FIA responde a dúvidas dos fãs sobre os regulamentos de Fórmula 1 para 2026

Por a 9 Fevereiro 2026 15:13

​Relação de compressão, ritmo da F1 2026, remoção do DRS, alterações aerodinâmicas… e muito mais. Muitas das perguntas sobre os regulamentos da F1 2026 são respondidas pelo diretor de monolugares da FIA, Nikolas Tombazis, e pelo diretor técnico de monolugares da FIA, Jan Monchaux. As respostas ajudam a esclarecer melhor as novas regras.

A Fórmula 1 entra em 2026 numa das maiores reformas regulamentares da sua história recente, ao combinar mudanças profundas no chassis com uma nova geração de unidades motrizes híbridas. A FIA, através do diretor de Monolugares, Nikolas Tombazis, e do diretor técnico de Monolugares, Jan Monchaux, sublinha que o objetivo central passa por manter o ADN da disciplina – os carros mais rápidos e sofisticados do mundo – reforçando simultaneamente a sustentabilidade, a competitividade e o papel do piloto.

Shakedown em Barcelona culminou anos de desenvolvimento

Os primeiros testes em pista dos monolugares de 2026, em Barcelona, representam o culminar de um trabalho iniciado em 2021, com a definição da nova unidade motriz. Ao longo deste processo, a FIA trabalhou em estreita colaboração com construtores de motores, equipas e detentores dos direitos comerciais, desenvolvendo um pacote regulamentar que exige também uma profunda adaptação interna em termos de fiscalização técnica e gestão de energia. A presença alargada da equipa técnica da FIA no shakedown permitiu validar procedimentos de controlo e conformidade, numa fase assumida como de forte aprendizagem para todas as partes envolvidas.

Os primeiros comentários dos pilotos apontam para carros “intuitivos de conduzir”, com som mais agradável e maior ênfase no input do piloto, algo que Tombazis e Monchaux consideram um sinal encorajador após anos de trabalho sob escrutínio e ceticismo de parte dos adeptos.

Ritmo em pista: diferença mínima face a 2025, ganhos a curto prazo

Questionados sobre se os carros de 2026 serão mais rápidos ou mais lentos do que os seus antecessores, os responsáveis admitem que ainda é cedo para uma conclusão definitiva, tendo em conta que as equipas estão a testar com muita instrumentação e carga de combustível, longe da configuração de qualificação.

A indicação preliminar é de que o ritmo de corrida estará próximo do observado em 2025, com variações dependentes do tipo de circuito, podendo alguns traçados registar diferenças de alguns segundos por volta.

Monchaux lembra, contudo, que a natureza da Fórmula 1 dita uma rápida evolução: os pacotes introduzidos entre o segundo e o terceiro testes e ao longo das primeiras corridas deverão recuperar rapidamente qualquer défice inicial, voltando a colocar os tempos por volta em linha ou acima dos de 2025, último ano de um ciclo técnico longo. Tombazis reforça que a competitividade e a qualidade das lutas em pista são mais relevantes do que a diferença de um segundo no cronómetro, sublinhando que o alvo do regulamento não é um número de tempo por volta, mas sim o equilíbrio entre performance, espetáculo e enquadramento técnico.

DRS desaparece como ferramenta de ultrapassagem e dá lugar à gestão elétrica

Um dos pontos mais debatidos entre adeptos prende‑se com a remoção do DRS como ferramenta de ultrapassagem. A FIA explica que, com a nova filosofia de unidade motriz – mais potência elétrica e menos potência de combustão – a prioridade passou por reduzir significativamente o arrasto aerodinâmico em reta, por razões de eficiência energética.

Na prática, os carros passarão a utilizar um “modo de reta” de baixa resistência aerodinâmica, equivalente a rodar com o DRS continuamente aberto, mas concebido como ferramenta de eficiência e não de ataque. Em paralelo, foi criado um novo “modo de ultrapassagem”, baseado em energia elétrica adicional para o carro perseguidor, que deverá oferecer um efeito global semelhante ao antigo DRS em termos de oportunidade de ataque.

Mónaco e circuitos urbanos continuam um desafio

Sobre a possibilidade de melhorar o espetáculo em circuitos historicamente difíceis para ultrapassagens, como o Mónaco, a FIA reconhece que as limitações de traçado permanecem um obstáculo significativo.

Ainda assim, a combinação de monolugares ligeiramente mais curtos e estreitos com o novo modo de ultrapassagem elétrico poderá aumentar marginalmente a probabilidade de manobras bem-sucedidas, embora sem promessas de uma revolução em provas com características urbanas extremas.

Asas móveis dianteira e traseira ao serviço da eficiência

Outra novidade estrutural é a utilização combinada de asas dianteira e traseira móveis em linha reta. Para reduzir o arrasto em reta, a asa traseira abrirá em quase todas as zonas suficientemente longas, diminuindo a resistência ao avanço. Esta alteração altera de forma relevante o equilíbrio aerodinâmico, pelo que a asa dianteira também sofrerá um ajuste coordenado – “baixando” carga – para manter um comportamento previsível para o piloto.

À aproximação da zona de travagem, ambas regressam à posição de máximo apoio, garantindo a carga aerodinâmica necessária para a fase de curva. Visualmente, o efeito será semelhante ao DRS atual, mas com uma lógica operacional distinta: eficiência energética contínua, em vez de uma janela limitada de ataque.

“Compression ratio”: controlo de custos, igualdade de ‘armas’

O rácio de compressão dos motores, tema que gerou discussão entre adeptos, é apontado pela FIA como um dos instrumentos de equilíbrio entre construtores de unidades motrizes. Tombazis recorda que um motor de quatro tempos mais eficiente tende a beneficiar de rácios de compressão elevados, mas que limites excessivos geram problemas de pré‑ignição (knock), com riscos mecânicos acrescidos.

A redução do limite de 18:1 para 16:1 foi assumida como compromisso técnico e, sobretudo, como ferramenta para atrair e integrar novos construtores de motores num quadro de custos controlados. Sem esse tipo de ajustes, a FIA admite que o campeonato poderia ter ficado reduzido a dois fabricantes dominantes, afastando novos projetos pela dificuldade em recuperar a desvantagem inicial num contexto de teto orçamental e forte restrição de desenvolvimento.

O organismo reconhece que algumas equipas e fabricantes têm explorado ao limite áreas cinzentas do regulamento, incluindo formas de elevar o rácio efetivo em condições de funcionamento de motores quentes, o que motiva discussões técnicas intensas entre FIA e construtores. A intenção é clarificar e estabilizar estas zonas antes do arranque do campeonato, evitando polémicas que desviem o foco da competição em pista para disputas jurídicas ou interpretações regulamentares.

Um campeonato de engenharia e piloto, não de “jurisprudência” técnica

Com milhares de engenheiros distribuídos por 11 equipas e vários fabricantes de unidades motrizes, a FIA admite que é estatisticamente inevitável o surgimento de interpretações inovadoras ou brechas imprevistas sempre que há uma grande revisão regulamentar.

A diferença, garantem Tombazis e Monchaux, está na determinação em recentrar o Mundial num confronto de talento de pilotos e engenheiros dentro de um quadro claro, em vez de uma competição para ver “quem interpreta melhor as regras”.

O objetivo declarado é simples: fazer de 2026 o ponto de partida de uma nova era em que a Fórmula 1 continue a ser a referência máxima em performance e tecnologia, mas com regulamentos mais robustos, energia mais limpa, maior equilíbrio competitivo e corridas onde a diferença se faça sobretudo pela qualidade de condução, de engenharia e de operação em pista.

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