Oliver Solberg vence Rali de Monte Carlo: o mais jovem vencedor de sempre
Oliver Solberg (Toyota GR Yaris Rally1) venceu o Rali de Monte Carlo naquele que foi apenas o seu segundo rali com a Toyota nos Rally1. Depois do triunfo na Estónia, uma vitória totalmente surpreendente no ‘Monte’, alcançando um feito que o seu pai, Petter Solberg, Campeão em 2003, nunca conseguiu.
Um enorme feito para o jovem sueco, pois ‘este’ Rali de Monte Carlo foi dos mais complicados em muitos, muitos anos. Até Sébastien Ogier destacou o feito do seu colega de equipa.

Três Toyota no pódio! Elfyn Evans (Toyota GR Yaris Rally1) foi segundo a 51.8s da frente, venceu a Power Stage com Sébastien Ogier (Toyota GR Yaris Rally1) a terminar no pódio a 20m02.2s do vencedor.
Oliver Solberg foi o piloto que mais pontos somou este fim de semana, 32, mas foi Elfyn Evans que venceu tanto o Super-Domingo quanto a Power Stage, assegurando só aí dez pontos mais.
Soma 27, e está apenas a cinco do seu colega de equipa. Ogier, que o ano passado venceu esta prova e somou muitos pontos extra, quedou-se este ano pelos 20 pontos.
Oliver Solberg conquistou o Rali de Monte Carlo e torna-se o mais jovem vencedor da história da prova, enquanto os pilotos celebram sobrevivência e agradecem equipas num fim de semana que entrou para a história como um dos mais duros de sempre.

Após a chegada do Turini, Oliver Solberg desceu do seu Toyota GR Yaris Rally1, e depressa foi abraçado pelo pai, namorada e mãe, num momento em que o filho, ainda incrédulo, acabara de reescrever um livro de ouro do Mundial de Ralis. Ao seu lado, Elfyn Evans batia-lhe nas costas com um sorriso largo, Sébastien Ogier assentia com respeito pelo feito do jovem sueco. Este é um Rali de Monte Carlo que não será esquecido facilmente, certamente nunca pela família Solberg.
Oliver Solberg, aos 24 anos, emergiu como o herói improvável: “Não entendo neste momento. É mais um dia muito emocional. O rali mais difícil que já fiz na minha vida. É o meu primeiro rali em asfalto no carro em asfalto e aqui estamos nós a ganhar. Só quero agradecer à Toyota pela confiança e pela crença. O trabalho em equipa tem sido excepcional”, disse o sueco, a voz embargada, enquanto Elliott Edmondson sorria ao seu lado, sabendo que os dois tinham acabado de entrar para a história como a dupla mais jovem de sempre a vencer o Rali de Monte Carlo.
Elfyn Evans, segundo classificado, não escondia a satisfação nem a generosidade para com o vencedor. “Tiro o chapéu, enormes parabéns ao Oliver, ele fez um trabalho incrível. E o Elliott também, obviamente, também está a trabalhar muito duro. Também obrigado à equipa, fizeram um ótimo trabalho”, declarou o galês, que fora pressionado até ao último metro por Ogier mas conseguiu segurar o lugar no pódio, com uma fantástica exibição em grande parte do rali e especialmente na Power Stage, que venceu.

Sébastien Ogier, o homem-célebre de Monte Carlo, teve de aceitar o terceiro lugar com a serenidade de quem já venceu aqui 11 vezes. “Foi um fim de semana difícil. Principalmente feliz por estar no pódio novamente. Com certeza, Oliver fez melhor do que todos esperavam. Ele tem feito um ótimo trabalho. É bom para o campeonato ter algo novo, ansioso para lutar com ele nas próximas provas”, afirmou o francês, que protagonizara momentos de frustração pura mas nunca baixara os braços.
Adrien Fourmaux, quarto classificado, celebrava um domingo dominante onde os Hyundai mostraram alguma velocidade em piso misto, mas longe dos Toyota que estiveram fantásticos. “Estou satisfeito com o meu domingo, espero que consigamos alguns bons pontos”, disse o francês, consciente de que os pneus tinham sido o calcanhar de Aquiles de toda a Hyundai.

Thierry Neuville, quinto, fora passageiro mais vezes do que piloto, vítima de pneus inadequados e decisões erradas. “Tínhamos apenas dois pneus com pregos e dois pneus de neve, não foi fácil. Lutando mesmo para encontrar a sensação durante todo o fim de semana. Não sei realmente como usar os pneus nestas condições. Fui passageiro mais vezes do que realmente conduzindo o carro”, confessou, ainda com um pião fresco na memória logo após o Col de Turini, logo no começo da descida.
Takamoto Katsuta, em sexto, assumia as culpas pelo fim de semana aquém das expetativas. “Não estou realmente feliz, foram condições muito, muito exigentes. Não tinha certeza do que estava errado no dia um e no dia dois. Estava a faltar algum comprometimento. Peço desculpa pela equipa, só tento melhorar e tentarei obter o melhor resultado na Suécia”, declarou o japonês, já de olhos postos no próximo ‘round’.
Hayden Paddon fechava o top Rally1 em sétimo, um regresso emocional a Monte Carlo depois de seis semanas complicadas. “Definitivamente muito desafiador. Nunca pensei que estaria aqui, as últimas seis semanas foram apenas uma ‘bagunça’ mental para ser honesto. Nunca pensei que estaria de volta aqui, quanto mais num carro de fábrica. Acho que agora não tenho mais medo do Monte, acho que posso apenas aproveitar a vida e aproveitar a oportunidade que temos”, disse o neozelandês, encontrando finalmente paz na montanha que o tinha traumatizado.

No WRC2, Léo Rossel conquistava a categoria com um Citroën C3 Rally2 dominante: “Muito, muito incrível, estou simplesmente feliz. Agradeço à equipa pelo ótimo trabalho, é o meu primeiro rali com eles. Este resultado é muito importante para o meu futuro, simplesmente feliz.” Roberto Daprà, segundo na classe, vibrava com o pódio: “Rali muito difícil, muita gente disse que foi o Monte-Carlo mais difícil dos últimos 15 anos. Estou muito orgulhoso do trabalho que fizemos neste fim de semana. Obrigado a todos, patrocinadores, parceiros e família, a equipa e o meu copiloto. Mal posso esperar para chegar ao pódio na bela Mónaco.”
Arthur Pelamourgues fechava o pódio WRC2 com um Hyundai i20 N Rally2: “Isso não é o que esperávamos. Com certeza aprendemos muito, cometemos alguns erros. Mas é Monte Carlo e nós terminamos. Primeira vez com este carro e esta categoria, é um sonho que se torna realidade. Obrigado a todos os meus parceiros, a família e a equipa. Foi uma semana louca.”
O essencial do Rali
Quinta-feira e Sexta-feira: o início traiçoeiro
Na quinta-feira à noite, as condições foram bastante difíceis,a começar logo para Joshua McErlean, o primeiro a ser ‘apanhado’. O mesmo sucedeu a Sami Pajari, apanhado na mesma curva que McErlean, partiu a suspensão e também desistiu logo na quinta-feira, regressando em Super Rali no dia seguinte.
Sébastien Ogier começou relativamente bem, ocupando o terceiro lugar, mas não conseguiu bater Elfyn Evans, que mostrava desde cedo que queria estar na frente do rali e ser, mais uma vez, candidato ao título. Mas a surpresa vinha de Oliver Solberg, a fazer a segunda prova nos Rally1, com a Toyota (já tinha feito anos antes com a Hyundai) colocou-se na liderança do rali.
Na sexta-feira, cedo problemas para Takamoto Katsuta que, devido a um impacto, acabou por danificar a direção assistida. Ficando sem ela, teve de levar o Yaris Rally1 até Gap com um esforço quase extremo. Thierry Neuville, com uma saída de estrada, perdeu uma posição para Adrien Fourmaux. A verdade é que ainda teve sorte, pois nesta especial já tinha ficado Josh McErlean, bem ‘estacionado’ enquanto Neuville teve a felicidade de ter adeptos com força suficiente para retirá-lo de lá. A Lancia perdeu Yohan Rossel logo no primeiro troço, devido a um toque.
Para Fourmaux, a sexta-feira também não foi fácil: problemas com o travão de mão, basicamente não o tinha. Portanto, todos os ‘ganchos’ típicos do Monte Carlo, foram extremamente difíceis para o francês da Hyundai.
Já Ogier tentou atacar, fez tempos mais rápidos apesar de alguns sustos. Deu o máximo, mas não se entendeu com os pneus, e mantinha-se em terceiro lugar, sem conseguir ultrapassar Evans, embora a aproximar-se do galês que, tal como Ogier, também cometeu um pequeno erro.
Lá na frente, Oliver Solberg e Elliott Edmondson foram controlando a vantagem que tinham conquistado na quinta-feira e aumentaram-na ainda mais no final do dia de sexta-feira, colocando-a em 1m8.4s perante Elfyn Evans e 1m14.9s face a Sébastien Ogier. Leo Rossel liderava o WRC2 na frente de Eric Camilli e Nikolay Gryazin.
Sábado: neve e os desafios de Solberg
Sábado foi o dia em que a neve brilhou. Caiu durante a noite e Sami Pajari foi dos primeiros a ser apanhado. Este acidente ditou o fim do rali para o finlandês que apanhou gelo negro e só parou na única árvores que ali havia nas redondezas. Paddon saiu no mesmo sítio que Sami Pajari, mas contornou-o, complicando a sua vida uns metros mais à frente. Saindo de estrada e demorando uns bons minutos, com a ajuda do público, a sair de lá.
Jon Armstrong demonstrou bom ritmo e até chegou a estar em terceiro na classificação geral, era o melhor, de forma surpreendente, ou talvez não, dos Ford Puma Rally1, ocupando a sexta posição da geral. Thierry Neuville tinha perdido o quarto lugar no dia anterior e era agora quinto, mas com um meio pião perdeu mais um pouco para o companheiro e rival na Hyundai. Adrien Fourmaux, na quarta posição da geral, também ele fez um meio pião, tal como Thierry Neuville. As diferenças dos Hyundai para os três Toyota na frente acumulavam-se.
Sébastien Ogier começou o dia como tinha terminado o anterior: a vencer especiais. Novamente ao ataque, o francês da Toyota, mas a verdade é que, logo na classificativa seguinte, houve resposta por parte de Elfyn Evans e Scott Martin, que se mantinham na segunda posição. Evans não cedia, mas também não conseguia aproximar-se de Solberg, que descobriu algo que mais nenhum dos seus adversários conseguiu.
Mas a ‘estrelinha da sorte’ continuava a estar com Oliver Solberg, pois saiu de estrada, e teve a presença de espírito para ganhar balanço afastando-se da estrada onde tinha saído, para dar a ‘volta ao cavalo’ e deixar a Doutora Inércia fazer o resto do trabalho, recolocando o carro novamente no caminho certo. E ainda conseguiu vencer o troço por 1.9 segundos.
O dia de sábado ficou fechado com o regresso ao circuito de Mónaco por parte dos carros do Mundial de Ralis. Solberg terminou o dia na liderança com 59.3 segundos de vantagem para Evans. 1m25.3 segundos era a diferença entre Ogier e Solberg no final desse dia. Leo Rossel mantinha a primeira posição nos WRC2, Eric Camilli era segundo e Roberto Daprà, terceiro.
Domingo: a etapa final e a Power Stage
Chegados ao último dia do Rali de Monte Carlo, Gregoire Munster foi o primeiro a ficar para trás com problemas técnicos no Ford Puma Rally1. Nem conseguiu arrancar para a primeira prova especial de classificação. Josh McErlean estava a fazer um bom trabalho mas cometeu um erro, e deixou o rali depois de uma forte batida de frente. O mesmo sucedeu a Jon Armstrong que também estava a fazer uma excelente estreia no Rali de Monte Carlo e nos Rally1, só rodou 700 metros na última especial até bater e ficar por ali.
Também problemas para Thierry Neuville, deu um toque num passeio ali do lado direito, furou e teve de parar para mudar uma roda. Mais tarde, na neve, novo deslize com um pião. Takamoto Katsuta, no mesmo sítio de McErlean, também tocou com a parte de trás do carro, teve mais sorte e prosseguiu. Um pião de Oliver Solberg na manhã de domingo mostrava que o sueco estava com o stress do avanço, mas a partir daí focou-se mais e levou o carro até ao fim sem problemas, a caminho da vitória, confirmando um triunfo fantástico, ficando claro que o WRC se despediu de Kalle Rovanpera e Ott Tanak, mas pode ter agora novo ‘astro’ para desfrutar. O WRC prossegue com o Rali da Suécia a meio de fevereiro.



O Autosport já não existe em versão papel, apenas na versão online.
E por essa razão, não é mais possível o Autosport continuar a disponibilizar todos os seus artigos gratuitamente.
Para que os leitores possam contribuir para a existência e evolução da qualidade do seu site preferido, criámos o Clube Autosport com inúmeras vantagens e descontos que permitirá a cada membro aceder a todos os artigos do site Autosport e ainda recuperar (varias vezes) o custo de ser membro.
Os membros do Clube Autosport receberão um cartão de membro com validade de 1 ano, que apresentarão junto das empresas parceiras como identificação.
Lista de Vantagens:
-Acesso a todos os conteúdos no site Autosport sem ter que ver a publicidade
-Desconto nos combustíveis Repsol
-Acesso a seguros especialmente desenvolvidos pela Vitorinos seguros a preços imbatíveis
-Descontos em oficinas, lojas e serviços auto
-Acesso exclusivo a eventos especialmente organizados para membros
Saiba mais AQUI






[email protected]
25 Janeiro, 2026 at 14:38
Parabéns ao Solberg!
Mais um segundo lugar para Evans…
Fantástico ver um Fiesta Rally 3 a ganhar um troço!
Realmente este rali foi um “one-off”.
rfz
26 Janeiro, 2026 at 8:43
Embora tenhamos asssistido a uma grande vitoria do Solberg, demonstrando que parece efetivamente um piloto ganhador (a Hyundai deve estar muito arrependida de o ter dispensado no passado…), em termos de campeonato, as perspetivas nao parecem ser as melhores pois, mesmo com as especificidades deste rali, ficou mais ou menos demonstrado que a Toyota tem o melhor carro e os melhores pilotos do WRC e dessa forma será, infelizmente, mais um campeonato dominado pelos japoneses. A Lancia parece ser efetivamente um carro ganhador no WRC2. Esperemos para as proximas provas para o comprová-lo