WRC, Rali de Monte Carlo/PEC14: devagar se chega ao fim: Evans e fourmaux empataram a 53.9 Km/h de média
Muita neve e gelo para começar o dia. O troço de Col de Braus / La Cabanette não foi fácil para ninguém. A neve e o gelo já tinham marcado todo o rali, mas neste troço de 12 quilómetros, pareceu que a semana inteira se concentrava numa só subida lenta, a pedir muita paciência aos pilotos. O branco acumulava-se nas bermas, a neve derretida transformava-se em lama espessa, e na ‘tal’ ‘sopa’ e os ganchos quase se faziam mais depressa a pé.
Quando os cronómetros pararam para todos, a SS14 Col de Braus / La Cabanette 1 num troço em que foi impossível andar depressa, Adrien Fourmaux (Hyundai i20 N Rally1) e Elfyn Evans (Toyota GR Yaris Rally1) dividiram o melhor tempo, Sébastien Ogier (Toyota GR Yaris Rally1) confessou não conseguir sequer “subir a colina”, Jon Armstrong (Ford Puma Rally1) surpreendeu ao ser rápido apesar de sentir que ia parado, e Oliver Solberg (Toyota GR Yaris Rally1), com o para-brisas rachado e a pressão do histórico às costas, escolheu sobreviver — perdendo alguns segundos, mas mantendo uma vantagem ainda confortável de 50,8 segundos com apenas três especiais pela frente.
Ogier está agora mais longe de Evans, mas com Fourmaux a mais de quatro minutos.
No WRC2, Léo Rossel (Citroen C3 Rally2) ganhou mais 36.0s a Roberto Daprà (Skoda Fabia RS Rally2).
Filme da especial
Josh McErlean foi o primeiro a chegar ao final, o Ford Puma a arrastar-se em média de 53,1 km/h — um número que dizia tudo sobre o estado da especial. “Muito tedioso, especialmente nos ganchos a subir, ficas lá e só esperas”, desabafou, depois de 14:26.1 a lutar contra ganchos onde parecia que o carro simplesmente não avançava. Atrás dele, Hayden Paddon aparecia com um sorriso mais leve do que em qualquer outro momento da semana. Já sem a pressão do resultado, o neozelandês assumia o dia como catarse: 14:23.6, 2,5 segundos mais rápido que McErlean. “Vamos divertir-nos hoje, o peso saiu dos nossos ombros agora. Obviamente bastante escorregadio, acho que muitas partes vão limpar. Não é muito comum precisar de 14,5 minutos para 12 quilómetros”, dizia, entre o espanto e o humor.
Takamoto Katsuta entrava em seguida, decidido a não repetir dramas. O japonês sabia que o rali lhe tinha cobrado demasiado nas últimas 48 horas e, por isso, escolheu recuar. 14:20.4, mais rápido que Paddon por 3,2 segundos, mas sem qualquer risco extra. “Não sei, muito complicado. No começo está a derreter muito, eu ‘recuei’ completamente porque quero terminar este rali”, explicou, lembrando que, para muitos, a meta de Monte Carlo valia mais do que qualquer segundo recuperado.
Depois surgiu Jon Armstrong, o estreante em Rally1 que, ao longo da prova, tinha alternado entre brilharetes e sustos. Nesta especial, optou pela abordagem mais antagónica ao ADN de piloto de ralis: ser deliberadamente lento. 14:09.7, 10,7 segundos melhor que Katsuta, mas com a sensação de estar parado. “Honestamente, parecia que eu estava parado em todo o lado. Apenas a tentar concentrar-me para obter um pouco de tração na traseira. Nunca fiz um troço tão lento na minha vida, mas olhando para os tempos, parece que fizemos um bom trabalho.” A ironia era clara: quanto mais devagar ia, mais se destacava.
Lá à frente, Thierry Neuville começava a sentir que, finalmente, a estrada vinha ao encontro da sua condução. A superfície estava a “limpar”, as trajectórias a ganhar definição, e isso ajudava. 14:02.5, 7,2 segundos mais rápido que Armstrong depois de um último sector muito forte. “Provavelmente o efeito de limpeza. Também a primeira parte está definitivamente a limpar. Tentei ter um troço limpo, mas quando há neve derretida não tenho confiança”, admitiu, ainda preso à memória de tantas armadilhas escondidas sob a ‘sopa’.
Mas quem realmente capitalizou a evolução do piso foi Adrien Fourmaux. O francês da Hyundai, tantas vezes aos solavancos ao longo do rali, parecia ter encontrado aqui uma espécie de equilíbrio com o i20 N Rally1. 13:55.3, o novo melhor tempo, 7,2 segundos melhor que Neuville. “Havia muito menos lama e neve do que nas nossas notas. Depois disso, era tudo cheio de neve. Tentei ser eficiente, mas não temos aderência. Em cada gancho, simplesmente parámos. Não foi fácil.” O paradoxo era evidente: o homem mais rápido era também aquele que descrevia um carro que quase não andava nos ganchos.
Sébastien Ogier, em luta por um lugar no pódio e habituado a domar este tipo de especiais, encontrou finalmente um limite que nem ele conseguia ultrapassar. O GR Yaris Rally1 patinava desesperadamente na parte alta da montanha e o francês não escondeu a frustração. 14:11.2, 15,9 segundos perdido para Fourmaux, e uma frase que resumia tudo: “Não consigo subir.” Em Monte Carlo, dito por Ogier, isso soava quase herético.
Elfyn Evans, pelo contrário, conseguiu extrair deste tapete traiçoeiro um tempo ao nível de Fourmaux: 13:55.3, igual ao francês. No entanto, o galês saiu do carro com a sensação de ter andado sempre no limiar do não-controle. “Muito difícil, a aderência aqui em cima é completamente inexistente”, resumiu. O tempo mostrava eficácia, a voz revelava incredulidade.
E então faltava o homem do momento: Oliver Solberg. O sueco, com o rali praticamente nas mãos, sabia que apenas três especiais o separavam de se tornar o mais jovem vencedor da história de Monte Carlo. Nesta PEC14, veio logo o primeiro murro no estômago: um para-brisas rachado desde o início, uma visão comprometida e um troço onde a tentação de forçar podia deitar tudo a perder. Ao primeiro split, já era sete segundos mais lento que Evans. No final, 14:03.9, 8,5 segundos perdidos para Evans e para Fourmaux, vantagem geral reduzida para 50,8 segundos. Mas o discurso deixava claro que ele tinha mudado de modo: “Neste momento não me importo com os pontos de domingo, é uma posição única e incrível para se estar. Apenas tento ser limpo e seguro. É tão fácil cometer um erro, muito arriscado fazer qualquer coisa.”
Enquanto isso, Gregoire Munster ainda nem tinha iniciado a especial, penalizado por um problema técnico na ligação que o atrasou para o controlo de partida. Lá em cima, nas últimas secções, a neve e o gelo mantinham-se firmes, sem tréguas, as pontes geladas obrigavam os pilotos a reduzir a quase passo de homem. Não havia “Monte” de postal, havia apenas uma longa subida branca e escorregadia que testava paciência, técnica e nervos como poucas.
FOTO @World

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