Entrevista a João Barros: de tetracampeão no Karting às vitórias e luta pelo título nos ralis

Por a 17 Novembro 2025 16:58

Em entrevista ao AutoSport, João Barros, figura incontornável dos ralis portugueses, revisitou o seu percurso, desde as vitórias em Mortágua e Castelo Branco até aos momentos em que o título nacional lhe escapou por um fio, como em 2017, devido a azares e falta de experiência da equipa.

O piloto destacou a sua formação no karting, onde foi tetracampeão nacional entre 2005 e 2008, como uma “grande escola” para a concentração e o foco.

Apaixonado pelo desporto motorizado desde cedo, Barros descreveu a transição para os ralis como natural, movido pela adrenalina e pelo desafio da competição. Apesar de ter iniciado nos ralis mais tarde, com pouco mais de trinta anos, orgulha-se de ter alcançado o nível de adversários de maior peso. Atualmente, o seu objetivo principal é divertir-se, mas sem abdicar da competitividade, visando mesmo a participação nos masters.

Início da Carreira e Vitórias

AS: João, primeira pergunta para ti, tantos anos a lutar na frente dos ralis em Portugal. Venceste duas provas. O que te faltou para conseguires mais?

João Barros: Sim, a primeira foi Mortágua em 2014, a segunda Castelo Branco em 2016. Faltou-me – sinceramente – um bocadinho mais de sorte. Houve uma altura em que parecia que ia dar tudo certo e correu mal.

Foi em 2017, vimos que podíamos lutar pela vitória, pelo campeonato nacional e não consegui.

Não consegui, devido aos azares que tivemos no carro. Por exemplo, em Mortágua, em terra, logo na primeira especial, o meu carro teve um curto-circuito e não consegui arrancar. Estavamos ali a lutar pelo título com o Pedro Meireles e com o Carlos Vieira, e acabei por não pontuar…

Foi um grande campeonato, mas já não fui ao Algarve, e na última prova ficaram a lutar o Pedro Meireles e o Carlos Vieira. Tive muita pena, mas o tempo já passou, já curou a ferida. Agora estou de volta e quero fazer uns ralis para me divertir…”

Luta pelo título e fatores decisivos

AS: Estiveste várias vezes na luta pelo título. Que fatores achas que faltaram para dar esse último salto?

João Barros: Um dos fatores foi a falta de experiência, tanto minha como da equipa. A equipa também não tinha tanta experiência para estar a lutar contra adversários tão fortes como o Pedro Meireles, o José Pedro Fontes na altura. E se calhar foi um bocadinho isso…”

Percurso no Karting

AS: Tu andaste muitos anos no karting, lembro-me, ainda temos fotografias tuas dos anos 2000…

João Barros: Sim, sim. Fui campeão nacional de karting em 2005, 2006, 2007 e 2008, sempre nos 125cc de caixa. Comecei a andar de karting mais tarde, mas logo nos de caixa de velocidades. Adaptei-me muito bem, sempre gostei. Antes fiz o troféu do Baltar vários anos, depois decidi atacar o campeonato nacional. No primeiro ano, 2004, fui até à última prova, em Braga, mas não consegui, fiquei segundo. Depois em 2005, 6, 7 e 8, consegui ser tetracampeão.”

Transição do Karting para os Ralis

AS: Como foi o processo de adaptação do karting para os ralis e que aprendizagens consideras mais valiosas nessa transição?

João Barros: “O karting é uma grande escola, serve para tudo, basicamente. O foco, a concentração, acreditar em nós e saber ouvir os nossos mecânicos para conseguirmos um bom setup. Acreditar e ter valor pessoal é importante, mas a envolvência também pesa muito.“

AS: É um ambiente tão competitivo que habituamo-nos a estar ao mais alto nível de concentração.

João Barros: “Sempre, é uma interação constante.”

Evolução como Piloto de Ralis

AS: Houve algum momento ou decisão determinante para a tua evolução como piloto de ralis?

João Barros: “Foi natural. Desde novo sempre gostei do desporto motorizado…”

AS: Quando sentiste que querias?

João Barros: “Sempre fui apaixonado por motos e carros, desde pequeno. Pelo sangue da família, sempre gostou do desporto motorizado. Parte dos meus pais, especialmente do meu pai, foi mais profissional. Consegui convencer dois tios, já maiores, a fazer o campeonato nacional de ralis comigo e acompanhar-me na altura da Ford.

Fiz karting, depois houve alguma evolução, já tinha ganho quatro campeonatos, já era adulto, casado, com filhos. Passei um ano pelo rallycross. Fiz meia época das rampas, onde não me senti bem, e decidi ir para os ralis, onde fiquei logo apaixonado.”

Paixão pelo Desporto Motorizado

AS: O que achas que apaixona tanta gente pelo desporto motorizado, não só pilotos?

João Barros: “É a adrenalina, a vontade, o gosto pela velocidade. Os carros são bonitos, adoro, sinto muita adrenalina ainda hoje e o desafio de saber se ainda estou competitivo. Medir com outros, no rali, isso é muito bom.”

Percurso, adversários e consistência

AS: O que mais valorizas no percurso feito no campeonato, tendo enfrentado adversários de grande nível?

João Barros: “Comecei nos ralis tarde, com trinta e tal anos. Sempre apanhei pilotos com muito mais experiência e anos de competição, tanto nos mesmos ralis como em competições em geral. Conseguir chegar rápido ao nível deles é um orgulho para mim.

AS: Apanhaste Fontes, Meireles, Adruzilo, Moura, Teodósio, Salvi…

João Barros: Exato. Tirando alguns saltos, fui aparecendo e de repente comecei a andar junto deles. O título acabou por não ficar longe, mas nunca fui muito consistente. Houve anos que fiz o campeonato todo, mas outros em que só fiz meio campeonato, três ralis, dois ralis, ou vários que fiquei parado. E assim é mais difícil voltar e ser competitivo.”

Motivação e Superação

AS: Como mantiveste a motivação e a competitividade em épocas em que o título te escapou por pouco?

João Barros: “É difícil, no momento é muito difícil de digerir, mas o tempo ajuda a curar. Depois a experiência e o nosso mindset, acreditar em nós próprios, fazer uma lavagem ao cérebro e virar a página.”

AS: Recuperaste o ânimo e estás de volta. Tens outros objetivos e desafios para os próximos anos ou queres apenas correr por prazer?

João Barros: “Quero muito fazer parte dos Masters e correr contra o Pedro Meireles. Ainda demora um bocadinho, mas o meu principal objetivo é divertir-me. Claro que quero ser competitivo, se conseguir andar ali no meio deles, é um orgulho e chego a casa todo contente.”

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