, ainda assim suficiente para assumir provisoriamente a pole com 0,032s sobre Leclerc.
Russell, porém, tinha resposta guardada. O líder do campeonato tirou tudo do sector final e estabeleceu 1m31,520s, deixando Antonelli a 0,289s e, na prática, a selar a primeira fila totalmente prateada.
Nos dois minutos finais, Norris, irritado por se sentir bloqueado por Antonelli numa volta anterior – incidente de que a direção de prova tomaria nota – partia para a última tentativa com tudo para ganhar. Cruzou a linha e subiu a terceiro, relegando Piastri para quarto.
O australiano também melhorou, mas não o suficiente para bater o colega de equipa ou Leclerc, que optara por ficar nas boxes, considerando seguro o seu lugar no segundo grupo. Gasly fixou‑se em sétimo, num fim de dia positivo em que bateu o antigo companheiro Verstappen, enquanto Bearman garantiu o nono tempo, intercalando os Red Bull ao ficar à frente de Hadjar.
A própria Red Bull, em contraste com os anos de domínio recente, parecia perdida em Xangai: Verstappen e Hadjar terminaram apenas em oitavo e décimo, sem nunca mostrar ritmo para incomodar Mercedes, McLaren ou Ferrari.
Quando a bandeira de xadrez desceu, a história da primeira Sprint Qualifying do ano estava escrita: Russell na pole para a Sprint, Antonelli logo ao lado, Norris e Hamilton na segunda linha e um pelotão em que Gasly e Bearman aproveitaram as sobras para se intrometer na luta da frente. Falta agora saber se as investigações por ‘impeding’ a Antonelli, Norris, Gasly e Verstappen alterarão a grelha – mas, em pista, a mensagem ficou clara: neste início de era, Xangai é território Mercedes.













