F1: Ferrari fecha testes do Bahrein na frente, altos e baixos no resto do pelotão

Por a 20 Fevereiro 2026 16:42

A Ferrari encerrou o segundo teste de pré‑época no Bahrein com o melhor tempo absoluto do último dia, reforçando a ideia de que chega ao Grande Prémio da Austrália com uma base competitiva, aparentemente capaz de discutir o topo da hierarquia.

Charles Leclerc foi o grande protagonista em Sakhir, liderando tanto a folha de tempos da manhã como no final do dia, ao registar 1:31.992 e a acumular 132 voltas, num programa contínuo que combinou simulações de qualificação com stints de corrida.

Logo no período matinal, o monegasco colocou o Ferrari SF‑26 no topo com 1:33.689, em 43 voltas, deixando Kimi Antonelli (Mercedes) a menos de três décimos e Oscar Piastri (McLaren) em terceiro, e devolvendo à Scuderia o estatuto de referência provisória neste último ensaio antes da época. Ao longo do dia, Leclerc foi baixando sucessivamente o registo, até consolidar, já ao cair da noite, uma volta em pneus C4 que o deixou quase nove décimos à frente do segundo classificado.

Norris recupera tempo e McLaren confirma presença no grupo da frente

A McLaren teve um dia de contrastes, mas terminou a sessão com motivos para otimismo. De manhã, Piastri confirmou a boa forma já deixada perceber no primeiro teste, garantindo o terceiro melhor tempo, apesar de um bloqueio visível na travagem para a primeira curva, que ilustrou o nível de exploração dos limites nesta fase.

À tarde, foi a vez de Lando Norris assumir o protagonismo. Retido na boxe durante quase duas horas devido a uma “alteração de precaução” identificada na pausa para almoço, o britânico só entrou em pista perto do pôr do sol, com pneus médios C3, numa fase em que as temperaturas desciam e a aderência melhorava.

Ainda assim, conseguiu recuperar rapidamente o atraso, primeiro aproximando‑se do top 4 e depois subindo até à segunda posição com 1:32.871, em 47 voltas, confirmando a McLaren como membro evidente do grupo de topo, atrás da Ferrari e lado a lado com Red Bull e Mercedes.

Piastri, por seu lado, concluiu o dia com 66 voltas e 1:34.352 como melhor registo, num programa mais focado na consistência e na compreensão do comportamento do carro em stint, do que em uma única volta rápida.

Red Bull sólida, mas sem “explodir” o cronómetro

Na Red Bull, Max Verstappen não procurou abertamente a volta de referência, mas manteve‑se consistentemente entre os três mais rápidos, fechando o dia em terceiro com 1:33.109 e 65 voltas. O neerlandês teve pelo menos uma tentativa de melhoria estragada por uma saída larga, sintoma de que estava a forçar o limite numa pista ainda com níveis de aderência variáveis.

Isack Hadjar, que já de manhã mostrara ritmo competitivo e alguma frustração após um erro na Curva 8, concluiu o dia com 59 voltas e 1:34.511, cumprindo o papel de garantir quilometragem e dados numa formação que continua claramente dentro do lote de candidatos naturais às primeiras posições.

Mercedes rápida, mas em alerta com a fiabilidade

Na Mercedes, o último dia de testes foi dividido entre sinais encorajadores e preocupações persistentes. De manhã, Andrea Kimi Antonelli colocou o W17 no segundo lugar da tabela com 1:33.916, igualando o número de voltas de Leclerc (43) e alternando entre voltas lançadas e séries longas em pneus médios. O jovem italiano, que sublinhou na pausa que Ferrari, McLaren, Red Bull e Mercedes formam um grupo muito compacto, voltou a dar provas de adaptação rápida ao carro e ao patamar competitivo da F1.

Contudo, a sessão matinal ficou marcada por um problema na unidade de potência que fez Antonelli parar em pista e originou uma das bandeiras vermelhas do dia, obrigando a equipa a substituir o motor. À tarde, já com George Russell ao volante, a Mercedes voltou a acumular quilometragem – o britânico fechou com 82 voltas e 1:33.197, quarto melhor registo – mas não escondeu que a fiabilidade é, neste momento, o “maior obstáculo” a ultrapassar, apesar do elevado número de voltas realizado ao longo dos testes e do shakedown de Barcelona.

Alpine, Haas, Audi e Williams consolidam o meio da grelha

No pelotão intermédio, Alpine, Haas, Audi e Williams aproveitaram o último dia para consolidar posições e perfis competitivos. Pierre Gasly voltou a mostrar consistência e terminou com o quinto melhor tempo (1:33.421) e um dos volumes de trabalho mais robustos do dia, com 118 voltas, reforçando a ideia de uma Alpine sólida em stints longos e regularmente presente na metade superior da tabela.

A Haas dividiu o trabalho entre Esteban Ocon e Oliver Bearman. De manhã, o francês colocou o monolugar num competitivo quarto posto, testando inclusivamente pneus intermédios em pista seca para avaliar o comportamento aerodinâmico em configurações de maior altura ao solo. No acumulado do dia, Ocon encerrou com 82 voltas e 1:34.494, enquanto Bearman se destacou com 1:33.487 e 88 voltas, garantindo o sexto tempo final e colocando a Haas como elemento relevante na luta pelos pontos.

A Audi saiu do Bahrein com um balanço positivo em termos de fiabilidade. Hülkenberg fez um turno limpo de manhã, com 64 voltas, e Gabriel Bortoleto acrescentou 71 à tarde, totalizando 135 voltas para a equipa. O brasileiro fechou com 1:33.755 e a sétima posição, mesmo depois de encontrar tráfego de Valtteri Bottas numa volta rápida, confirmando que o projeto alemão, ainda em fase de consolidação, deu um primeiro passo estável.

Na Williams, Carlos Sainz complementou o programa com 141 voltas e 1:34.342, terminando o dia no décimo lugar e reforçando a profundidade de trabalho de uma equipa que procura fixar‑se com regularidade na zona de pontos em 2026.

Lindblad é “maratonista” e Racing Bulls ganha quilometragem de ouro

Entre os pilotos, um dos destaques individuais foi Arvid Lindblad. O britânico, único estreante da grelha, passou praticamente o dia inteiro em pista com o Racing Bulls, acumulando 165 voltas – o maior registo do pelotão – e terminando com 1:34.149, nono melhor tempo.

Depois de uma manhã já sólida, com 34 voltas e presença no top 6, Lindblad transformou a tarde numa verdadeira maratona, fornecendo à equipa uma quantidade de dados valiosa num contexto em que a fiabilidade e a compreensão do comportamento do carro ao longo de múltiplos stints podem valer tanto como algumas décimas na folha de tempos.

Cadillac progride, mas ainda longe; Aston Martin afunda‑se em problemas

Entre as novas estruturas, a Cadillac viveu um dia misto. Valtteri Bottas registou 1:35.290 em 38 voltas, enquanto Sergio Pérez, depois de uma manhã limitada a quatro voltas e trabalhos sobretudo com grelhas aerodinâmicas, terminou o dia com 61 voltas e 1:40.842. A equipa norte‑americana ainda está claramente numa fase inicial de afinação de performance, mas conseguiu, pelo menos, reforçar a quilometragem num cenário em que a fiabilidade geral parece aceitável, mesmo que o ritmo ainda não acompanhe o grupo intermédio.

O caso mais preocupante do dia, e possivelmente de todo o teste, foi o da Aston Martin. Depois de problemas de bateria na unidade de potência no dia anterior terem travado Fernando Alonso, a Honda confirmou a falta de componentes para o sistema híbrido, forçando a equipa a um programa extremamente limitado.

Lance Stroll apenas completou seis voltas ao longo de todo o dia, nenhuma delas cronometrada, antes de a formação de Silverstone anunciar que o seu programa estava “concluído”. No conjunto do segundo teste, a Aston Martin somou apenas 128 voltas, um valor muito inferior aos rivais diretos e que deixa a equipa a caminho de Melbourne com um défice evidente de quilometragem, dados e confiança técnica.

Ensaios de arranque fecharam o teste e lançam a ponte para Melbourne

Já de noite, sob os holofotes e com o céu ainda tingido pelos últimos tons de laranja, a sessão encerrou com um conjunto de ensaios de arranque que funcionaram como ensaio geral para o que se seguirá na Austrália.

George Russell alinhou na pole simbólica, Leclerc ‘atacou’ por fora, o Audi reagiu com alguma lentidão e o Red Bull não exibiu a mesma explosão dos anos de domínio absoluto, detalhes que, embora nada conclusivos, alimentam leituras e expectativas.

Com a última bandeira vermelha do dia a servir testes de sistemas de direção de prova e os derradeiros arranques praticados como se valessem pontos, o pelotão desligou os motores com um quadro relativamente nítido: Ferrari a sair do Bahrein com o tempo de referência e forte volume de trabalho, McLaren e Red Bull muito próximas, Mercedes rápida mas em alerta com a fiabilidade, Alpine, Haas, Audi, Racing Bulls e Williams a formarem um bloco intermédio compacto – e Aston Martin a caminho de Melbourne com mais perguntas do que respostas, depois de um último dia que praticamente não lhe permitiu rodar.

FOTO Phillippe Nanchino/MPSA

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1 comentários

  1. Pity

    20 Fevereiro, 2026 at 17:24

    Esperemos que as boas indicações dadas pela Ferrari nos testes não seja fogo de palha, como há uns anos, em que o Raikkonen liderou os testes mas, depois, quando foi a sério, foram outros a destacarem-se.

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