WRC, Rali de Monte Carlo/PEC3: nevoeiro estragou a festa, Solberg lidera 44.2s na frente de Evans
A noite desceu lentamente sobre as montanhas, e com ela o nevoeiro que baralhou todas as contas da PEC3 Vaumeilh / Claret 1, o último troço do dia, ao ponto da Direção de Prova interromper a especial e decidir atribuir tempos nominais.

Dizia-se no parque de assistência que seria uma especial de contrastes, mas em dado momento houve concorrentes em que nem sequer viam o asfalto, quanto mais os contrastes. O troço era rápido na parte inicial, traiçoeiro nas curvas estreitas de Sigoyer e frenético no troço final, onde os pilotos enfrentariam descidas técnicas e longas retas sobre um asfalto gasto, mas não foi isso que sucedeu, porque não se via nada e só houve sete concorrentes com tempos.
O que se viu foi Sébastien Ogier-Vincent Landais (Toyota GR Yaris Rally1) ganharem sete segundos a Oliver Solberg-Elliott Edmondson (Toyota GR Yaris Rally1) com Thierry Neuville-Martijn Wydaeghe (Hyundai i20 N Rally1) em terceiro a 10.6s. Elfyn Evans-Scott Martin (Toyota GR Yaris Rally1) cederam 25.7s para Ogier e Adrien Fourmaux-Alexandre Coria (Hyundai i20 N Rally1) chegaram a parar…porque não sabiam onde estavam depois de terem tido uma ligeira saída. Terminaram ainda Takamoto Katsuta-Aaron Johnston (Toyota GR Yaris Rally1) e Grégoire Munster-Louis Louka (Ford Puma Rally1). Ficaram a faltar Hayden Paddon-John Kennard (Hyundai i20 N Rally1) e Jon Armstrong-Shane Byrne (Ford Puma Rally1) entre os Rally1, pois Joshua Mcerlean-Eoin Treacy (Ford Puma Rally1) e Sami Pajari-Marko Salminen (Toyota GR Yaris Rally1) ficaram pelo caminho no troço anterior.
Agora resta saber como serão os tempos nominais, mas na frente está Oliver solberg com 44.2s de avanço para Elfyn Evans com Ogier 24.4s mais atrás, a 1m08.6s da frente. Neuville é quarto a mais 17.3s e Fourmaux a outros 18.9s do seu colega de equipa. Takamoto Katsuta e Gregoire Munster completam para já a lista.
Filme da especial
Logo nos primeiros quilómetros ficava claro que a montanha não estava disposta a facilitar. Uma camada espessa de nevoeiro cobria a estrada, reduzindo a visibilidade a quase nada. “Se alguém pensava que ia ser mais fácil… pense outra vez”, comentavam os comentadores da Rally.TV. O branco da névoa confundia-se com a faixa do asfalto, e os co-pilotos tornavam-se os únicos olhos dos pilotos.
Sebastien Ogier foi o primeiro a enfrentar o caos. O francês, esteve exímio nestas condições, conduziu o Toyota com frieza e precisão, registando 10m04.7s. No final, o suspiro foi audível mesmo pelo intercomunicador: “Há noites como esta em que só se pode agradecer que tenha terminado… zero aderência, nada que eu pudesse fazer com o carro… a pior especial da minha carreira.” Ogier liderava, mas parecia mais aliviado do que vitorioso.
Atrás dele, Elfyn Evans tentou seguir o ritmo, mas a parede de nevoeiro e o piso enlameado tornaram o ataque impossível. “Não via a estrada, só os coletes dos comissários”, contou após cruzar a meta, 25.7 segundos mais lento que o compatriota.
Thierry Neuville não teve melhor sorte. O seu Hyundai mergulhou literalmente na neblina, o belga lutando para manter o carro entre as bermas. “No fim, também não via nada. Isto é uma loucura”, confessou, com 10:15.3: “deviam ter anulado o troço”, acrescentou. Pouco depois, Takamoto Katsuta terminava mais de um minuto atrás de Ogier, derrotado pela bruma. “Foi quase impossível ver o caminho todo.”
Quando parecia que a classificação estava estabilizada, Oliver Solberg voltou a baralhar o tabuleiro. Enfrentou o nevoeiro de forma temerária, mas a ousadia teve um preço: um breve despiste na secção final, felizmente sem danos no carro. “Entrei na vala sem perceber onde estava”, explicou, rindo nervoso. Apesar da escapatória, completou em segundo mais rápido e manteve a liderança do rali, agora com 44,2 segundos sobre Evans. “Tanto nevoeiro… juro que quase saí cem vezes de estrada”, contou no parque de controlo, ainda incrédulo.
A noite terminou com Grégoire Munster, que completou o troço exausto, quase sem direção assistida desde o início da secção. O copiloto, Louis Louka, chegou a puxar o travão de mão nas curvas mais apertadas para compensar a rigidez da direção. “Foi duro, tão estreito, com tantos cortes, que amanhã vou acordar com os braços a doer”, brincou.
Foi pena para os adeptos que reservaram para si este troço. Viram sete Rally1. Quando o silêncio regressou à montanha, a PEC3 deixava um rasto de desgaste e alívio. Solberg mantinha-se como o homem do momento — rápido, ousado e quase incrédulo com o resultado — enquanto Ogier sobrevivia sem brilho e Evans tentava manter-se no duelo. O nevoeiro tinha testado todos. A natureza é assim, mas bem que podia ter trocado o nevoeiro por gelo. Com ele a noite teria sido mais ‘quentinha’…
Amanhã há mais…
FOTO @World

O Autosport já não existe em versão papel, apenas na versão online.
E por essa razão, não é mais possível o Autosport continuar a disponibilizar todos os seus artigos gratuitamente.
Para que os leitores possam contribuir para a existência e evolução da qualidade do seu site preferido, criámos o Clube Autosport com inúmeras vantagens e descontos que permitirá a cada membro aceder a todos os artigos do site Autosport e ainda recuperar (varias vezes) o custo de ser membro.
Os membros do Clube Autosport receberão um cartão de membro com validade de 1 ano, que apresentarão junto das empresas parceiras como identificação.
Lista de Vantagens:
-Acesso a todos os conteúdos no site Autosport sem ter que ver a publicidade
-Desconto nos combustíveis Repsol
-Acesso a seguros especialmente desenvolvidos pela Vitorinos seguros a preços imbatíveis
-Descontos em oficinas, lojas e serviços auto
-Acesso exclusivo a eventos especialmente organizados para membros
Saiba mais AQUI





