Audi prepara estreia na F1: nova identidade, mesma dupla de pilotos
A antiga Kick Sauber inicia em 2026 uma nova era na Fórmula 1, assumindo oficialmente a identidade de Audi e estreando‑se como equipa de fábrica e construtor de unidades motrizes.
Depois de terminar o Mundial de 2025 no nono lugar do Campeonato de Construtores, a estrutura chega à nova temporada com a sensação de que o resultado não espelhou totalmente a evolução em pista, sustentada por um crescimento consistente de performance e pontos ao longo do ano.
A grande incógnita que se coloca é se a mudança de nome e estatuto será acompanhada por mais um salto competitivo numa grelha cada vez mais comprimida no pelotão intermédio.
Em termos desportivos, a continuidade é a palavra de ordem. A Audi mantém em 2026 a dupla que alinhou na época passada: o experiente alemão Nico Hülkenberg e o jovem brasileiro Gabriel Bortoleto. Esta estabilidade é vista internamente como um trunfo para capitalizar o trabalho feito em 2025 e acelerar a adaptação às novas estruturas e processos da marca alemã.
Hülkenberg e Bortoleto: experiência e juventude
Nico Hülkenberg, que traz consigo 251 Grandes Prémios na Fórmula 1, um pódio, uma pole position e 622 pontos, regressa para a sua 13ª temporada completa na categoria rainha. Em 2025, o alemão alcançou finalmente um marco esperado há muitos anos: o primeiro pódio da carreira, conquistado no Grande Prémio da Grã‑Bretanha, à 239ª tentativa. O resultado em Silverstone não só representou um momento simbólico para o piloto, como também serviu de prova tangível da capacidade da equipa para aproveitar oportunidades em corridas caóticas.
Do outro lado da boxe, Gabriel Bortoleto entra em 2026 com a responsabilidade de confirmar o potencial mostrado no ano de estreia. Chegado à Fórmula 1 na sequência dos títulos consecutivos em Fórmula 3 e Fórmula 2, o brasileiro somou 19 pontos e um melhor resultado de sexto lugar no Grande Prémio da Hungria, pontuando em cinco corridas ao longo da temporada. A sua progressão foi gradual, evidenciando capacidade de adaptação, consistência e ritmo de corrida sólido, qualidades que a Audi pretende aprofundar num contexto de equipa de fábrica.
2025: recuperação competitiva e “momentum” para a nova era
A temporada de 2024 tinha deixado a então Kick Sauber numa posição delicada, com apenas um resultado nos pontos – cortesia de Zhou Guanyu na penúltima corrida do ano – e um carro manifestamente atrás da concorrência. Em 2025, o cenário começou a inverter‑se. Hülkenberg abriu o campeonato com pontos numa prova inaugural caótica na Austrália e, embora a equipa tenha atravessado depois uma série de corridas sem pontuar, o verdadeiro ponto de viragem surgiu a meio da época.
O pódio em Silverstone funcionou como catalisador: a estrutura suíça passou a surgir com maior regularidade na luta pelos pontos, e Bortoleto somou o seu primeiro resultado no top‑10 com um oitavo lugar na Áustria, num fim de semana em que a equipa conseguiu um duplo resultado pontuável. Num pelotão intermédio extremamente disputado, os 70 pontos finais colocaram a Kick Sauber em nono, mas a apenas nove pontos da Haas, oitava classificada, evidenciando a curta distância para o grupo imediatamente à frente.
Jonathan Wheatley, que assumiu o cargo de diretor de equipa em abril, descreveu a campanha como “extraordinária” para a estrutura, destacando a “progressão significativa” alcançada e sublinhando que o trabalho realizado fornece “verdadeiro impulso” para a entrada em 2026 sob a bandeira Audi.
De Sauber a Audi: meio século de história em transição
A transformação em equipa de fábrica da Audi representa o capítulo mais recente de uma história que remonta a 1970, quando Peter Sauber fundou a Sauber Motorsport. Após presenças em provas de montanha e resistência – incluindo um período como equipa oficial da Mercedes‑Benz e vitória nas 24 Horas de Le Mans – o passo para a Fórmula 1 surgiu em 1993.
A equipa competiu sob o nome Sauber até 2005, ano em que a entrada da BMW como accionista maioritária levou à designação BMW Sauber. Entre 2011 e 2018, o nome original regressou, mantendo a identidade suíça no paddock. Em 2018 surgiu uma nova parceria com a Alfa Romeo, que passou a dar nome à equipa até 2023. A rebranding para Kick Sauber, entre 2024 e 2025, acabou por ser o último uso oficial da marca Sauber antes da transição definitiva para a Audi em 2026.
A entrada da Audi no Mundial representa a estreia formal da marca como construtor e fabricante de unidades motrizes na Fórmula 1. A estrutura operacional está distribuída por três polos: a divisão de motores em Neuburg, na Alemanha; a equipa de chassis em Hinwil, na Suíça, herdando a infraestrutura Sauber; e um novo Centro Técnico em Bicester, no Reino Unido, destinado a reforçar a ligação ao ecossistema tecnológico britânico.
Picos de performance: o legado competitivo de Sauber
O ponto mais alto da história competitiva da Sauber surgiu durante a era BMW. Depois de terminar o ano de 2005 em oitavo lugar entre os construtores, a parceria germano‑suíça conduziu a equipa ao quinto posto em 2006 e a um histórico segundo lugar em 2007. Ao longo dessas duas épocas, o conjunto acumulou vários pódios e consolidou‑se como referência no pelotão intermédio.
Em 2008, a estrutura atingiu o auge ao conquistar a sua primeira vitória em Grandes Prémios: Robert Kubica triunfou no Canadá, liderando uma dobradinha com Nick Heidfeld e, momentaneamente, ascendendo ao topo da classificação de pilotos. No entanto, as ambições de título esbateram‑se à medida que a BMW orientou recursos para preparar a mudança regulamentar de 2009, abrindo caminho a um declínio progressivo que a equipa tentaria travar ao longo da década seguinte.
2026: oportunidade e risco numa nova fase
A transformação em Audi coloca a equipa num ponto de viragem. Por um lado, o estatuto de construtor oficial e fabricante de motor traz recursos acrescidos, integração tecnológica e uma visão de longo prazo centrada nos regulamentos híbridos. Por outro, aumenta a pressão de resultados e a expectativa de rápida aproximação às equipas de topo.
Com uma dupla de pilotos estável, um director de equipa que já acompanhou a recuperação de 2025 e uma estrutura técnica reforçada entre a Alemanha, a Suíça e o Reino Unido, a Audi parte para 2026 com um objetivo pragmático: consolidar‑se na linha da frente do pelotão intermédio e preparar, passo a passo, a chegada a voos mais altos. O passado mostra que a herança Sauber já foi capaz de lutar por pódios e vitórias; a nova era dirá se a insígnia dos quatro anéis consegue transformar esse legado numa presença consistente nas posições cimeiras da Fórmula 1 moderna.
FOTOS Audi Revolut F1 Team
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