Estratégias e pneus do GP do México de F1: opções e riscos
A Pirelli antecipa múltiplas estratégias possíveis no Grande Prémio do México. Médio-macio é a mais rápida, mas o calor e a altitude podem mudar tudo.
Lando Norris tem estado imparável este fim de semana no Autódromo Hermanos Rodríguez, garantindo a pole position com uma volta final impressionante na Q3. Atrás do britânico, o cenário promete emoção: os Ferrari ocupam segundo e terceiro, seguidos por George Russell (Mercedes) em quarto e Max Verstappen em quinto. O líder do campeonato, Oscar Piastri, parte de sétimo.
Mas, como recorda Matt Youson, autor da análise estratégica da FIA, “esta não é uma corrida que se ganha ao sábado”. Com diferentes compostos da Pirelli e o histórico imprevisível do circuito mexicano, está em aberto uma das corridas mais táticas da época.
Recordar 2024: um “one stop” clássico
O Grande Prémio do México 2024 foi decidido em apenas uma paragem nas boxes. Os 11 primeiros classificados utilizaram a estratégia médio-duro, enquanto outros apostaram no duro-médio, sem grande sucesso. Os pneus macios só apareceram no final, por algumas voltas simbólicas.
Carlos Sainz, Lando Norris e Charles Leclerc completaram os seus pit stops nas voltas 32, 30 e 31, respetivamente. Verstappen parou mais cedo, na volta 26, tal como Lance Stroll. Oscar Piastri, em contraste, alongou o seu primeiro stint até à volta 39, transformando uma partida em P17 numa notável recuperação até ao oitavo lugar. Os que começaram em pneus duros falharam a aposta. “Precisavam de um Safety Car a meio da corrida, mas não houve um único”, lembra Youson.
Médio-macio é a aposta mais rápida, mas exige gestão
Este ano, a Pirelli introduz uma mudança subtil na gama de compostos: o C2 substitui o antigo C3 como pneu duro, mantendo-se os C4 e C5. A alteração cria uma ponte entre compostos e abre novas combinações estratégicas.
As simulações da marca italiana indicam que a estratégia médio-macio é a mais rápida até à bandeira de xadrez, com janela ideal de paragem entre as voltas 42 e 48. A alternativa mais conservadora é a médio-duro, com paragens entre as voltas 26 e 32. A escolha dependerá do desgaste e da capacidade de cada equipa gerir a degradação térmica.
A tentação do arranque em macio
O traçado mexicano tem duas características determinantes: uma longa reta até à primeira curva (830 metros desde a grelha) e uma notória dificuldade em ultrapassar. Isso pode levar alguns pilotos do top 10 a arriscar pneus macios na partida.
Com mais tração e cerca de 0,7 segundos de vantagem por volta nas primeiras voltas, esta opção pode render posições cruciais logo no arranque. Porém, o reverso é desgastar cedo o pneu e cair num tráfego difícil de ultrapassar devido à ineficácia do DRS em altitude.
“Se começar com macios e montar duros cedo, pode funcionar se regressar à pista atrás do pelotão agrupado e não no meio do tráfego”, explica Mario Isola, diretor de competição da Pirelli. “Caso contrário, será complicado, porque o DRS perde eficácia e ultrapassar é muito difícil.”
Os macio-duro têm janela entre as voltas 20 e 26, e os macio-médio entre as 23 e 29. Tanto Ferrari como Mercedes podem dividir estratégias entre os seus pilotos para maximizar hipóteses.
Estratégias alternativas para o fundo da grelha
Para quem arranca mais atrás, como Alex Albon (17.º), o duplo pit stop macio-médio-macio é teoricamente viável, sem ser mais lento que o tradicional “one-stop”. No entanto, o circuito mexicano raramente recompensa quem precisa de ultrapassar com frequência.
A altitude diminui o efeito do DRS, e as velocidades são elevadas, limitando manobras. A opção alternativa poderá ser parar cedo para ar limpo e fazer um stint longo em pneus duros – especialmente se surgir um Safety Car na primeira volta. “Não excluo essa hipótese”, diz Isola. “Se houver Safety Car no início, alguém pode montar duros e tentar ir até ao fim. É arriscado pelo desgaste e pela perda de temperatura, mas pode funcionar.”
Calor e altitude complicam a equação
As previsões meteorológicas apontam para 26 °C de temperatura ambiente e 48-52 °C de temperatura no asfalto, valores capazes de alterar profundamente o comportamento dos pneus.
Com o calor e a altitude de 2 200 metros, o pneu macio tende a sobreaquecer rapidamente, o que pode favorecer quem optar por compostos médios ou duros e adotar uma gestão mais prudente.
Seja qual for a escolha, o Grande Prémio do México promete ser um exercício de equilíbrio entre desempenho e paciência — em que a estratégia pode valer tanto como a velocidade pura.
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