Recentemente, circularam rumores sobre uma possível separação entre a M-Sport e a Ford, sugerindo que a M-Sport poderia deixar a Ford (ou ser dispensada) para gerir um eventual projeto da chinesa Lynk & Co. Esta marca estaria alegadamente interessada nos novos regulamentos do Campeonato Mundial de Ralis (WRC) para 2027.
No entanto, Richard Millener, chefe de equipa da M-Sport, desmentiu categoricamente estas especulações em declarações ao Dirtfish. Millener assegurou que o foco total da equipa permanece na continuidade com a Ford, sublinhando que o compromisso do fundador da M-Sport, Malcolm Wilson, sempre esteve e continua a estar com a marca americana. O objetivo é replicar os sucessos de 2017 e 2018, anos em que a M-Sport conquistou títulos de pilotos e construtores com a Ford.
A ligação entre Malcolm Wilson, a M-Sport e a Ford constitui uma das parcerias mais duradouras no desporto automóvel, estendendo-se por várias décadas e assumindo diversas configurações.

A carreira de Malcolm Wilson no mundo dos ralis teve início há mais de 50 anos. A sua relação pessoal com a Ford começou cedo, com os veículos da marca a serem a sua escolha preferencial nas décadas de 60 e 70. Esta preferência manteve-se de 1974 a 1983. Nos anos seguintes, Wilson competiu com outros construtores, como o Audi Quattro A1 em 1984 e 1985, e o MG Metro 6R4 em 1985 e 1986, mantendo-se em 1987 nos regionais britânicos. O seu regresso como piloto da Ford deu-se em 1990, prolongando-se até ao final da sua carreira em 1995, embora continuasse a participar em ralis regionais pontuais, sempre ao volante de um Ford.
No que respeita à M-Sport, a parceria com a Ford já conta com quase 30 anos. A gestão do programa do WRC teve início em 1997 e perdura até à data. Entre 1997 e 2012, a M-Sport atuou como a equipa oficial de fábrica da Ford no WRC. A partir de 2013, a Ford tem mantido o seu apoio técnico à estrutura britânica. Esta colaboração gerou marcos históricos, incluindo o recorde mundial de 300 ralis consecutivos a pontuar por parte de um construtor no WRC, um feito alcançado em junho de 2024 e cuja série se iniciou há 22 anos, no Rali de Monte Carlo de 2002.
Atualmente, embora a continuidade esteja assegurada para 2026 com o Ford Puma Rally1, o futuro para 2027 – ano de introdução de novos regulamentos técnicos – permanece incerto. A decisão dependerá do interesse da Ford em manter a sua presença no topo do WRC. Apesar de a Ford ser a prioridade, Millener reconhece que, enquanto empresa, a M-Sport teria de considerar outras opções de fabricantes caso a Ford opte por não prosseguir ao mais alto nível. Com o regresso da Ford à Fórmula 1 em 2026 como fornecedora de motores e o seu forte investimento no projeto do Dakar, as decisões relativas ao futuro no WRC aguardam-se na sede em Detroit.












