A ‘Morte’ do bom senso: Como um ‘bug’ de tablet ‘roubou’ um pódio a Lino Carapeta
Baja Montes Alentejanos: tecnologia falha, pilotos pagam e a verdade desportiva fica pelo caminho..
Lino e Fábio Carapeta (Ford Ranger T1) seguravam com firmeza o segundo lugar dos T1 na Baja Montes Alentejanos 2026 quando a burocracia técnica e uma falha eletrónica decidiram o seu destino.
Penalizados em sete minutos por não cederem passagem – uma infração que o piloto prova ter sido causada por um “congelamento” do novo sistema de tablet da Anube -, a equipa viu o seu esforço ser atirado para o último lugar da classificação da classe. O caso levanta uma questão crítica para o Todo-o-Terreno nacional: num desporto onde a segurança e a justiça dependem da tecnologia, quem assume a responsabilidade quando o material falha?
Entre a rigidez do Colégio de Comissários e a frustração dos pilotos, a “verdade desportiva” foi a principal derrotada no Alentejo.
Lino Carapeta e Fábio Carapeta (Ford Ranger T1) eram segundos dos T1quando foram penalizados em sete minutos, depois de terem sido declarados ‘culpados’ de não cederem ultrapassagem quando um concorrente que rodava atrás lhes sinalizou isso. Só que, por avaria do sistema no carro de Lino Carapeta, esse informação nunca chegou à equipa, devido a um bug do tablet, mas a Direção de Prova teve de reportar o CCD tendo em conta os dados que tinha em mão e este atuou segundo a letra da lei.
Segundo o Artigo 11.2.6. Ultrapassagens em Setor Seletivo, das Prescrições Específicas de Todo-o-Terreno 2026: “A partir da distância de 300 metros, um concorrente pode solicitar o pedido de ultrapassagem ao concorrente que vai à sua frente, acionando o seu dispositivo de monitorização via Sistema GPS/GSM (Stella).
O concorrente que segue à frente – neste caso, Lino Carapeta – após a receção do sinal (pedido de ultrapassagem) deve responder com “OK“ nos 15 segundos seguintes e deixar ultrapassar o concorrente precedente. Caso isso não aconteça, o concorrente que segue à retaguarda solicitará novamente a ultrapassagem, tendo o concorrente mais 15 segundos para a transmissão do “OK” e facilitar a respetiva ultrapassagem, e assim sucessivamente”.
O artigo seguinte, 11.2.6.1. Relatórios do Sistema GPS/GSM (Stella) se um concorrente não responder a um pedido de ultrapassagem, será produzido por cada infração constatada, um relatório dirigido ao Diretor de Prova, para que aplique as penalizações definidas no Art.11.2.6.2, das presentes prescrições, dando imediato conhecimento ao CCD. Esse relatório servirá de documento oficial de suporte das decisões e não é suscetível de reclamação ou apelo.
Esse artigo, o 11.2.6.2. Penalizações das Ultrapassagens no Setor Seletivo diz que a) Caso o concorrente não efetue a transmissão da resposta “OK” para a realização da efetiva ultrapassagem nos 15 segundos após o momento da receção do primeiro sinal (pedido de ultrapassagem), sofrerá uma penalização de 15 segundos, caso esta situação se verifique após o segundo sinal, sofrerá uma penalização de 120 segundos caso esta situação se verifique após o terceiro sinal o concorrente sofrerá uma penalização de 300 segundos de tempo acrescidos ao tempo do SS;
Os regulamentos estão bem… mas como em quase todos, falta sempre “qualquer coisa”…
Agora atente-se no que revelou Lino Carapeta, que terá provavelmente perdido um segundo lugar. Resumindo, foi penalizado em 7 minutos no SS3 por não ceder passagem a outro concorrente, esta decisão atirou o piloto do 2º lugar para o último, destruindo o trabalho de toda a prova.
Só que os regulamentos não contemplam “atenuantes” ou até mais do que isso, pois o que aconteceu foi a equipa ser penalizada por uma ‘avaria’ que lhe é alheia, a falha técnica, o dito ‘bug’ no tabelet da Anube.
O novo sistema de navegação “congelou” com um aviso de “Perigo 3” fixo no ecrã, e e como esse aviso de perigo não desapareceu, bloqueou visualmente a notificação de que havia um concorrente atrás a pedir ultrapassagem.
Logicamente, o piloto contesta a decisão do Colégio de Comissários Desportivos de atribuir uma penalização quando a equipa era completamente alheia ao problema do tablet e não tinha como saber que devia ceder passagem.

A questão que se coloca, é simples: porquê penalizar uma equipa que prova – basta ver a foto – que o sistema avariou?
Para além disso, há consenso no paddock: outros navegadores confirmaram ter sofrido do mesmo erro técnico, provando que não houve má intenção por parte de quem não deu passagem.
Apesar das reclamações de vários concorrentes, a direção de prova manteve as penalizações, pois nada pode fazer face às decisões do Colégio de Comissários Desportivos.
Neste e em todos os casos, muito confundem onde está o ‘verdadeiro’ poder entre a “Direção de Prova” e o “Colégio de Comissários Desportivos”. Na verdade, o Diretor de Prova é como o “Maestro”, é o responsável máximo por toda a operação.
No caso das penalizações, a Direção de Prova identifica a infração através dos muitos meios que tem à sua disposição e elabora um relatório para o Colégio de Comissários. E estes decidem com os dados que têm.
O que a Direção de Prova não pode fazer é aplicar ou retirar penalizações desportivas (como estes 7 minutos). Ou seja, a direção de Prova é o “polícia” que passa o auto, mas não é o “juiz”. O Juiz é o Colégio de Comissários Desportivos (Os “Juízes”): este é o órgão soberano da prova.
É composto normalmente por três pessoas independentes da organização local. São os únicos com autoridade para aplicar sanções. Quando Lino Carapeta diz que a “Direção de Prova decidiu não retirar”, tecnicamente foi o Colégio de Comissários que, após analisar o relatório do Diretor de Prova e as alegações dos pilotos, decidiu manter o castigo.
E aqui há imutabilidade: uma vez que os Comissários assinam a decisão e a publicam, o Diretor de Prova não tem qualquer poder para a alterar. E por que é que o Diretor de Prova é o alvo das críticas? Embora não decida a penalização final, a Direção de Prova é a face visível, mas não é ela que escolheu o sistema, mas sim a federação, e este tipo de erros não é a primeira vez que sucede. O Stella funcionava bem, decidiram mudar, “está a dar raia”.
Que justiça existe num caso que todos percebem, até o público, que há um erro do material, que devia de servir de atenuante, ou mesmo neste caso de “prova decisiva” para a não culpabilidade da equipa penalizada. É que não é um erro ou omissão da equipa, mas sim uma avaria do material fornecido por uma empresa externa que é contratada pela federação. Em resumo: O Diretor de Prova não pode mudar a decisão do Colégio e a frustração de Lino Carapeta é contra o “sistema” – uma federação que impõe tecnologia que falha e um colégio de juízes que, perante a evidência da falha, prefere seguir a “letra da lei” em vez do bom senso desportivo.
Além do prejuízo no tempo, o piloto sublinha que a falha no sistema de avisos coloca em risco a integridade física dos concorrentes, já que as ultrapassagens no TT são manobras quase cegas e perigosas sem auxílio eletrónico.
“Roubaram um 2º lugar para último… Vergonhoso.” – Esta frase de Lino Carapeta resume bem o sentimento de injustiça quando a burocracia técnica atropela o mérito desportivo.
Eis o texto que Lino Carapeta publicou nas redes sociais:
“No decorrer do SS3 fomos penalizados 7 minutos por não ceder passagem a outro concorrente.
Esta penalização não é justa devido ao facto de o tablet estar desde o primeiro perigo 3 bloqueado com o aviso de “perigo 3”.
Este aviso ao estar fixo no tablet estava a sobrepor a informação que tínhamos um concorrente a pedir ultrapassagem.
Ao acabar a especial, os outros 2 navegadores que vinham em comboio declaram que passaram pela mesma situação! Falámos todos e compreendemos a situação percebendo que não foi um ato intencional de nenhum de nós.
Ao contrário da organização todos os concorrentes compreendem que é muito difícil ou mesmo impossível perceber que temos um carro atrás no decorrer da prova.
E seguimos descansados para parque fechado avisando de imediato a organização do que se tinha passado.
Após vários concorrentes reclamarem a situação, a direção de prova decidiu não retirar as penalizações colocando em causa a verdade desportiva de toda a prova mais uma vez.
Roubando assim um 2° lugar para último
Esta situação não tinha acontecido se não tivessem decidido remover o tradicional Stella que era o sistema responsável pelo aviso de ultrapassagem que funcionava bem!
Decidiram então pela primeira vez unir os sistemas no tablet sem provavelmente ter feito os devidos testes…
Colocando em risco a segurança dos concorrentes e toda a verdade desportiva!
Segue também um vídeo nos comentários de nós a tentar passar outro concorrente devido a ele também estar com o problema de não ver o pedido de ultrapassagem
ESC Online Baja Montes Alentejanos
Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting
Vergonhoso”
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