WRC, Rali de Monte Carlo/PEC13: Solberg com bom avanço, amanhã, Turini palco dos sonhos ou pesadelos?
O penúltimo dia do Rali de Monte Carlo terminou no circuito do Mónaco, pela primeira vez desde 2008, o barulho dos motores de rali ecoava entre os rails e fachadas do circuito mais famoso do mundo. A PEC13, desenhada em torno da Rascasse, da reta da meta e de Saint Dévote, com um desvio improvável para Tabac e um donut montado em cima de paralelepípedos molhados, foi muito menos uma super especial de rali e mais um palco: um ringue estreito, iluminado, encharcado de chuva até às estopinhas e cheio de armadilhas invisíveis na tinta branca do asfalto.
Uma pequena ironia: Kalle Rovanpera foi para as pistas à procura da F1, mas foram os seus colegas do WRC que chegaram à pista de F1 mais famosa do mundo primeiro que ele…
Mas tinha que se cumprir e para a história, foram Adrien Fourmaux-Alexandre Coria (Hyundai i20 N Rally1) que venceram o troço. O que verdadeiramente interessa é como ficou o rali no final do seu terceiro dia de cronómetro, e aí, Oliver Solberg-Elliott Edmondson (Toyota GR Yaris Rally1) lidera com 59.3s de avanço para Elfyn Evans-Scott Martin (Toyota GR Yaris Rally1) com Sébastien Ogier-Vincent Landais (Toyota GR Yaris Rally1) 26.0s mais atrás.
Tendo em conta o que choveu, o mais certo é haver muita neve e gelo amanhã de manhã no Turini onde o Rali de Monte Carlo vai passar duas vezes pela manhã.
Vai depender muito do estado dos troços amanhã, a possibilidade de haver grandes mudanças. Se os troços estiverem consistentes, ou seja, se as condições forem muito semelhantes em toda a extensão dos troços, será difícil as margens mudarem muito. Mas isso não sabemos agora. Se porventura os troços estiverem como alguns hoje, as diferenças e os incidentes podem suceder com facilidade e isso deixa a classificação completamente em aberto.
Para lá dos três primeiros, separados por 59.3 e 1m25.3s, Adrien Fourmaux, quarto está a 4m37.6s de Ogier.
Atrás dele, Thierry Neuville-Martijn Wydaeghe (Hyundai i20 N Rally1) a 1m20.1s. Seguem-se Jon Armstrong-Shane Byrne (Ford Puma Rally1) mais 2m40.9s.
Léo Rossel-Guillaume Mercoiret (Citroen C3 Rally2) lidera o WRC2 na sétima posição da geral. S fechar o top 10, Grégoire Munster-Louis Louka (Ford Puma Rally1), Takamoto Katsuta-Aaron Johnston (Toyota GR Yaris Rally1) e Roberto Daprà-Luca Guglielmetti (Skoda Fabia RS Rally2), segundo do WRC2 a 1m27.0s de Rossel. Em terceiro estão Eric Camilli-Thibault De La Haye (Skoda Fabia RS Rally2) a mais 25.4s.
Hayden Paddon-John Kennard (Hyundai i20 N Rally1) e Joshua Mcerlean-Eoin Treacy (Ford Puma Rally1) estão longe, Sami Pajari-Marko Salminen (Toyota GR Yaris Rally1), como sabem, ficou pelo caminho no troço anterior.
Filme da especial
Josh McErlean foi o primeiro dos Rally1 a enfrentar o traçado, o Puma a escorregar na superfície brilhante. O donut nas pedras, com slicks, rapidamente mostrou quem mandava ali: “O donut com slicks não é muito bom neste clima. É bom conduzir aqui no Mónaco, mas definitivamente poderíamos ter feito melhor”, admitiu o irlandês, 2:31.3, já a 5,2 segundos do melhor tempo de Léo Rossel em Rally2.
A seguir, Hayden Paddon surgiu com o Hyundai marcado por dois dias de sofrimento. A volta foi correta, mas sem brilho: 2:25.5. No fim, não escondeu o desencanto: “Para ser honesto, tem sido um rali bastante mau. Vou ter uma boa noite de sono hoje para estar pronto para amanhã.” Era a voz de quem queria apenas virar a página.
Do lado dos Rally2, o italiano Roberto Daprà aproveitou o cenário como um miúdo num parque de diversões. Com o Škoda Fabia RS Rally2, parou o cronómetro em 2:31.4 e saiu quase em estado de euforia: “Incrível, esta foi uma das melhores experiências da minha vida. É ótimo pilotar num lugar histórico como o Circuito de Mónaco.
Também estou feliz com os cinco segundos sobre o Camilli, são realmente importantes para amanhã.” Pouco depois, Eric Camilli confirmava o valor do momento e a armadilha da pista: 2:31.4, tempo idêntico, sensação idêntica. “É bom para o espetáculo estar aqui. O troço é bastante complicado, muito escorregadio, especialmente por causa das linhas brancas. Tudo ok. Vamos ver amanhã.”
Léo Rossel, líder destacado do WRC2, tratou a especial como aquilo que era para ele: um risco controlado antes de um domingo longo. Com 2:26.1, novo “benchmark” da categoria e quase 1m30s de vantagem na classe, saiu satisfeito mas cauteloso: “A sensação é tão boa, honestamente. Mas está realmente escorregadio, o donut ‘quase gelado’. Amanhã é um dia longo, vou apenas focar na minha condução. O tempo no Turini é sempre complicado.”
Entre os Rally1, Jon Armstrong levou o Ford Puma Rally1 ao limite daquilo que a escolha de pneus permitia. À saída, explicava com um sorriso resignado: “Ainda foi interessante, digamos. Os paralelepípedos no donut, é um lugar interessante para pôr aquilo, é impossível fazer um donut lá com slicks. Não é a escolha certa de pneus, mas não se acerta sempre.” Grégoire Munster foi ainda mais castigado: um pião na zona do donut, motor calado por breves instantes, 2:34.7 no final. “Escorregadio. Um pouco de azar, deveria ter cruzado os pneus de outro modo. É como patinar no gelo no donut”, resumiu, entre o alívio e a frustração.
Depois apareceu Takamoto Katsuta, talvez o que melhor leu o compromisso entre espetáculo e sobrevivência. Com 2:20.0, foi o mais rápido até então por 5,5 segundos. “Estava extremamente escorregadio em muitos e muitos lugares. Apenas uma condução limpa e cuidada. Não sei se o tempo será bom ou não, mas foi um bom espetáculo”, disse o japonês, a mandar um recado silencioso à Toyota: sabia que não era só uma questão de cronómetro, era também de imagem naquele cenário.
A seguir, a chuva apertou. Adrien Fourmaux, num Hyundai calçado com slicks, lutou com a água no asfalto e a tinta branca: 2:19.3, sete décimos mais rápido que Katsuta. “Foi bastante complicado, mas parece estar a funcionar. Vamos ver como se saem os rapazes atrás com os pneus de inverno. Sinto que não estamos a competir no mesmo nível este fim de semana. Ainda temos algum trabalho a fazer, também connosco. Estou muito satisfeito por termos condições difíceis em Monte Carlo, é o que estávamos à espera. É bom terminar aqui no Mónaco, primeira vez para mim.” Não era apenas o tempo, era a sensação de finalmente estar a aproveitar o que Monte Carlo tem de mais puro: caos controlado.
Neuville entrou logo depois, também de slicks, apanhado pelo aumento repentino da chuva e a água a acumular-se nas zonas mais lentas. 2:23.7 foi o resultado de uma dança tensa entre aderência e sobrevivência. “Na verdade, a chuva veio no pior momento, havia alguma água. Saudações a todos os meus amigos e família que estão a assistir neste troço. Feliz que o dia acabou e ansioso por amanhã, que será muito desafiador também”, disse o belga, que ainda protagonizaria um pião na entrada do donut, mais um susto num rali que já o tinha castigado.
Sébastien Ogier, habituado a decidir ralis no Mónaco, recusou qualquer tentativa de “show”. 2:24.2, discreto, calculado. “Não fiz nenhum show. Muita neve novamente amanhã. Não estou ansioso. Com este pneu, ninguém está ansioso.” A mensagem era clara: naquela fase, o francês já pensava no Turini, não nas barreiras amarelas da piscina.
Elfyn Evans, que defendia o segundo lugar absoluto, completou a volta em 2:24.8. Não arriscou mais do que o estritamente necessário, consciente de que o erro ali podia hipotecar o domingo. “Muito mau. Não importa o quão devagar achas que tens de ir, às vezes não percebes quão devagar é devagar. Obviamente está a chover mais forte agora, não está a facilitar.” Mesmo assim, levava para a etapa final 26,0 segundos de margem sobre Ogier.
E então, para fechar o dia e colocar o ponto de exclamação na narrativa, entrou Oliver Solberg. A Toyota sabia, todos sabiam: o sueco estava a uma noite de se tornar o mais jovem vencedor de sempre do Rali de Monte Carlo. Bastava não estragar tudo num circuito molhado, estreito, escorregadio, com um donut montado em paralelepípedos ensopados. A primeira rotação correu mal. “Fiz um primeiro donut terrível”, confessaria depois. Mas recuperou, acalmou as mãos e deixou o GR Yaris Rally1 rolar com a maturidade de quem sabe o que está em jogo. 2:30.2, sem riscos, sem espetáculo gratuito.
“Está a chover imenso e há muita água na pista, é realmente complicado. Não queria estragar tudo depois do ótimo fim de semana que tivemos até aqui. Foi um dia fantástico, um fim de semana fantástico até agora. Muito difícil, como todos viram. Acho que toda a gente saiu largo em algum sítio, mas estou numa boa posição. Vamos ver amanhã, provavelmente será outro dia louco”, disse, a sorrir com aquela mistura de incredulidade e alívio de quem, por enquanto, conseguiu manter a montanha e o Mónaco sob controlo.
Quando as luzes do circuito se apagaram para os carros, a PEC13 deixava uma mensagem clara: num palco desenhado para o espetáculo, quase todos preferiram sobreviver. Solberg completou mais um dia sem falhas e manteve uma vantagem confortável de 59,3 segundos à entrada da etapa final, Evans segurou o segundo lugar com margem de segurança face a Ogier, e todos saíram de Monte Carlo cidade a pensar menos nos donuts e mais no Turini — porque é lá em cima, entre neve, gelo e rails, que este rali decide a quem pertence, de verdade, o trono do Mónaco.

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rfz
24 Janeiro, 2026 at 22:35
a Toyota tem o melhor carro e os três melhores pilotos atualmente no WRC. A Hyundai parece ainda pior que o ano passado. Assim vai ser um passeio aínda mais confortável da equipa para este ano, infelizmente…No WRC2 esperemos a Lancia mostre nos próximos rallies o potencial que parece ter