F1, Alonso admite fim de semana difícil para a Aston Martin: “estamos 9 ou 10 vezes atrás”

Por a 12 Março 2026 15:15

Fernando Alonso traçou um cenário pouco animador para o Grande Prémio da China, ao admitir que a Aston Martin chega a Xangai praticamente no mesmo ponto em que saiu de Melbourne, após um arranque de temporada marcado por problemas de fiabilidade e falta de peças. O espanhol prevê “mais um fim de semana difícil”, com possível limitação de voltas em algumas sessões para proteger componentes sensíveis da nova unidade motriz Honda.

“A situação infelizmente não mudou em quatro ou cinco dias desde Melbourne”, resumiu. “Vai ser outro fim de semana difícil, a tentar compreender o carro e, eventualmente, limitar as voltas em duas sessões porque estamos curtos de peças. O objetivo é tirar algo positivo do fim de semana.”

Para Alonso, um “fim de semana positivo” em Xangai já não passa por lutar pelos pontos, mas sim por acumular quilometragem sem contratempos. O asturiano sublinhou que, em comparação com rivais como Haas e Alpine, a Aston Martin está muito atrasada em termos de trabalho de pista: “Se eles completaram 1000 voltas desde o teste de Barcelona, nós fizemos talvez 100, estamos nove ou dez vezes atrás”, explicou. “Se eles ainda não estão totalmente otimizados, imagina nós. Estamos no zero. Precisamos mesmo de voltas, de poder treinar e encontrar a janela certa no carro e no chassis.”

Alonso diz que ficaria satisfeito se saísse da China com “treinos livres mais ou menos normais, qualificação mais ou menos normal” e a possibilidade de “tentar fazer a corrida completa no domingo, se nos deixarem”.

Maturidade, passado com a Honda e papel dentro da equipa

Confrontado com as palavras de Adrian Newey, que o descreveu como estando num “lugar mental duro”, Alonso garante que a situação é menos dramática do que parece. Lembra que, numa grelha de 22 pilotos, “um ganha e 21 acabam em estado mental difícil” e que, para si, terminar em terceiro, quinto ou 17.º “dói praticamente o mesmo”.

“Fui sortudo e privilegiado por viver eras diferentes na Fórmula 1, por me divertir a guiar e, sobretudo, por ter carros competitivos em metade da carreira e mais de 100 pódios”, afirmou. “Agora, qualquer posição que não seja primeiro é a mesma dor. Estamos numa caminhada com a equipa que não é o início ideal, mas é o primeiro ano da colaboração Aston Martin‑Honda e temos de passar por este momento. Estou pronto para ajudar o máximo possível.”

Sobre a comparação com a anterior ligação à Honda, há dez anos, Alonso diz ver hoje as coisas “com outra maturidade”, mas recusa a ideia de que tenha sido injusto no passado. Recorda que ele, Jenson Button, Stoffel Vandoorne e a própria McLaren diziam que o projeto não estava pronto – algo que, em retrospetiva, considera ter ficado provado.

“Na altura parecia que eu era o louco a criticar”, apontou. “Agora, quando as pessoas olham para trás, entendem melhor os problemas. Não era só o Fernando, éramos todos a dizer que a unidade de potência não estava madura quando começámos.”

Quanto ao presente, Alonso descreve um trabalho conjunto mais estruturado, em que Aston Martin e Honda dividem tarefas de análise de dados, vibrações e gestão da bateria, numa tentativa de acelerar a resolução dos problemas.

“Agora estamos num mundo diferente de Fórmula 1, com muitos dados, GPS e análises dos outros carros”, explicou. “Podemos alocar recursos para ajudar a Honda em algumas áreas da unidade de potência, para eles se focarem noutras. Somos uma equipa. É um início aos solavancos, espero que não dure muito, mas também não será uma solução imediata.”

Calendário da recuperação: primeiro fiabilidade, depois performance

Questionado sobre quando a Aston Martin poderá voltar a ter fins de semana “normais”, Alonso admitiu não ter ainda um horizonte claro. O espanhol diz que continuam a surgir “problemas novos, de sítios inesperados”, sinal de que a equipa ainda não está “por cima” da situação.

“É difícil de adivinhar”, admitiu. “Temos ainda demasiados problemas e problemas desconhecidos que aparecem dia após dia. Por isso é difícil prever. Mas estamos a puxar, temos gente muito talentosa na equipa e espero que daqui a dois ou três Grandes Prémios possamos ter um fim de semana normal, pelo menos em termos de fazer voltas e completar as sessões.”

Alonso avisa, no entanto, que a competitividade plena ainda levará mais tempo. Primeiro, será necessário estabilizar a fiabilidade; só depois a equipa poderá concentrar‑se em recuperar potência e desempenho face aos rivais. “Há dois passos”, concluiu. “Quando resolvermos a fiabilidade, ainda estaremos atrás em termos de potência e outras coisas. Espero que o primeiro passo chegue depressa; o segundo, honestamente, vai demorar mais.”

FOTO MPSA Agency

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