Como as equipas do WRC prepararam a temporada: veja os testes

Por a 19 Janeiro 2026 16:26

Com o início da época 2026 do Campeonato do Mundo de Ralis à porta, as equipas entraram nas últimas semanas de preparação com os tradicionais testes de pré-temporada. Entre o final da campanha de 2025 e o arranque em Monte Carlo decorreram apenas seis semanas, um período curto mas decisivo para o desenvolvimento técnico e a preparação dos pilotos para o emblemático rali de abertura.

Nos últimos dias, as redes sociais encheram-se de imagens das equipas a testar em estradas cobertas de neve e gelo, no sul de França, cenário habitual para esta fase do ano. Mas o que envolve realmente um dia de testes de pré-temporada no WRC?

Limite de dias e bases de ensaio

Cada equipa Rally1 pode realizar, segundo o regulamento, até 21 dias de testes anuais na Europa para preparar os diferentes ralis do calendário. Além desse limite, as formações dispõem de instalações próprias onde podem testar sem restrições.

A Toyota Gazoo Racing conta com uma base de testes em pisos de terra na Finlândia, a Hyundai Motorsport mudou recentemente o seu centro de operações para França, com acesso a troços de asfalto e terra, enquanto a M-Sport Ford tira partido das estradas de terra e de uma pista de asfalto construída junto à sua fábrica no Reino Unido.

Dada a limitação de dias, cada sessão precisa de ser minuciosamente planeada. Para o Rali de Monte Carlo, é habitual que cada piloto disponha apenas de um dia de testes específico, o que torna essencial otimizar cada quilómetro percorrido. O objetivo é ajustar o carro às condições esperadas do evento e garantir que o piloto se sinta confiante ao volante.

Planeamento detalhado e dados cruciais

O processo logístico e técnico está longe de ser simples. Primeiro, as equipas necessitam de encontrar uma estrada pública com características semelhantes às especiais do rali e obter autorização das autoridades locais para o encerramento temporário. De seguida, são mobilizados comissários locais para garantir a segurança do evento e dos residentes.

Após obtidas as licenças, a equipa define um plano de testes que lista configurações e componentes a avaliar. Uma faixa cronometrada é instalada na estrada de ensaio, permitindo comparar tempos e relacioná-los com o feedback do piloto. Cada alteração é registada, testada e analisada, numa rotina que mantém engenheiros e mecânicos em constante atividade ao longo do dia.

“Durante o teste, o objetivo é simples: tornar o carro mais rápido”, explicou Tim Jackson, engenheiro-chefe da M-Sport Ford para o WRC. “Monte Carlo tem características muito próprias. Procuramos dar confiança ao piloto e tornar o carro previsível num leque amplo de condições.

O tempo muda constantemente — numa curva há gelo e, 500 metros depois, o piso está seco. Fazemos pequenos ajustes de afinação com base num ponto de referência e trabalhamos nas diferentes combinações de pneus, já que aqui são permitidos quatro tipos distintos.”

O papel imprevisível do tempo

A meteorologia desempenha um papel decisivo nesta fase. As equipas tentam encontrar um equilíbrio entre troços secos, gelados e cobertos de neve para recolher o máximo de dados possível. Ainda assim, nem sempre a natureza colabora.

No início de janeiro, fortes nevões obrigaram Toyota e Hyundai a cancelar e reagendar os testes planeados para Sébastien Ogier e Thierry Neuville, respetivamente. Nessas situações, é necessário solicitar autorização à FIA para reagendar as datas, dado o controlo apertado do número de dias por equipa. Neuville reconhece que a variedade é limitada, mas sublinha que a experiência acumulada compensa as lacunas: “Tentamos testar para todos os cenários possíveis, mas há demasiadas variáveis. A experiência faz toda a diferença”, afirmou o piloto belga.

Como decorre um dia de testes

Para os pilotos, um dia de testes é intenso e meticuloso. O volume de informação recolhido em dezenas de passagens é determinante para a afinação final antes do rali. O processo começa geralmente com uma série de voltas de instalação, nas quais o piloto avalia o comportamento base do carro.

“Tudo depende da sensação nas primeiras passagens”, explicou Elfyn Evans, da Toyota. “A equipa chega com algumas peças novas ou ideias a explorar, mas o rumo do dia é influenciado pelo que sentimos logo no início. Se o carro está no ponto certo, seguimos o plano. Se não, é preciso reajustar para encontrar o equilíbrio ideal.”

Durante o dia, o piloto repete o mesmo troço múltiplas vezes, com pequenas alterações de suspensão, pneus ou mapa de motor. Cada mudança é comparada em tempo real com os registos anteriores, permitindo aos engenheiros identificar as configurações mais eficazes.

Apesar da modernização e otimização da logística, os dias mais longos podem ainda ser extenuantes:

“Antigamente fazíamos cerca de 300 quilómetros num dia de testes, praticamente a distância total de um rali”, recorda Evans. “Por vezes ainda se chega perto disso. No fim do dia, sente-se o desgaste, mas faz parte do processo.”

Uma preparação decisiva para Monte Carlo

A preparação para Monte Carlo continua a ser uma das mais exigentes de todo o calendário. O rali inaugural da temporada combina especiais de montanha, pisos de aderência variável e condições que podem mudar de um quilómetro para o outro. Nesse contexto, a eficácia dos testes realizados neste mês poderá ser um fator determinante no desempenho nas classificativas.

Com as equipas agora concentradas nos últimos detalhes, o Rali de Monte Carlo — marcado para o final desta semana — promete revelar quem melhor usou os seus dias de ensaio. Num campeonato tão equilibrado, a vantagem pode estar nos testes invisíveis que antecedem o primeiro quilómetro cronometrado.

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