A ‘queda’ de Thierry Neuville: do triunfo à frustração em apenas uma temporada do WRC

Por a 10 Novembro 2025 15:41

Thierry Neuville vivenciou em 2024 o apogeu da sua carreira: tornou-se o primeiro piloto belga a conquistar o Campeonato do Mundo de Ralis, levando a Hyundai à vitória com consistência inquestionável e domínio que perdurou de janeiro a novembro. Contudo, a sua defesa do título em 2025 transformou-se numa das campanhas mais desastrosas de um campeão mundial na história recente do WRC. Sem qualquer vitória até ao penúltimo rali da temporada e ocupando uma posição distante da frente, a situação do belga e da sua equipa revela-se profundamente preocupante.

Uma cascata de problemas mecânicos e externos

O Rali do Japão, o penúltimo evento da temporada, exemplificou perfeitamente o calvário vivido por Neuville. Antes sequer de chegar à Toyota City, o belga já admitia que o foco estava direcionado para o futuro, 2026, em vez do rali que se aproximava. A chegada ao evento confirmaria os seus piores receios.

Num único fim de semana, o piloto de 33 anos enfrentou um verdadeiro arsenal de problemas técnicos: uma falha na transmissão no teste de quinta-feira, um problema no diferencial traseiro na sexta de manhã, uma ruptura do veio de transmissão no sábado que causou um vazamento de óleo, e, numa sequência cómica se não fosse trágica, avarias eléctricas que desativaram os limpa-parabrisas durante a chuva do domingo. O navegador Martijn Wydaeghe resumiu sucintamente a situação para a imprensa especializada: “ano difícil…”

Um problema mais profundo: culpa e incompreensão

Além dos problemas mecânicos da máquina, Neuville admitiu falhas pessoais e uma perda de confiança que não reconhecia na campanha vitoriosa anterior. O campeão enfrentou uma taxa anómala de furos — em 2024 foi o piloto com menos furos; em 2025, viu esse recorde invertido para a sua desvantagem, com uma frequência dupla de problemas de pneus comparativamente ao ano anterior: “2025 tem sido um pesadelo”, confessou Neuville numa entrevista a meados de agosto. “Não tenho explicação. Todos estão a ter mais furos do que no ano passado, mas no meu caso é o dobro. Sem explicação!”​

A falha de uma estrutura inteira

O problema, porém, transcendia o piloto e tocava aspetos fundamentais da Hyundai. O construtor coreano apresentou uma versão completamente reformulada do i20 N Rally1 para 2025, mas nunca conseguiu desbloquear o verdadeiro potencial da máquina. Se é que este alguma vez existiu! Falta uma prova, provavelmente jás não se vai saber. A Hyundai venceu apenas um rali durante toda a temporada – o Rali da Acrópole com Ott Tänak – enquanto a Toyota acumulou doze vitórias e conquistou o título de construtores muito facilmente.

Neuville, após o Rali da Europa Central em outubro, foi contundente na sua avaliação: “Sabemos que cometemos erros. Precisamos corrigi-los. Não se trata de não trabalhar com afinco — a equipa trabalhou incrivelmente. Os últimos meses foram extraordinariamente exigentes para todos, mas simplesmente não estamos a fazê-lo bem”.​

O pior aspeto era a falta de compreensão coletiva sobre o que estava errado. Aquando dos testes da equipa, por vezes foram pilotados modelos de 2024 – máquinas sem qualquer desenvolvimento há um ano – que demonstraram estar mais rápidos do que a versão atualizada de 2025, uma realidade demolidora.

O risco histórico de não vencer o seu próprio campeonato

A temporada de Neuville corria o risco de estabelecer um precedente preocupante: ser o primeiro campeão mundial desde Richard Burns (2001) a falhar a vitória durante a sua própria defesa do título. Burns, apesar de uma campanha muito bem-sucedida e consistente em 2001, não venceu qualquer rali em 2002 — um recorde negativo que Neuville está perigosamente próximo de emular.

Sem vitórias confirmadas e apenas quatro pódios registados até ao penúltimo rali, a fórmula que levou Neuville ao topo em 2024 — consistência, mentalidade resiliente e maximização de pontos — desabou completamente sob o peso das limitações da máquina e de uma série de azar fora do comum. Há também claramente aqui muita culpa da equipa, que parece andar de cabeça…no WEC!

O futuro incerto

Apesar dos desafios, Neuville permaneceu vinculado à Hyundai para a temporada de 2026, sinalizando fé na capacidade da estrutura coreana em recuperar o caminho. Mas o abismo entre a glória de 2024 e o tormento de 2025 serviu como lembrete brutal: no desporto motorizado, a distância entre o topo e o colapso é medida não em quilómetros, mas em detalhes técnicos negligenciados e oportunidades perdidas.​

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