Dakar, Etapa 10: navegação ‘condena’ Sainz e Roma, liderança muda para Al Attiyah
A Etapa 10 do Dakar, disputada em direção a Bisha, foi marcada por um ponto de controlo de navegação particularmente problemático que alterou dramaticamente o cenário competitivo. Um waypoint localizado no quilómetro 186, situado numa zona de dunas particularmente difícil de interpretar, apanhou desprevenidas várias das equipas que saíram nas primeiras posições, incluindo as líderes da classificação geral.
O efeito foi imediato: Nasser Al‑Attiyah, que partiu muito mais atrás na ordem de saída, não enfrentou o mesmo problema de navegação. Sem precisar de abrir pista e com referências visuais já marcadas pelos carros da frente, o catari subiu ao comando geral, destronando Nani Roma, que liderava. Carlos Sainz, que ocupava o segundo lugar com apenas 57 segundos de desvantagem para o seu compatriota e colega de equipa, desistiu de recuperar o waypoint após vários minutos de buscas que lhe pareceram inúteis, aceitando uma penalização de 15 minutos adicionais, o que o afundou ainda mais na classificação.
Carlos Sainz apresentava‑se no final, naturalmente frustrado e ‘derrotado’. O madrileño e o seu navegador Lucas Cruz, depois de múltiplas tentativas para localizar o ponto de controlo nas dunas, preferiram abandonar a busca e validar a etapa sem o waypoint, aceitando a punição que se seguiu: “Era um ponto complicado. Estivemos a dar voltas e voltas. Não conseguimos encontrá‑lo e decidimos saltá‑lo porque o tentámos para cima e para baixo, para a frente e para trás. Não conseguimos,” explicou Sainz, assumindo a responsabilidade do erro em vez de culpar o roadbook.
O piloto reconheceu que a estratégia de perder tempo intencionalmente na Etapa 9 (através de duas penalizações por excesso de velocidade) visava exatamente evitar este cenário — partir na frente e sofrer com a abertura de pista. Mas nem essa tática prudente foi suficiente. “Sabíamos que ia ser uma etapa crítica. No ano passado, saindo de oitavos, num instante já estávamos a abrir e o rali terminou aí para nós,” referiu.
O resultado foi devastador: Sainz terminou a etapa em 52º lugar, a 45 minutos e 34 segundos do vencedor, cedendo quase 40 minutos para Al‑Attiyah. A margem era insolúvel. Agora sétimo na geral, a 39 minutos e 9 segundos do líder, Sainz reconhece que o Dakar acabou para si. As opções de pódio também desapareceram, situando‑se a mais de 25 minutos do terceiro lugar. O erro residia na interpretação do ponto nas dunas: “Quando é um ponto em dunas tens de manter o rumo. Seguimos as marcas e quando devíamos ter chegado ao waypoint estava claro que quem rodava à nossa frente não ia bem.”
Nani Roma também caiu na armadilha do waypoint, mas conseguiu escapar com menos danos. O catalão de Folgueroles admitiu que encontrou dificuldades no mesmo ponto de controlo, mas ao contrário de Sainz, tinha planos alternativos. “Estávamos a ir muito bem até aí, super, super rápido,” disse Roma.
Ao chegar à zona problemática, Roma explicou: “Procurámos o ponto mas não conseguíamos encontrá‑lo e pensámos até em continuar sem o validar. Mas dissemos, ‘não, vamos a fazer as dunas ao contrário’ e encontrámo‑lo.” A decisão custou‑lhe, porém: perder tempo nas dunas enquanto abria pista foi uma das etapas mais exigentes que enfrentou na carreira do Dakar, confessou.
Roma cedeu 11 minutos para Al‑Attiyah nesta etapa, perdendo um comando que tinha há apenas 24 horas. Desceu de primeiro a terceiro, agora situado a 12 minutos e 50 segundos da liderança, com Al‑Attiyah confortavelmente acima dele.
Apesar da adversidade, o catalão mantém alguma esperança, ainda que cautelosa. “Honestamente… será difícil. Mas tudo pode acontecer no Dakar,” referiu, lembrando o impacto que uma etapa má pode ter. “Vejo o Carlos, num instante tudo se virou.”
Roma lamentou especialmente a localização do waypoint: “Era uma nota difícil de entender. Procurámos o ponto na pista e estava nas dunas. A pena é que íamos a um minuto de Nasser e aí perdemos 11 minutos e tal.” O yo‑yo competitivo do Dakar pode ainda rodar a seu favor nas próximas etapas, reconheceu.
Um Dakar que não esquece a navegação
A Etapa 10 reforçou uma lição fundamental do Dakar: a navegação permanece como o grande equalizador. Com quatro etapas ainda por disputar, Nasser Al‑Attiyah lidera de forma clara, mas, como recordou Roma, no Dakar tudo pode suceder até ao derradeiro quilómetro.
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